2016, revendo 


Mais um ano que já chiou-se pra burro. Foram as incongruências políticas, os desmandos, os vai-não-vai… as formas incríveis como pessoas pensam e se expressam sobre outras – e nisso aí me peguei culpada algumas vezes. O fato é que eu não acho, a medida com que a vida segue ou progride que vamos ter um ano maravilhoso sozinho. Ou pelo menos, não vamos ter nunca o ano ideal. Isso não existe. É platônico. Mesmo. 

A questão reside muito em como somos capazes de lidar com os revezes e senões. A coisa é que a experiência é diferente para cada um de nós e nessa altura do campeonato vc já pode estar achando que eu estou falando abobrinha. Acho justo. 

O fato é que não dá pra ficar dando murro em ponta de faca. E não vai ser virar a página da folhinha que vai fazer com a vontade de esmurrar pare ou que a faca se retire. Aliás, vc pode colocar mertiolate nessas feridas agora e não esperar a semana que vem. A gente assopra daqui. 

Em particular, esse ano eu passei muita raiva. Raiva de ego ferido, basicamente. Raiva de ser ignorada completamente. Raiva de mostrar caminhos que não tiveram valor. Ai, meu cotovelo. 

Bom. Do meio do ano em seguida, eu resolvi me retirar. Não fisicamente, porque ainda não dava. Mas retirar a minha tensão e a minha energia. Não foi a melhor estratégia… porém, me mostrou outros caminhos e fez a água bater na minha bunda e tocar em frente. 

O fato é que, por mais complicado que o ano tenha sido, acho impossível cada um de nós não ter tido pelo menos um gosto, uma vitória ou um algo a comemorar. Pelo menos uma coisinha que vc olha em volta e pensa: poxa, isso valeu. Vou me focar nisso. 

Foco. Não no sentido “vamos nos focar” e aquelas besteiras todas de produtividade que só tomam o nosso tempo e nos colocam longe dos nossos valores internos. O foco, aliás, pode ser um valor interno de extrema importância, pois abafa os barulhos a nossa volta. Mesmo os da nossa cabeça. E como ela grita às vezes. O foco de olhar algo com carinho e dar àquilo atenção. Sem distrações. Com entendimento e consciência. É simples. Não é fácil. 

Eu estou aqui pensando nos valores que regem a minha vida. E quiçá ganharão novas tintas ano que vem. Não quero colocar “objetivos” ou “metas” ou fazer planos mirabolantes para 2017. Quero tocar como a água. Contornar obstáculos. Não os ignorando, pq, querendo ou não, eles estarão lá. Mas consumindo menos energia. Ou seja, não fritando a cabeça com diálogos internos que só levam a discussões internas. Respirando. Começando de novo. 

Aliás, acho que a lição mais importante de 2016 foi saber que, a qualquer momento, vc tem a oportunidade de começar de novo. Nesse momento, não consigo pensar em hipotéticos 365 dias. Mas, no que estou carregando comigo nesse momento. Porque é sempre sobre o momento. É nele que tomamos decisões. Claro que se pode pensar em um futuro, mas absolutamente nada garante que ele se desenha como se sonha. 

Eu acho que estou aqui revolvendo assuntos. Então, nesse momento escolho olhar com graça para o que passou. Aceitar o que eu aprendi e como isso reforça ou refuta valores. 

Não precisa esperar 2017. Comece agora. Não dá pra fazer nada nesse momento? Respira. Aceita. E saiba que nessa respiração vem a calma que permite o foco. Não deu certo? Começa de novo! Sempre vai ter espaço. E se não tiver, talvez vc tenha cumprido essa parte. Partimos dessa pra melhor! 

Fiquem bem! 

Pietra 

Rever, replanejar, refazer


Fim de ano e aqueles balanços de sempre, certo? Pois bem… este ano esse momento chega junto com o famigerado Mercúrio retrógrado. Corram para as montanhas! Só que não. É a melhor oportunidade para fazer isso.

Quando o planeta da comunicação começa a andar “para trás” – eu vou aqui colocar um link bacana que explica isso melhor – significa que precisamos fazer exatamente o que não pregam por aí: olhar para trás.

Vivemos alimentados pela novidade. Pelo que vem a seguir. Pelo próximo. E, seguremos as cadeiras, não é o que o tempo nos permite. Ou favorece.

Então, por que não aproveitar essa energia toda e rever o ano, voltar no que deixamos inacabado e pensar se alguns movimentos ainda valem a pena?

Bom, um dos movimentos que tomamos aqui em casa e não pretendemos retomar foi dar um fim na TV a cabo. Demos cabo no cabo! Pouco víamos TV em casa e vira e mexe, ficamos  zapeando e chiando que não tem nada de bom pra ver. Cortamos uma despesa e nos resolvemos com rádio, YouTube, Netflix e um Chrome Cast.


Uma das coisas que está ganhando revisão agora são as minhas práticas de Yoga. Faz uma semana que eu dei uma pausa. Retomarei no com Revolution Challenge, proposto pela Adriene Mischler, em seu canal Yoga with Adriene. Um must. Passa por lá!

Estou sentindo alguns “blasts from the past”, com coisas que eu sentia que eram significativas para mim e acabaram esmaecendo. De forma, que voltei a estudar Filosofia de uma forma “livre”, mas que me faz voltar a algo que eu postei no Facebook anos atrás:

 

Nesta mesma pegada, tive que REfazer parte do meu guarda-roupa… Não tem nada mais irritante do que calça caindo – SÓ QUE NÃO! 

Voltei também com as minhas frescuras com as minhas unhas, porque mereço!

Estou ouvindo todos os podcasts dos Minimalists novamente. Voltar a me integrar nisso. Juntamente com alguns vídeos e reflexões budistas. Fez muita diferença na minha vida e merece uma visita e uma integração mais presente.

E um movimento novo, que na verdade é um de 20 anos atrás, é fazer uma espécie de diário-agenda… num sistema chamado Bullet Journal. Já existe uma comunidade razoável no Brasil de pessoas fazendo seus planejamentos neste sistema e a grande coisa é que pode ser tanto prático, pelo jeito que se planeja nele, quanto terapêutico, pelas tantas coisas coisas que o sistema oferece, como uma forma de fazer reflexões ou colocar notas, desenhos e coleções, tudo no mesmo caderno.


Uma comunidade bacana no Facebook, em português, é Bullet Journal Brasil – Bullet Lovers. Eu gosto das ideias e das trocas… eu evito as questões mais voltadas para a questão de coaching etc e tal… Também me incomoda que as pessoas colocam inspirações sem dar o crédito de onde elas vem. Quem acompanha #bujo ou #bulletjournal no Instagram, sabe de quem são e acho chato não creditar… Enfim, vale a pena conhecer, se você não fala inglês.

Um site que estou amando sobre o assunto é do Kara Benz, o Boho Berry, cheio de ideias, inspirações e tutoriais.

E, claro, o vídeo do autor do sistema original, Ryder Caroll.

Por fim, queridos… o ano não precisa terminar. Na verdade, temos 3 a 4 períodos como esse, de Mercúrio retrógrado por ano. Mas achei esse bem específico pelo timing.

Como foi o seu ano? Sem reclamações ou mimimi. Foi duro para todo mundo… Faça uma avaliação honesta. Tenho certeza que houveram recompensas, ganhos, vitórias, conquistas. Não  se pode deixar que os pesos pesem para sempre. Como as vitórias não brilharão pelo mesmo tempo. Mas, são passos nesse caminho que nem sabemos onde vai dar. Seja presente com o seu presente. Aliás, quantos presentes você já não ganhou?

Um beijo e até 2017!

Pietra

Princesas… ou será?

Esta semana fui convidada a participar de um podcast – quando sair, posto por aqui! – falando sobre a Escola de Princesas que começou em Minas Gerais e agora vem chegando a São Paulo. 

A proposta é de um curso livre para meninas, de 4 a 15 anos, ensinando coisas com etiqueta, bons modos, economia doméstica, algumas artes manuais e, na adolescência, relacionamentos e sexualidade. 

Honestamente, parece uma prep-school dos anos 50. Mas enfim… Descobri que muitas pessoas estão adorando a ideia e colocando seu dinheiro nisso. E o tempo de suas filhas, claro. Claramente, estamos falando de uma atividade extra-curricular, como inglês, natação etc. o ponto é que, as pessoas engajadas nisso colocam que trata-se de uma proposta interessante porque nossas meninas estão expostas a muita baixaria e devem mesmo aprender a se preservarem e relacionarem-se melhor. Ainda, houve quem apontasse que seria um movimento ideal para que suas filhas casassem bem e tivessem a admiração de outras pessoas pelas suas atitudes e prendas. 

Muito bem. Eu não vou dizer que isso tudo não é legítimo, porque acredito que pessoas preocupam-se com a criação de seus filhos – suas filhas, no caso. M A S, será que esta nao é mais uma forma de terceirizar a educação de nossas crianças? 

Por que não tem escola de príncipes para ensinar coisas parecidas aos meninos? 

Por que não temos um espaço para mostrar que esse papo de princesa pode ser ótimo no lúdico ou literário mas que raramente funciona na vida real?

Evidentemente que na vida real tem economia doméstica, cozinhar, lavar, passar, arrumar a geladeira. Porém esse é um papel de ser humano na sociedade – urbana – que não se relega a gênero. 

Tenho preocupações sinceras com esse tipo de iniciativa, porque é claro que sabemos que isso vende e tem apelo. Ainda mais sabendo quem foi a idealizadora da coisa toda – a filha do baú – e ainda, sabendo qual orientação religiosa está por trás disso. 

Eu não acho que nossas crianças precisam de um rótulo de princesas ou de heróis, porque eles vivem isso diariamente em suas brincadeiras e fantasias. Eu acho que as pessoas que estão investindo grana nisso poderiam pensar como poderiam investir tempo em, de fato, estar com seus filhos e ensinar-lhes todas essas coisas que julgam importantes ao invés de largar na mão de pessoas outras. Esta é a tal Educação que vem de casa. E que se aplica em qualquer lugar. Inclusive na escola. 

Por fim, não se pode esquecer que, na vida, encontramos com todo tipo de coisa e que é o caráter que temos e as virtudes que construímos que nos ajudam a lidar com isso. Não a aulinha de etiqueta da filha do dono do baú. 

Mulheres podem ser princesas, guerreiras, heroínas. Tudo junto misturado, porque ninguém é uma coisa só. 

Pietra

A quebra do ego

E como é dura. E dolorida. E necessária. 

Estou há uns dois dias cozendo esta conversa dentro de mim. Acho que precisava de mais instrumentos para colocá-la sem mimimi e de uma forma que ajudasse quem eventualmente lesse. 

Como já é dado neste blog, muitas coisas aconteceram este ano. Talvez como um ano realmente deva ser. Com suas percepções e crescimento de consciência. 2016 não está sendo em nada parecido com 2015 – Graças ao bom Zeus – e isso gera momentos de felicidade, claro, mas também um imenso desconforto. Nada será como antes. Todos os dias. 

As dores do crescimento e do amadurecimento acontecem. A grande coisa é como reagimos a elas. E o quão atentos estamos para simplesmente não entrar numa tremenda piração. 

Muito bem. Isso tudo começou com uma crise financeira. Quem não, quem nunca? E levou a grandes mudanças de estilo de vida. Entram aí minimalismo, meditação, mindfulness e a introdução ao Budismo – aliás, acho que nunca serei uma ótima budista, mas como me agrada, me acalenta e nutre. 

Este ano eu emagreci de um jeito que me deixa satisfeita, uso meu corpo com alegria e liberdade – caminhadas, yoga e uma passagem por uma academia foram conquistas que uma pessoa com uma condição de pós operada de hérnia de disco nem sonhava. Essa celebração é vital! No entanto, perdi muitas roupas, limpei o guarda-roupa por vezes e cada vez mais me pego olhando para ele com certa desconfiança. Como expressão pessoal, as roupas falam muito. E por vezes, usar um uniforme todos os dias pode incomodar bastante. Frivolidade, eu sei. 

Este 2016 trouxe com suas mudanças, diversas controvérsias e dessabores com a vida trabalhista. Discussões, desgostos e a grande quebra no ego… talvez você não seja a ótima profissional que você acredita de forma firme que é. Foi triste. No entanto, quem sabe, não seja a última gota do que já vem me chamando a atenção há alguns anos. Não levem a mal, eu gosto muito de ensinar e aprender. Só estou pensando sinceramente se estou colocando esta energia no lugar certo, para o público certo. O fim de tudo é que aprendi, M E S M O, que de boas intenções, o inferno está cheio. E como faz diferença ensinar a quem realmente quer aprender e não está lá por uma questão normativa. Acho ainda que causei sofrimento a outros e a mim mesma. Não gostaria de seguir por aí. Assim, planos se desenham para adequar a rota. 

Meditação e autoconhecimento podem ser facas de dois gumes também. Aprendi isso recentemente. Não deixarei de me dedicar a eles, pois mudaram a minha vida para muito melhor, mas não sabemos de seus efeitos colaterais até que eles acontecem. Mudar o ego e a percepção que se tem de si é um trabalho danado, que vale a pena empreender. Porém, quem disse que aquilo que está enraizado dentro de nós quer morrer? E luta bravamente. Assim, quando você acredita que seu nível de consciência e entendimento sobe, toma uma pancada que pode levar dois níveis abaixo. Isso é um sinal para parar? Não. Absolutamente. É o sinal de que esta funcionando e que mindfulness e atenção devem ser redobrados e seriamente praticados. Mas, admito, gastei dinheiro, briguei com pessoas, entrei em crises. Quanto mais a gente se “odeia” e pira é quando mais precisamos de nós mesmos para nos acarinhar e crescer. 

Por fim, notei relacionamentos mudarem. Muitos dos que se pensa serem seguros e confiáveis tornam-se um poço de sofrimento e outros que eram tidos como rusgas, mostram-se pacíficos. E isso não sou eu ou você. As coisas acontecem, se dão. Só é pessoal o que tomamos por tal. Acredito que as pessoas estejam levando suas vidas, como eu e você estamos levando as nossas e, quiçá, para melhor. 
Pietra

2016, movimento

Sabe aquelas coisas que a gente “sabe”, mas que precisa de ser lembrado? Bem, este ano está sendo esse lembrete. Cada mês, um bilhetinho novo. 

Mudanças. Impermanência. Existe. Todo dia. 


Em janeiro, se alguém me dissesse tudo o que já aconteceu, eu riria. Não por achar graça, mas talvez de nervoso por achar que nenhuma delas seria possível. 

Pois bem. Aconteceu. Aconteceram. E acredito que o ano vai terminar completamente diferente do que ele começou. Claro que é sempre assim. Claro que a gente esquece. Mas, o que nunca muda é a mudança. O movimento.  Sair de ponto A para ponto B. Ou C… ou ainda M. Vai saber. 

E preciso dizer que tudo começou mesmo com uma reflexão ou uma volta ao significado da palavra moderação. E o caminho do meio, onde não se corre nem tanto ao céu e nem tanto ao mar, onde nossos pés estão firmes no chão, foi se desenhando. 

Tirar do caminho as coisas físicas que não serviam mais foram se refletindo em outras coisas, igualmente físicas que não serviam mais. 

O problema é quando algo não físico começa a ficar no caminho. Como lidar com a raiva, o tédio, a insatisfação ou seja, uma tentativa cansativa de evitar o que está acontecendo à sua volta? 

Parece papo de autoajuda, mas nada melhor que viver o momento presente com atenção. Primeiro, para compreender de onde vem esses sentimentos desagradáveis – e compreender que, de fato, nem tudo que nos cerca é agradável o tempo todo. Depois, observar esses sentimentos com atenção e cuidado. Como se os abraçássemos. Eles irão embora, cedo ou tarde. E, reconhecendo o que está acontecendo dentro de nós, além de nos ensinar lições valiosas sobre quem somos, faz com que gastemos muito menos energia do que quando tentamos evitar algo a qualquer custo. 

Seres humanos. Não tem jeito. Uns gostamos muito, outros nada. Mas são tão seres humanos quanto nós. E se eles estão dividindo o mesmo espaço, por que não conviver com um mínimo de decência? Evidentemente, as pessoas que desejamos evitar nos causam sentimentos ou pensamentos ruins. Mas isso é um problema nosso, não delas. Pode ser que não façamos a menor diferença em suas existências. Enquanto nós sofremos um bocado. 

Assim, vem mais um movimento da vida. Se não permitimos que a raiva, por exemplo, não seja um veneno, retiramos uma âncora e o barco da nossa realidade continua seu curso. E quiça para longe dessas ilhas cujos sentimentos ou pensamentos nos intoxicam. Não acontece sozinho. Precisa da nossa atenção. Do nosso empenho. Em limpar. Em prestar atenção. Em mexer no curso. 

Uma virada no leme pode nos levar a mares nunca antes navegados. E o quão interessante isso pode ser? 

Lembre-se – e o recado é para mim – de manter a mente limpa, gentil e iniciante. Sem certezas absolutas. Apenas com a curiosidade de buscar novos caminhos e alternativas. Com calma e paz. Talvez esse seja o grande segredo. 

Outubro mal e mal está no meio. Ainda temos um tanto de ano para cumprir. Mas será que o ano novo não pode começar amanhã, com o subir do sol?

Pietra

Ame a pessoa que você é

Entre uma imagem e outra, há 8 meses de diferença, 14 kg e muita perspectiva.

Hoje é um dia especialmente marcante para mim. Desde sempre, falta uma semana para o meu aniversário – inclusive, adoro – e me faz pensar em uma porção de coisas. Pelo menos para mim, não tem jeito. Perto de aniversário, vem aquele momento de pesar tudo que aconteceu em um ano. 

Há um ano, eu estava passando por um momento bem delicado da minha vida. Eu queria ser operada a qualquer custo. Porém, neste dia, em 2015, uma pessoa morreu na mesa de cirurgia. E a minha não aconteceu. Frustrada, eu apreciei a tristeza alheia. Naquele dia, eu não sabia o que estava por vir. Mas veio. E os frutos estão aqui hoje. 

Claro que eu não sei onde tudo isso ainda vai dar. Mas, daqui um ano a gente conversa. 

O fato é que a roda virou tantas vezes de lá pra cá, nasci e morri tantas vezes. Sou outra pessoa. Hoje, nem de longe, poderia me apresentar com as mesmas credenciais de 2015. Talvez sejamos como esses comerciais de carro: conheça o modelo 2016 etc etc etc. 

Aprendi nesse meio tempo o quanto a gente realmente batalha para se tornar quem somos – ou quem achamos que somos. Geralmente são batalhas silenciosas, mas certamente com derreamento de sangue. O nosso próprio. Em nossas mãos. Quantas vezes não matamos o que somos para realizar o melhor que podemos ser? Eu não sinto por aquela que se foi. Eu celebro a vida desta que está presente. E talvez, daqui um ano, já esteja morta e enterrada. 

Eu sempre fui uma pessoa de boa autoestima. Como todo mundo, sempre tem um lance aqui ou ali para acertar. Mas, o que é o mundo, certo? Nem ele roda redondo – a órbita da Terra é elíptica. E nesses ovais transeuntes, nos encontramos em uma esquina. Nos cumprimentamos com entusiasmo. Perguntamos da família e vamos tomar um café juntas. Vamos nos encontrando em pedaços de realização dos processos que passamos. 

Eu, em setembro de 2016, quase 37 anos nas costas, sou mais leve. E embora, por vezes acredite que os conflitos que carregue sejam mais pesados que os de antes, me recordo da Pietra de setembro de 2015 e penso: “sabe nada, inocente”. 

2016 me deu perspectiva. De como as coisas mudam – o tempo todo. Hoje eu saltito, mesmo quando a carranca pesa na cara. 

Um dia, o Buda disse: 

Eu lhes mostrei o caminho da liberdade. Agora, a liberdade depende de vocês. 

E isso é verdade. Se não tomarmos nossas vidas em nossas próprias mãos, nem o Buda (ou insira aqui quem poderá nos defender) poderá nos ajudar. 

A impermanência é a lei. Esteja onde você estiver. Os pensamentos vão e vem. As coisas estão aí para serem usadas e pessoas para serem amadas. Livre-se de qualquer excesso. Faça da vida uma galeria de arte extremamente bem curada – você conhece seu gosto e seus talentos melhor do que ninguém. 

Espero que a Primavera que se avizinha seja generosa para cada um de nós. E que continuemos bem. Que nos amemos. Pois foi uma luta chegar até aqui!

Pietra

A tal moda plus size

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Esta semana estava eu, passeando pelo Facebook, quando me deparei com um artigo falando da propaganda de roupa plus size da C&A – uma loja bem popular por aqui. Fast-fashion, aliás… com lançamentos a cada semana ou duas… enfim… A conversa rolou mais ou menos assim: Propaganda da C&A levanta questão:  que é plus size de verdade? 

E claro que o melhor (?) de tudo é ler os comentários. Seja no Facebook ou na página que saiu a matéria. Tem de tudo um pouco. Gente maior que a modelo da propaganda reclamando que não encontra roupa na loja; gente como a modelo que encontra; gente muito menor que a modelo reclamando que não encontra; gente muito menor que a modelo dizendo que encontra, mas na parte de roupa juvenil… e por aí vai. Foi um desfile de alturas, pesos e medidas, buscando talvez um senso comum para essa história toda. Inclusive, li um comentário de uma moça que trabalhou na C&A e esclareceu um pouco da política de compras das lojas para tamanhos muito grandes ou muito pequenos: eles encalham. Logo, a disposição de peças é muito menor. Achou, comprou porque senão, não acha mais.

Muito bem. Eu não vou mentir que não fiquei com essa coisa toda na minha cabeça. Primeiro porque, se as tais peças não existem na loja, será que estamos falando de propaganda enganosa, ou simplesmente, elas foram vendidas e azar de quem não vai toda semana à loja conferir o cardápio? Segundo, o que é plus size? Terceiro, temos mesmo de recorrer ao fast fashion para poder vestir nossos corpinhos – seja de que tamanho sejam? Quarto, meus deuses, que inferno essa coisa de numeração de roupa e que inferno que estamos fazendo dentro de nossas próprias cabeças cismando com 38, 40, 42, 50? E por fim, quem é qualquer cara-pálida no Facebook para dizer: você é gorda, pare de comer, malhe e emagreça senão nunca vai encontrar roupa?

Aliás, preciso dizer: que coisa inacreditável a falta de educação que corre entre os comentários. De qualquer matéria, eu acho. Eu duvido que as pessoas tenham coragem de ser assim na vida real. Que se aproveitam de uma tela de retina para postar grosserias aos outros que discordam de seus pontos. Além de falta de interpretação de texto, como falta ética entre as pessoas para estabelecerem qualquer comunicação. Talvez resultado do universo de Fla x Flu, esquerda x direita que vivemos hoje em dia… Que pena de quem gostaria de um caminho do meio.

Infelizmente, no nosso mundo, lucra-se muito com as inseguranças das pessoas. Assim, esse “acolhimento” do plus size talvez seja uma forma espertinha de dizer: cara cliente, nos importamos com você. Bull shit. Nos importamos com o lucro que vem da sua insegurança, então venha gastar seu tempo e seu dinheiro em nossa loja – a qual não temos certeza de como os produtos são feitos, em quais condições trabalhistas, por exemplo – para achar que você vai se sentir linda e acolhida. Pode ser que a intenção seja ótima, mas como dizem, de boas intenções, o inferno está cheio. Ou seja, não existe uma preocupação genuína com as pessoas que vistam mais que 46 (que também é um número extremamente arbitrário). A preocupação é levar as pessoas para dentro da loja. E se não encontram uma peça que lhes sirva, quem sabe levem um sapato ou uma bolsa para compensar a frustração de não ficarem bem em nada. O que ainda não significa que o corpo da pessoa seja inadequado. De forma nenhuma. O caimento das roupas e o material que são feitos são extremamente duvidosos… Aposto 20 reais que as fotos feitas com as tais roupas de coleção foram muito bem tratados, muito obrigada. Mais do que isso ainda, o afã de “inclusão”só ajuda a criar um ciclo imenso de expectativa e frustração que, infelizmente, as pessoas tentam encher com mais e mais coisas, roupas etc.

Numeração de roupa. Não existe na vida algo mais pernicioso que isso. Faz-se acreditar que um número X cabe em pessoas de determinadas medidas. Oras bolas, quem tem exatamente um corpo igual ao outro? Isso quer dizer que essas roupinhas fast fashion são feitas de uma forma genérica, de acordo com uma modelagem, que segundo dizem ainda, vem de modelos chinesas – o que a brasileira tem de corpo chinês se não é descendente???? – e são exportadas para o mundo todo. É barato fazer na China, na Índia, em Bangladesh. O que mata, literalmente, é o custo disso para as pessoas empregadas nesse setor… Alguém sabe o que aconteceu com o Rana Plaza em 2013? Não??? Dá um Google e veja o quanto custou uma blusinha mequetrefe da Forever 21 para muitas famílias.

Meninas… meninos… pessoas. É sabido que no mundo da moda tudo se faz para manter o condomínio na praia de alguém. Ou o carro caro e os 80 empregados domésticos de um empresário de marcas gigantes. Eles investem na sua inadequação. No seu senso de não ser própria, linda e perfeita. Tentamos lidar com essas aceitações sociais de várias formas: cosméticos, roupas e cirurgias. No entanto, as únicas que pessoas que não estão enchendo as burras de dinheiro, são as pessoas normais como eu e você que podemos vestir 38 em uma loja e 42 em outra. Logo, seguem algumas ideias para, além de aliviar o consumo, o uso insano de recursos humanos e materiais, dar uma paz para a cabeça:

  • Não coloque seu dinheiro em fast fashion. É muito provável que o que você comprar hoje por modinha, vai durar pouco; seja pela qualidade do material, seja pelas tais tendências que mudam. Invista em peças de boa qualidade e que sirvam a diversas ocasiões e combinações. Menos é mais em quantidade. Podemos até gastar mais em algumas peças, porém garantimos o seu bom estado por muito tempo.
  • Resista firmemente a “retail therapy”, ou a terapia das compras. Não compre quando estiver triste demais ou alegre demais. O seu cartão e seu armário agradecem.
  • Conheça seu corpo. Pesquise, entre no seu guarda-roupa e veja o que lhe cai bem. Nada mais, nada menos.
  • Quando numa loja, não peça um número específico. Nós não temos a menor ideia de como é a modelagem daquela empresa. Quando me perguntam números, eu sempre digo: não sei, me diz você, para a vendedora. Ela sabe o que tem lá e pode ajudar. E se a numeração não for do seu agrado, de duas, uma: ou saia sumariamente da loja OU corte a etiqueta quando chegar em casa. Um número não pode ditar seu estado de espírito.

Ganhar etiquetas como plus size, que eu mesma já ganhei, ou roupa juvenil é querer andar com uma etiqueta. Elas não fazem NADA por você. É você quem faz. As escolhas são suas. O dinheiro é seu. As mudanças de estilo de vida ou de roupas igualmente. Logo, não se deixe ditar o que fazer.

Beijos,

Pietra