Esmaltes, mais… do mesmo

Imagem do blog: Vitrine de Esmaltes http://www.vitrinedeesmaltes.com/2010/10/esmaltes-antigos-recordar-e-viver-viver.html

Sábado passado fui linda (?) e lampeira para uma perfumaria grande aqui no bairro. Precisava de coisas básicas para a vida, como tinta pro cabelo (a raiz já estava marrom e branca, e ela bem poderia se decidir… ia ser um platinado natural, chique), desodorante (pq ninguém merece) e um sabonete anti-reboque, quer dizer, que tirasse a maquiagem. Obviamente, passei pela(s) banca(s) de esmalte. E deu aquele estalinho básico. Por que não? Afinal, ninguém tem esmalte o suficiente…

Ou será que não?

Fui andando pacientemente entre as diversas marcas disponíveis, todas nacionais (e não desmerecendo nenhuma), mas ficou muito claro para mim: gente, tudo mais do mesmo…

Eu li isso num blog de esmaltes, o qual eu queria me lembrar muito qual foi, mas não consigo, e trata-se da mais pura verdade: as marcas têm feito e relançado os mesmos esmaltes mais ou menos com a mesma fórmula, nomes estrambólicos diferentes, porém as cores e as ideias são sempre as mesmas.

Eu me lembro que há uns 10 anos atrás, quando eu tinha a unha feita pra mim, basicamente o que encontrávamos eram os brancos, nudes, vermelhos em profusão. Alguns rosa, alguns marrons, pretos… meia dúzia de azuis, roxos e verdes. De repente, BOOOM! Uma larga escala de cores, depois efeitos, depois glitters, depois 3D, depois holográficos… e hoje, bem aqui estamos, com tudo igual. Até entre as marcas. Claro que existem as tentativas de fazer os “dupes” ou seja, cópias de marcas mais caras – Deborah Lippmann, OPI, Dior, etc… – mas sinceramente, não acho que isso justifica a falta de criatividade. Eu não imagino que a indústria ou qualquer gênio vai sair criando mega novidades a cada estação ou a cada ano… tanto que hoje já temos “a cor do ano”, que 2015 é Marsala, by the way. No entanto, parece que tentam nos engrupir a cada 3 meses com lançamentos requentados.

Saí da perfumaria com o que eu fui comprar mesmo. E, mea culpa, tinha esmalte na sacola… um nude que eu sempre achei super chato, mas até que durou na unha… um glitter fininho e antiguinho da Risqué, um Passe Nati de uma coleção que estava no balaio de R$2 e um amarelo que eu também queria experimentar.

O fato é que, por mais que vejamos coisas mirabolantes ou mais do mesmo, sou eu ou acabamos indo para aqueles esmaltes mais antigos que sabemos serem certos?

Eu não sei, mas não sinto mais aquela VONTADE de comprar uma coleção A, B ou C, porque eu não percebo uma novidade estrondosa.

E vocês, amigas do esmalte, percebem o mesmo? Ou eu estou ficando velha e mal humorada (não respondam à segunda, please!)?

Pietra, que depois do post foi fazer a unha

Do que não vemos – aqui, agora

Você não tem uma alma. Você é uma alma. Você tem um corpo.

Hoje tive uma conversa rápida e muito interessante, entre mulheres, na hora do almoço. Sem querer, ficamos pensando em quais aspectos da vida queríamos mais leveza… e de brincadeira, acabou saindo aquela bobagem: queria ser mais magra e a vida seria mais leve hahahahahah. E faz uns dias que eu tenho pensado sobre isso. O quanto da gente nós achamos que é um completo absurdo e como disse N., ninguém nem vê.

É verdade. O quanto da gente não gostaríamos de mudar aqui ou ali e que não faz a MENOR diferença por tudo aquilo que efetivamente somos?

Quilos a menos? Jura? A não ser que seja uma questão de saúde… Será que aquilo que o espelho mostra todos os dias é realmente o que tem para ser visto? Claro que gostamos de nos sentir bem, bonitas etc e tal. Porém, será que determinados sacrifícios fazem a coisa realmente ganhar um destaque?

Longe de mim fazer as pessoas desistirem de um ou outro objetivo, como um corpo mais leve, por exemplo, mas… quantas mais coisas não podemos desejar para nós mesmas?

Houve um tempo que eu sentia muita saudade de quem eu fui um dia. Depois de uma carga muito pesada acabar se dissolvendo em mim, acabei reencontrando essa pessoa. Mas, o mais louco disso é que aquela pessoa que eu era, havia amadurecido.

Eu acabei me me reencontrando exatamente agora. Capaz de reconhecer tantas coisas boas e interessantes e que, quiçá, ajudem outras. Em muitos aspectos… profissional, pessoal, em termos de hobbies e interesses.

Eu fico pensando na coisa das primeiras impressões e que sim, geralmente elas perduram por um tanto de tempo. Também fico refletindo sobre o nosso amadurecimento em uma porção de coisas. Ainda, lembro de uma conversa com a C., na qual falávamos de mudanças de lugares na vida. O tempo passa e mais vezes que não, nos indica o lugar certo para estarmos.

É um exercício de se olhar pelos próprios olhos. Sem um espelho físico que mostre quilos a mais ou a menos, cabelos assim ou assados. Mas: O que eu posso enxergar pelos meus próprios olhos naquilo que eu efetivamente sou? E no que eu posso contribuir para o coletivo?

Uma daquelas postagens de Facebook me pegou outro dia… “Vc não é um corpo que tem uma alma. Vc é uma alma, que tem um corpo.” E quando eu olhei o autor, me surpreendi: C. S. Lewis. Um cristão muito conhecedor de sua doutrina, que aliás é bem clara em suas metáforas, mas que mostra uma verdade imensa: o que importa é o legado… é a importância que temos, e não o corpo que carregamos… Disso talvez possa falar muito o Stephen Hawking.

Por fim, uma última conversa que me inspirou a este post no blog foi com o B. Ele comentou quando falávamos sobre Truman Capote. Sua vida, seus livros e a coisa toda.

“Pensa que essa pessoa foi tão importante que, mesmo depois da morte dele, na década de 80, ainda falamos dele. E esquecemos que ele terminou a vida bebendo e ‘making a fool of himself’. Ele ainda é Truman Capote.”

Uau… imagina isso =)

Pietra

Deuses e homens

A religiosidade tornou-se uma coisa curiosa hoje em dia. Ela faz parte da vida da maioria das pessoas, chegando a alguns extremos nos quais não são exatamente aceitas as pessoas que não têm isso em si. “Não tem Deus no coração”, é o que muitos poderiam dizer. Não aceitou isso, não aceitou aquilo…

Por mais plugado, conectado e etc e tal que o nosso tempo seja,  pelo menos aqui no Brasil, muito se vê do quanto as pessoas são ligadas a religião, um tanto a espiritualidade e o quanto esse tipo de busca pode sanar algumas angustias, algumas questões existenciais que estão com as pessoas desde que o mundo é mundo. As pessoas ainda vão à missa, vão ao culto, à gira, ao ritual ou quaisquer outros nomes que os encontros com o divino possam ter.

O que eu me pego pensando é o quando do espiritual não tomou contornos carnais nesse tempo. “Se vc largar (insira aqui o nome de uma religião), sua vida vai pra trás”. Ou “Deus castiga” ou “(insira o nome de uma divindade) vai ficar irado, triste, chateado”. Pois então…

Eu me considero uma pessoa espiritual. Do meu jeito, com práticas que não chegam a todos, como uma escolha minha com Eles – com os Deuses – e tendo a achar que isso é uma coisa tudo bem. O que eu não consigo achar tudo bem é a forma com que tende-se, seja em qual segmento seja, como pode-se pensar que o divino poderia tomar caminhos que são exclusivos dos homens. Deus não dá o frio conforme o cobertor. Talvez nós façamos o frio, talvez o cobertor seja o mesmo de sempre. O fato é que sim, passamos por experiências que podem testar tudo em nós: força, moral, intelectual, física; caráter; entendimento e quaisquer outros princípios pelos quais vivamos e que isso tudo acaba nos construindo como pessoas, mas não acho que isso tenha por si, um caráter divino; mas sim, de crescimento e de uma forma que aprendamos aquilo que nem sempre está conosco. Talvez essas pequenas provas, as quais relegamos às divindades, sejam como aprender a ler e a escrever: formas de ganhar instrumentos. E que não são fáceis.

Deus (ou os Deuses) podem ter-nos feito à sua imagem e semelhança. E a semelhança não significa igualdade. Somos seres humanos, físicos. Com tantas limitações e angústias, conquistas e regozijos. Eu quero crer que Platão tenha chegado mais perto de tudo isso, em entender que o divino é uma forma tão imensa e tão plena de si mesmo que os nossos olhos ou o nosso pensar apenas arranharão suas possibilidades e sua verdadeira Natureza. De forma que achar que Deus(es) toma-se de ira ou de vingança, que determinada deidade expõe-se contra outra seria uma grande ingenuidade. Isso é o que as pessoas fazem. Dentro de suas inúmeras razões. Será que nossa importância individual é tão grande para manifestar a ira de Deus? E mesmo que isso tudo seja uma invenção humana… Bem, se esse for o caso, mais claramente entende-se a necessidade de arrastar um ou outro para dentro de uma crença particular.

Pode ser também que isso tudo seja uma bobagem e que não tenhamos entendido nada. Somos pessoas. E vivemos como tal. Mas quem sabe a nossa grande busca, além de nos entender, o que vem sido explorado há milênios, não seja simplesmente, a necessidade (?) e a vontade de conviver com os outros da nosso tipo? Entre todos os seres vivos existem suas rixas, seus senões, suas facções. Aparentemente, tudo uma questão de território ou de entendimento. O que de fato acontece é só uma coisa: crescei e multiplicai. O mesmo que fazem os animais em suas trajetórias por este mesmo planeta. Esse errante do espaço.

Então, por que achamos, individualmente, que temos um atalho para uma chegada tão coletiva?

Pietra

Esmaltes, uma pequena história

Unir esmaltes com livros é uma coisa que eu gosto. E quando achei o livro “Nails: the story of modern manicure” – leia sobre o livro aqui – achei muito curioso a relação que a autora faz com a história das mulheres. Maquiagem é algo que sempre consumimos. Parece parte da natureza feminina buscar a beleza. E, por um lado, carregá-la. Talvez seja uma parte intrínseca nossa, afinal quantas coisas não carregamos? A reprodução da humanidade, só para começar… Enfim, sempre houve uma demanda das mulheres pela beleza, dentro e fora de si. Infelizmente, hoje em dia, parece que as coisas foram levadas para fora de proporção. E sinceramente, tem horas que me cansa um pouco o quanto nos dizem o que é bonito ou não, o quanto somos bonitas ou adequadas ao que dizem que é bonito. De uma forma, algumas coisas acabaram ficando tão incutidas dentro de nós que acabamos sempre querendo emagrecer ou sempre querendo uma coisa nova para “embelezar”.

O fato é que a beleza está solta no mundo – tal qual a feiura – e penso que seja uma busca bem pessoa entender o que é bonito aos nossos olhos. Assim posto, uma forma de elevar a beleza pessoal seja pelas nossas pequenas unhas… pelas cores nas pontas de nossos dedos. E as formas de fazer com que estejam lá caminharam com a vida das mulheres, o que estava disponível a elas. Como tudo no mundo, a maquiagem tomou as mesmas formas da sociedade e entendendo um pouco disso, podemos ver como os papeis femininos se modificaram com o tempo.

O esmalte ainda é tão popular porque ele atribui aos dedos um destaque, dá as unhas cores e brilho, como pequenas joias e é uma indulgência relativamente barata de se fazer.

De acordo com a Suzzane Shapiro, a coisa de pintar as unhas, no ocidente, pelo menos, é uma coisa relativamente recente. Houve um tempo, que pintar as unhas ou usar maquiagem, na verdade, era uma coisa indecorosa. Na França, a maquiagem ficou até guardada para OS nobres, deixando para as mulheres apenas um pó branco intenso para o rosto. Sobrou para os cabelos e para as roupas. Mas, o tempo fez sua mágica e, nos anos 20 do século passado, a maquiagem voltou com força e a expressão das mulheres ganhou destaque. Era uma liberdade que se ansiava a muito, desde a época vitoriana, quando tudo era muito penoso, difícil e pecaminoso.

Logo, o esmalte tomou o gosto e foi, até a Segunda Guerra Mundial, um artigo bem importante de beleza feminina. As primeiras cores eram mais claras, mas com a possibilidade de muitas camadas e logo, da cor vermelha, as empresas como a Cutex, venderam muitos e muitos vidrinhos entre as décadas de 20 e 30. Mesmo com a crise dos anos 30, o esmalte continuou a ser buscado e muitas marcas se desenvolveram. Novas cores também. Embora o vermelho fosse o mais querido, afinal voltava para as tendências europeias da época, o branco ganhou espaço. A Guerra acabou mexendo um pouco com essa dinâmica, pois tanto a falta de matéria-prima para fazer a maquiagem quanto a entrada das mulheres num mercado de trabalho sem homens, fez com que os esmaltes sofressem um pouco em qualidade e consumo. No entanto, a moda já tinha pegado e era possível comprar um pouco de maquiagem para um “ar mais refrescado” no trabalho pesado das fábricas e das casas.

Já nos anos 50, com o fim da Guerra uma certa abundância de materiais para serem explorados, uma nova era de glamour se instaurou. Muitas novas marcas de esmaltes despontaram, mas curiosamente, os vermelhos continuavam muito populares e símbolos de um status que se queria perseguir.

Isso acabou mudando nos anos 60, quando as mulheres começam a rever seus papeis. Elas não queriam o glamour e a “vida doméstica” que suas mães tinham. Isso se refletiu na moda e no que era visto como bonito. Desde roupas mais enxutas e um olhar para um futuro mais arrojado, fez com que novas cores ganhassem as pontas dos dedos das mulheres “modernas”, como o rosa, o nude, e o comprimento das unhas caiu sensivelmente. A mulher dos anos 60 queria movimento. Unhas imensas e vermelhas eram um símbolo de uma era passada e “aprisionava” as mulheres ao seu papel de mãe e dona de casa.

As décadas seguintes foram ainda mais intensas, porque os anos 70 e 80 consolidaram a independência e autonomia feminina. Nascem aí os primeiros sinais da nail art, como conhecemos hoje, a ênfase nas mulheres negras e com elas, a inúmeras possibilidades étnicas que poderiam ser perseguidas em termos de maquiagem e esmaltes.

“The rest, as they say, is history”. Mesmo quem não acompanha as últimas modas, acabamentos, coleções ou cores pode encontrá-las entre as amigas, familiares, ou entrando em uma perfumaria. Hoje, temos um movimento muito livre, embora haja bastante ênfase na nail art e nas unhas “impecáveis” que o gel ou o acrílico podem proporcionar. A internet também ajudou muito, pois as empresas se promovem dessa forma e quantas pessoas que conhecemos não postam fotos de suas unhas da semana?

É isso… a vontade de estar bonita nos move. Claro que não é a mão feita ou não que determina o quão belo alguém é, mesmo porque sabemos que isso é, como tantas coisas, uma forma artificial de fazer algo do corpo destacar-se. No entanto, uma nova manicure é quase como história nova a se contar, uma forma de colocar um pouco do que pensamos e de como agimos no mundo. Uma pequena colocação de nossas posturas na vida.

Estão vendo? Esmalte também é cultura… do nosso mundinho moderno.

Pietra

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Lido há pouco tempo, é mais um daqueles que está na lista dos banidos que é preciso ler.

A história acontece num futuro, que para nós é bem agora – pensando que o livro foi publicado em 1953 – e trata-se de mais uma distopia que encaixa com a nossa vida atual. Sempre que eu leio um livro de cenário distópico eu penso mais e mais como as pessoas ou tinham uma visão tremenda de futuro, ou que somos um grupo de pessoas completamente previsíveis.

No “futuro” de Bradburry as pessoas simplesmente deixaram os livros de lado. Agarram-se às televisões, de forma que puderam passar a interagir com elas, ter suas “famílias” ali e na sua sala de tv, as paredes tomadas por telas. Essas mesmas pessoas pouco pensavam, queriam – e estavam – sempre felizes e contavam, como em “Brave New World”, com uma droga para desligarem-se de eventos desagradáveis. Os livros, assim, foram considerados perigosos, pois era dito que os que apresentavam não era real, que poderia ser desagradável, e que a exposição a eles poderia levar a pensamentos e sentimentos muito conflitantes com o que as pessoas realmente precisavam. Assim, os bombeiros tornaram-se pessoas destinadas a queimarem os livros. Quem os tinha em casa, acabava caindo na ilegalidade, numa subversão perigosa que precisava ser eliminada. Tudo isso se deu, basicamente, pelos desgostos. Não gosta de “50 tons” porque acha pornográfico? Queima. Não gosta das obras de Monteiro Lobato porque são racistas? Queima! Não gosta de filosofia porque confunde mais que elucida? Queima… E assim seguimos nas listas dos livros banidos por bruxaria, pornografia etc.

Sem dúvidas que existem livros que não gostamos. Daqueles que demos um gostinho e decidimos que não era para nós; daqueles que “não li e não lerei”, que acredito ser um direito incondicional do leitor. Porém, a queimar obras clássicas ou mesmo as bobagens comerciais que estão nas grandes livrarias pop resolveria os problemas da geral?

Se tudo, por aí, que se desgosta fosse posto ao fim, o que nos sobraria?

O lixo de um pode bem ser o tesouro de outro…

Pietra

Mente em branco

Faz uns dias que uma dita dor no ciático vem me tirando a tranquilidade. Porém, há pouco passei por uma experiência muito curiosa – se bem que foi desagradável – mas digna de nota. Eu tive tanta dor por um tempo que eu não conseguia pensar. Foi incrível.

Primeiro de tudo, porque eu tenho a impressão que minha cabeça está sempre cheia de pensamentos, de buscas e entendimentos do que me cerca, de meia dúzia de reclamações e de preocupações que não cabem aqui, mas que, provavelmente, são muito parecidas com as que as pessoas têm todos os dias. Além de pensamentos sobre o que escrever aqui, como lidar com as crianças, mini-inspirações sobre o que eu leio e coisas assim. No entanto, por um dia, havia nada. Foi como estar com o mal branco descrito por José Saramago no “Ensaio sobre a cegueira”. Nada…

E por um lado, foi uma experiência incrível, porque eu realmente não acreditava que a nossa cabeça poderia ficar vazia. E nem na dor eu pensava mais, pra falar a verdade. Era uma véu branco, como estar com uma página do word na sua frente contendo 0 palavras. Nem título.

Por outro, depois, claro, fiquei pensando sobre isso… Afinal, tudo volta. E parecia que eu mesma não estava contida ali. Em mim.

Talvez seja parte intrínseca do ser humano, pelo menos como eu entendo, ter a cabeça funcionando. Nem que seja para admirar algo que está-se vendo, ou para analisar algo que acontece, para fazer um pequeno plano de daqui dois minutos. Estamos com a cabeça desfilando figuras e alguns diálogos próprios que podem parecer boas ideias, que nos fazem rir, que levam lágrimas aos olhos…

O mal branco levou as pessoas a ficarem um pouco zumbis. Se virarem num mundo novo no qual o estímulo visual não existia mais. E quanto estamos acostumados com isso? A leitura é parte disso. Tudo, ou muito do que fazemos tem os nossos olhos como pares para entender, perceber, analisar. Quando uma coisa assim falta, podemos até perder o controle. Podemos nos levar a alguns extremos. Não vou dizer que isso não aconteceu. Dei uma perdida no meu “eu”. Era como se, da minha própria cabeça, eu tivesse sido apagada. E ainda, quando voltei, fiquei pensando em tudo que precisava ser posto em ordem, me ter ali de volta.

Isso faz refletir um pouco sobre como nos atolamos em nós mesmos. E por outro lado, quando de tudo que nos envolvemos pode existir e acontecer sem a gente. O mundo não parou porque eu parei de pensar. Porque eu estava envolvida em uma outra coisa…

De novo, por conta da dor, não foi algo que eu quero passar novamente. Porém, pela experiência, valeu para poder perceber e percorrer um tico do caminho sem que eu mesma estivesse ali.

Pietra