Não importa o quê… você está fazendo errado!

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Vá em frente. Julgue. Apenas lembre-se de ser perfeita pelo resto da sua vida. 

Numa conversa não tão recente com C., falávamos de como tudo que nos propomos a fazer está errado. Não importa o que seja. Há sempre um jeito melhor, mais adequado ou mais (insira aqui um termo politicamente correto) de se fazer as coisas.

Claro que isso tudo pode ter a ver com a exposição que a internet nos garante e que nós utilizamos, muitas vezes, sem pensar – viu, já está postando errado! E também tem relação direta com a forma com a qual pesquisamos as coisas ou que damos “ouvidos” ao que é postado por outros. Feliz ou infelizmente, a internet, o Google, se tornaram as enciclopédias e bibliotecas das pessoas. Por mais que digamos que precisamos consultar especialistas etc e tal, sempre damos uma passadinha no search para uma opinião a mais.

Uma parte da conversa estava focada em alimentação. Se você procura fazer uma alimentação mais limpa e saudável, imediatamente você pensa em verduras, legumes e frutas. Carnes magras até. Super alimentos. Mas, espera aí… Se você compra seus alimentos em mercados ou em feiras, já está fazendo errado porque eles têm agrotóxicos que são tão prejudiciais à saúde quanto aquele bolinho de carne com ovo (frito) que você comeu no café da manhã. Bom, então vamos buscar os orgânicos. Mas, infelizmente, a oferta deles já não é tão grande ou tão acessível. Você não tem uma horta orgânica na sua casa? Viu, como está fazendo errado?

Se entrarmos no tocante às carnes, aí o bicho pega – literalmente. Embora acredite na legitimidade do movimento vegano e o que eles têm para oferecer e nos informar. Acredito meeeeesmo em tudo que se diz sobre o consumo de carne não ser sustentável e cruel com os animais. Ainda, acho que isso é uma coisa que varia de contexto, afinal de contas, como lidar com isso se você faz parte de uma comunidade que se beneficia do uso da carne e de seus animais para alimentação do grupo? Será que eles não fazem isso ser sustentável dentro de sua situação e comunidade? Mas, estamos em um grande centro urbano, então, comemos carne e estamos fazendo isso errado também.

Ainda, no quesito alimentação, e na boa vontade de refazer sua dieta e seus hábitos alimentares, você se depara com o piquenique da firma. Come um doce de coco aqui, um pão de queijo ali, um bolo de chocolate. Pronto, você já “jacou”. E a tua lista de exercícios? Como assim, não tem academia? Não tem pesos? Não tem whey? Você confia mesmo em um canal do YouTube para te orientar? Vai se machucar, vai dar em nada. Inclusive eu vi num vídeo que o jeito que você está fazendo, está todo errado.

Ah, além disso, vale dizer:

  • Está usando um shampoo com petrolatos? Está errado.
  • Está usando calça feita em Bangladesh? Está errado.
  • Então vamos nos desfazer de nossos guarda-roupas fast fashion e comprar tudo de marcas sustentáveis. Tá louca? E o que se vai fazer com esse refugo que você chamava de roupa até ontem? Está tudo errado!
  • Não ajudou na campanha Y? Sem coração! Está errado.
  • Não leu para uma criança hoje? Está errado!
  • Não está usando numeração entre 36 e 40?????? Nem sei por onde começar a dizer o quão errado é isso.

Nosso tempo se tornou o tempo do escândalo. Por tudo se faz um. Por tudo se escandaliza. Sempre há e haverá uma opinião ou estudo ou pesquisa ou fazer diferente do nosso… SEMPRE. O que não significa que não é possível levar as nossas vidas de uma forma minimamente adequada. Aliás, venho pensando sobre o que faz com que levemos a vida da forma com a qual a fazemos. Seja de que forma for. São os valores nos quais acreditamos que nos moldam a ser como somos neste momento. O que não quer dizer que:

  • não iremos mudar de ideia amanhã.
  • não iremos encontrar uma outra forma de ver as coisas e melhorar o que estamos fazemos.
  • não deixaremos de acreditar que no momento, estamos fazendo o melhor por nós mesmos.

Num momento no qual a estabilidade e o patrimônio são a pauta da vida, complicado é sair da caixa e buscar outras formas de pensar, viver e encarar a realidade – esta construída pelas lentes que estão frente aos olhos: conhecimento, percepções, sentimentos.

No fundo, talvez o que pegue nessa coisa toda de “você está fazendo X errado” seja tanto a importância que se dá às lentes alheias. Nunca iremos conseguir enxergar o mundo exatamente como qualquer outro ser. Segundo, a nossa vontade ou capacidade de compreender o quanto cada uma das coisas que nos cercam são passageiras, embora, por vezes, pareça uma eternidade para que elas mudem. Aliás, mudança não quer dizer que seja necessariamente para o nosso gosto.

Tá vendo? Até para entender a realidade, tão subjetiva, você está fazendo errado!

Pietra

Comece de novo…

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Quantas coisas você gostaria de mudar? Agora? Já? Dá pra fazer listas imensas, né? Mas, não conseguimos resolver tudo ao mesmo tempo e aí, corremos um sério risco de ficamos confusas e não saber por onde começar. Por que acontece invariavelmente assim? Bem, porque geralmente tentamos carregar um sofá imenso, pela escada, todo de uma vez – pivot! #entendedoresentenderão

Assim, como escalar um plano de micro ações para, de fato, conquistar mudanças na vida?

Começando pequeno, claro.

Geralmente, as coisas são colocadas na nossa frente, nossos desafios e ficamos bastante perdidas em como lidar com eles. Então, por que não compreender mais profundamente o que precisa ser mudado e como destrinchar essas coisas todas.

Por exemplo… Digamos que queremos fazer uma mudança de saúde: comer melhor ou perder peso ou incorporar novos alimentos para uma alimentação mais verdadeira. Acredito que não adianta sair correndo de casa para o mercado com uma lista de coisas que mal e mal sabemos o que é ou para que servem: super alimento, vitaminas, farinha de côco e coisas assim. Os melhores passos são tomados aos poucos. Melhorar a saúde, além da alimentação, inclui mexer-se um pouco, manter a cabeça tranquila… na verdade, essas mudanças todas acabam vindo mesmo de um entendimento mais detalhado de si e da realidade que nos cerca.

O melhor que podemos fazer é, por meio de um diário – e aqui se introduz bullet journals, cadernos, diários virtuais, escolha do freguês – que nos ajuda a perceber as mudanças, os passos, o que precisa ser melhorado e, aos poucos, com passos firmes, conseguimos conquistar coisas maravilhosas.

Se os nossos planos podem falhar? Claro que podem… quantos não? No entanto, aqui vale a recomendação do professor de meditação Joseph Goldstein: comece de novo. Quando você perceber que saiu do seu foco, compreenda que saiu e comece de novo. 

Infelizmente, acabamos nos escorando em uma porção de hábitos que não permitem que determinadas mudanças aconteçam – são as famosas desculpas – porém, ao percebe-las e tomando consciência delas, podemos observa-las e, por cima delas, colocar atitudes que realmente possam nos ajudar. 

Desta forma, com pequenas ações, começamos a formar novos hábitos e, por meio deles, grandes mudanças em nossas vidas.

Bora começar?

Pietra

 

 

Depende…

Uma frase que vem me ajudado todos os dias a lidar com os venenos do mundo…

O que depende de você?
Bem… Muitas coisas, na verdade, mas que dizem respeito ao seu indivíduo, muitas vezes junto a outras pessoas. 

Assim, quando uma situação, pensamento, conversa ou ação me aflige, eu refleti: o que, neste contexto, depende de mim? 

Venho descobrindo que…

  • O bem-estar dos meus bichos, dos meus alunos, enquanto na escola, o meu próprio, o do meu marido em ações conjuntas e harmônicas. 
  • Minha alimentação. 
  • Meus exercícios. 
  • Minhas ações ou não ações mediante às ações alheias. 
  • Meu papel no meu trabalho. 
  • Minha rotina. 
  • Colocar-me antes de qualquer mazela cotidiana. 
  • Aquilo que eu me comprometi a fazer, frente aos sins e nãos. 

Guardar essa ideia na cabeça e voltar a ela mediante a um respirar fundo pode mudar suas escolhas. 

Pietra

Inteira

Já comentei que a ideia de simplicidade e intenção na vida não são fáceis? Acho que nas últimas postagens isso tudo tem ficado claro. Como tem ficado para mim no dia a dia. Quero dizer, sempre meio que foi, mas era uma coisa apenas do meu trabalho: eu sempre dizia a outras professoras que se sabemos o que estamos fazendo, não tem historieta alheia que interfira. 

Oras bolas, se é tão certo assim, por que não para toda a vida – afinal de contas, ela não é só trabalho… Aliás, isso deveria ser apenas uma pequena parte dela. 

Muito bem. Ser intencional e ter intencionalidade com as coisas, com a vida é um trabalho brutal. Facilita. Simplifica. No entanto, exige uma clareza mental imensa. 

Isso tudo quer dizer que precisamos saber o que estamos fazendo e, principalmente, o por quê. 

Começar não é difícil, mas pede uma auto-análise. Quem você é? Quais são seus princípios, ou seja, onde quer chegar? Quais são suas crenças, ou seja, quais são os caminhos para chegar? Em cima de tudo isso, coisas começam e param de fazer sentido. 

Assim, nunca deixe de se perguntar: por que estou fazendo isto? Vai de encontro com meus valores, meus princípios? 

E vale para tudo: da comida que se come, aos livros que se lê… Ressona em personagens que encontramos em histórias. Já me encontrei nos livros de José Saramago tantas vezes… A mulher do médico, Blimunda, Maria Madalena. Percebi o sentido de futuro de Willian Stoner. Vivo com meus ideias espirituais como Shadow, em Deuses Americanos. 

Hoje, encontrei Ricardo Reis nometrô. Mexeu comigo. Ser inteira é compreender o sentido do que está fazendo ou pensando. Todos os passos ganham, de fato, a sua pegada. Pode ser que isso não mude em nada o mundo à nossa volta. Mas, muda o mundo à nossa volta. 


Ser inteira e intencional é encontrar a sua medida no mundo. Isso, claro, passa por testes e ajustes… Afinal é uma construção para sermos o nosso melhor. Todos os dias. Não ser perfeita. Mas, a melhor possível. 

Nada na vida é perene. Nós não somos. Mas, porque não perceber e atuar no nosso mundinho com as mãos mais significativas? Dar valor ao que realmente é importante? 

Tem tanta gente no mundo. Atuar entre tantas outras pessoas não nos faz especiais. Mas e daí? Eu quero ser autêntica. O resto, vem por consequência. 

Pietra 

Seu dia precisa de mais de 24 horas?

Quem me conhece um pouco, sabe que: 

  • Eu gosto das manhãs. 
  • Eu gosto de fazer as coisas logo, como eu costumo chamar, tirar do caminho. 

Com essas duas coisas em mente, sou daquelas que quer fazer logo o que precisa ser feito, para ter tempo de aproveitar o que eu acredito ser mais importante. Aliás, imagino que, no geral, as pessoas devem agir dessa forma. 

No entanto, o quanto de “eu não tenho tempo” ou “quem me dera poder (insira aqui atividade significativa)” não vemos ou fazemos por aí?


Ultimamente tenho pensado muito sobre o tempo. O dito cujo que pode encher as pessoas de ansiedade porque não passa. E ainda, o santo bálsamo da maioria dos nossos problemas. 

Tempo é o nosso bem mais precioso. Imaterial e intransferível, ao mesmo tempo, equânime, afinal todos têm um dia de 24 horas. E será que precisamos de mais? Tempo é efêmero e faz rodar as engrenagens da vida e todas as suas fases e mudanças. O tempo que enxerga de forma curva, muitas vezes, além da nossa compreensão. 

O tempo que nos cabe precisa ser cuidado. Melhor que nosso dinheiro, melhor que nossos outros bens. Por ele, tudo mais flui. 

Cuidar do tempo com atenção nos ajuda a estar mais presentes. Sem dúvida, existem coisas que temos de fazer e que podem roubar um tempo tremendo. No entanto, temos a possibilidade de tirar isso do caminho rapidamente, matando a procrastinação e deixando um alívio tremendo. 

Ainda, talvez uma das coisas mais importantes que tenho revisto e firmado a respeito do tempo, é que estar presente nas atividades que realmente nos são importantes fazem com que as menos ou as chatas tornem-se toleráveis. Afinal de contas, sabemos que quando as bacanas vierem, entregaremos a elas nossa total atenção. 

O futuro é o tempo que ainda não se desenrolou. Não podemos nos afundar nele. Mas, se nos afundarmos no presente, é a sua corrente que nos levará ao futuro. Um que tenha significado e relevância. 


Pietra 

Movimentos novos e velhos e entre si…

Não tem jeito. Cada dia que vivemos, ganhamos uma experiência. Boa, ruim… Enfim, alguma coisa para juntar ali na bagagem e ter nossas listas internas de SIM e NÃO. O que eu aceito, o que não. O que realmente importa e o que não faz sentido. E esses “viveres” são o tempo, dobrando nosso pensamento e entendimento do mundo. 

  
Até bem pouco tempo atrás, eu realmente acreditava que a vida era mais complicada para quem tem um entendimento mais amplo dela. Hoje eu já não tenho certeza se as coisas são assim. Obviamente não estou advogando por uma alienação da realidade. Mas, será que damos conta de toda ela? 

Assim, eu venho me encontrando, de novo. Imagino que as pessoas podem ser assim. Construindo-se e desconstruindo-se. Principalmente quando percebem o valor que algumas coisas têm em sua vida. E se o merecem ou não. 

O fato é que estamos constantemente nos cobrando por aquilo que começamos e não terminamos. A pergunta é: vale a pena terminar? Aquilo vai te fazer feliz?

Eu tenho me deparado com uma porção de coisas que estou terminando. Com um micro começo. Mas, o movimento maior ainda é o do terminar. Dando um fim no que não faz mais sentido. No entanto, por isso, tenho me sentido um pouco no meio entre o novo e o velho. Talvez para avaliar os dois movimentos. 

Talvez entre a morte e a vida haja um pequeno espaço. A adaptação. O planejamento da rota. 

Quando uma borboleta sai do casulo para viver sua nova vida, sua nova etapa, ela precisa de algumas horas para secar as asas. É extamente onde eu me sinto. Entre a nova borboleta e a velha lagarta. 

Mudar de uma série de movimentos que claramente levaram a uma crise e simplificar a vida, requer educação, reflexão e muitas, muitas perguntas.

Pietra