Ser uma pessoa matutina


Passeando por uns posts, tenho visto mt sobre ser uma morning person, uma pessoa matutina. Eu sou. Sempre fui. Adoro fazer as coisas de manhã. Parece que eu acabei de sair da tomada e estou pronta para o meu tradicional “tirar as coisas do caminho”. 

Como este escritinho, por exemplo. 

Eu sei que pode ser uma coisa bastante controversa, afinal o corpo de cada um responde de um jeito às coisas. O meu responde às noites de forma imprestável. E outros veem acordar às 9 num sábado como acordar cedo. No entanto, aprendi coisas ótimas com acordar uma hora mais cedo do que preciso. 

Durante a semana, eu preciso estar no trabalho às 7h50. Acordar às 6h10 dava mais que conta. Porém, na leveza do meu ser pós-cirurgia na coluna, acordar às 5 da manhã fez milagres. 

Por que acordar uma hora antes do horário é uma boa ideia:

  • Você tem tempo para um café da manhã minimamente decente. 
  • As rotinas de se arrumar para sair não entram em loucura. 
  • Você pode incluir nessa brincadeira uma atividade aleatória que, caso contrário, não teria tempo. Eu caminho todas as manhãs. 
  • Outras eventualidades não entram no seu caminho: estender roupa, recolher roupa, lavar o cabelo, dar um tapa na cozinha, etc. 
  • Depois de uma hora em pé, você est mais disposta para sair e encarar o mundo lá fora. 
  • Mesmo no frio. 

Desde que a história com a minha coluna acabou – ou pelo menos, tomou outro rumo – as mudanças de estilo de vida têm me feito mais feliz. 

Assim, fica meu convite. Tente acordar uma hora mais cedo. Você vai ver como o dia reeeeeeende! 

Pietra

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De vida e morte

Eu nem sei bem por onde começar esta história. Mais uma que daria um livro. Um conto… entre o horror e a esperança. Ou só um resumo do que a vida realmente é.

Faz meses que eu estou esperando para fazer uma cirurgia para tirar as hérnias das minhas costas. Entre muitos caminhos de ida e volta e trezentas frustrações, acabou a carência do convênio e tinha consulta com meu médico. Tudo feito, foi marcada a dita cuja. De urgência, de novo. Arrumamos tudo correndo, acertamos com o hospital. Mala pronta. Chegada ao hospital. A minha intervenção seria ao meio dia de hoje. Havia uma primeira cirurgia às 7 da manhã. Dia de trabalho pesado para o neurocirurgião.

No momento de fazer a internação, descobrimos que eu não poderia sê-lo porque faltava um exame pré-operatório. Seria feito quando eu estivesse internada. Mas, a falta do mesmo impediu a internação. Ou seja, uma roda viva.

Depois de muitas trocas de palavras altas e mal ditas entre as partes – meus pais e a administração do hospital – nada mudou. Fui ao PS para então poder pegar uma receita de remédio, afinal, lidar a próxima semana – quando eu voltarei ao médico – com dor está fora de cogitação. Além de ser tratada de qualquer jeito pelo ortopedista do PS, que deixou claro que eu queria APENAS um atestado para afastamento – será? – tive minha medicação trocada. Ainda não sei no que isso, exatamente, vai dar.

Entre todos esses movimentos, o meu médico me ligou dizendo que o pedido para os exames pré-operatórios estariam na portaria do hospital para que eu os fizesse, garantindo assim que a cirurgia aconteça no dia 1/10. Muito bem.

Na saída do PS, fui até a tal recepção pegar o papel. Ao entrar, vejo uma moça, um pouco mais velha que eu chorando. Muito. Desesperada e andando a esmo pela rua. Pedia pelo pai. Dentro do hospital, havia uma outra moça, também chorando bastante. As pessoas em volta estavam atarantadas. Claramente, havia uma morte em questão.

No meio do meu transtorno, da minha frustração, olhei para aquela família. E senti uma vontade imensa de chorar. Eu queria resolver a minha saúde. Aquelas pessoas tinham mais uma porção de coisas para resolver. Deu um dó. Talvez uma compaixão, dentro da minha dor, foi ruim ver a dor dos outros. Imagino que maior que a minha.

Entra aí, o twist do destino… Para consolar a família, está o meu médico. O neurocirurgião. A cirurgia antes da minha foi um sucesso, para o além.

Não estou aqui dizendo que é o dia fadado de Tanatos. Não estou dizendo que porque o outro paciente se foi, eu também iria. Mas, imagino que, depois de perder um paciente, um médico quer um sossego na cabeça e não operar outra pessoa.

Sei lá… acho que hoje foi um dos dias mais insólitos da minha vida. Foi também um dia cubista… no sentido de ver a mesma face da vida em suas diferentes nuances.

Como é curioso e rico poder ver a vida se desvelando aos poucos. Eu vi o sujeito que mexeu no horário da minha internação sorrindo e brincando com outras pessoas enquanto meus pais estavam bravos e eu, chorando… de desagravo. Eu vi, um tanto mais calma, uma família despedir-se de uma pessoa querida. Eu voltei para casa, que achei que ia ficar longe por alguns dias. E não me furtei a apertar meu gato longamente.

Quem sabe não foi uma lição de inferno astral?

Que dia estranho.

Pietra

 

I don’t like the drugs, but the drugs like me

 Olá! Bem vindos à Indústria Farmacêutica. Em teoria, ela é feita para te amparar com uma série de problemas, dores e situações. Ela pode te ajudar com a dor, com doenças mentais, curam doenças de todas as espécies. É tudo verdade, mas, como tudo nessa vida, é uma faca de dois gumes.

Tomar remédio pode até ser uma coisa cotidiana e que só damos conta do que realmente se trata quando os big players entram em cena.

Depois de muitos antiinflamatórios, uns mais bonzinhos para o estômago e outros menos, chegou a vez dos opiáceos. Eles são  maravilhosos e resolvem bem o problema da dor – e até do peso que uma doença traz em si. O que pega é o depois.

Realmente depois de tomar oxicodona, eu entendo porque pessoas se viciam em morfina e analgésicos. O efeito parece mágico e te deixa bem e feliz para fazer um monte de coisas. Você vai conquistar o mundo! MAS, ela cobra contrapartidas…

Quando ela age no corpo, vem um sentimento muito gostoso de relaxamento e tranquilidade. Parece que os problemas da vida tomam uma proporção muito menor do que eles têm – não estou dizendo que são gigantes, mas vc perde a proporção de tudo a sua volta. Vc ama demais, se inspira demais, odeia demais… é um remédio que alimenta paixões, seja para qual lado elas forem. No entanto, a oxicodona tem também, depois de um tempo de ação ou talvez de não ingestão que a vida é ruim, que eu tenho dor, que alguma coisa horrível pode acontecer a qualquer momento. A pressão sobe – literal e figurativamente – e rompantes de choro e pensamentos desconexos tomam conta. Oxicodona, para mim, virou uma tremenda bad trip. Abandonei-a hoje.

Quem me deu essa medicação, obviamente, foi o ortopedista que me viu no PS semana passada…   E tenho certeza que foi na melhor das intenções. A farmácia retém a receita por se tratar de um remédio que pode ser abusado para fins não médicos… No entanto, o que adianta resolver a dor mais ou menos e me deixar num estado de “medo e choradeira”. Não dá, estou indo lá de novo, pq do jeito que está, não dá pra ficar.

Pietra

PS. não estou dizendo que as pessoas têm de largar seus medicamentos. De jeito nenhum… estou contando apenas o que aconteceu comigo e que nem sempre o corpo se ajusta ao que uma medicação se propõe a fazer.