2016, movimento

Sabe aquelas coisas que a gente “sabe”, mas que precisa de ser lembrado? Bem, este ano está sendo esse lembrete. Cada mês, um bilhetinho novo. 

Mudanças. Impermanência. Existe. Todo dia. 


Em janeiro, se alguém me dissesse tudo o que já aconteceu, eu riria. Não por achar graça, mas talvez de nervoso por achar que nenhuma delas seria possível. 

Pois bem. Aconteceu. Aconteceram. E acredito que o ano vai terminar completamente diferente do que ele começou. Claro que é sempre assim. Claro que a gente esquece. Mas, o que nunca muda é a mudança. O movimento.  Sair de ponto A para ponto B. Ou C… ou ainda M. Vai saber. 

E preciso dizer que tudo começou mesmo com uma reflexão ou uma volta ao significado da palavra moderação. E o caminho do meio, onde não se corre nem tanto ao céu e nem tanto ao mar, onde nossos pés estão firmes no chão, foi se desenhando. 

Tirar do caminho as coisas físicas que não serviam mais foram se refletindo em outras coisas, igualmente físicas que não serviam mais. 

O problema é quando algo não físico começa a ficar no caminho. Como lidar com a raiva, o tédio, a insatisfação ou seja, uma tentativa cansativa de evitar o que está acontecendo à sua volta? 

Parece papo de autoajuda, mas nada melhor que viver o momento presente com atenção. Primeiro, para compreender de onde vem esses sentimentos desagradáveis – e compreender que, de fato, nem tudo que nos cerca é agradável o tempo todo. Depois, observar esses sentimentos com atenção e cuidado. Como se os abraçássemos. Eles irão embora, cedo ou tarde. E, reconhecendo o que está acontecendo dentro de nós, além de nos ensinar lições valiosas sobre quem somos, faz com que gastemos muito menos energia do que quando tentamos evitar algo a qualquer custo. 

Seres humanos. Não tem jeito. Uns gostamos muito, outros nada. Mas são tão seres humanos quanto nós. E se eles estão dividindo o mesmo espaço, por que não conviver com um mínimo de decência? Evidentemente, as pessoas que desejamos evitar nos causam sentimentos ou pensamentos ruins. Mas isso é um problema nosso, não delas. Pode ser que não façamos a menor diferença em suas existências. Enquanto nós sofremos um bocado. 

Assim, vem mais um movimento da vida. Se não permitimos que a raiva, por exemplo, não seja um veneno, retiramos uma âncora e o barco da nossa realidade continua seu curso. E quiça para longe dessas ilhas cujos sentimentos ou pensamentos nos intoxicam. Não acontece sozinho. Precisa da nossa atenção. Do nosso empenho. Em limpar. Em prestar atenção. Em mexer no curso. 

Uma virada no leme pode nos levar a mares nunca antes navegados. E o quão interessante isso pode ser? 

Lembre-se – e o recado é para mim – de manter a mente limpa, gentil e iniciante. Sem certezas absolutas. Apenas com a curiosidade de buscar novos caminhos e alternativas. Com calma e paz. Talvez esse seja o grande segredo. 

Outubro mal e mal está no meio. Ainda temos um tanto de ano para cumprir. Mas será que o ano novo não pode começar amanhã, com o subir do sol?

Pietra

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