Princesas… ou será?

Esta semana fui convidada a participar de um podcast – quando sair, posto por aqui! – falando sobre a Escola de Princesas que começou em Minas Gerais e agora vem chegando a São Paulo. 

A proposta é de um curso livre para meninas, de 4 a 15 anos, ensinando coisas com etiqueta, bons modos, economia doméstica, algumas artes manuais e, na adolescência, relacionamentos e sexualidade. 

Honestamente, parece uma prep-school dos anos 50. Mas enfim… Descobri que muitas pessoas estão adorando a ideia e colocando seu dinheiro nisso. E o tempo de suas filhas, claro. Claramente, estamos falando de uma atividade extra-curricular, como inglês, natação etc. o ponto é que, as pessoas engajadas nisso colocam que trata-se de uma proposta interessante porque nossas meninas estão expostas a muita baixaria e devem mesmo aprender a se preservarem e relacionarem-se melhor. Ainda, houve quem apontasse que seria um movimento ideal para que suas filhas casassem bem e tivessem a admiração de outras pessoas pelas suas atitudes e prendas. 

Muito bem. Eu não vou dizer que isso tudo não é legítimo, porque acredito que pessoas preocupam-se com a criação de seus filhos – suas filhas, no caso. M A S, será que esta nao é mais uma forma de terceirizar a educação de nossas crianças? 

Por que não tem escola de príncipes para ensinar coisas parecidas aos meninos? 

Por que não temos um espaço para mostrar que esse papo de princesa pode ser ótimo no lúdico ou literário mas que raramente funciona na vida real?

Evidentemente que na vida real tem economia doméstica, cozinhar, lavar, passar, arrumar a geladeira. Porém esse é um papel de ser humano na sociedade – urbana – que não se relega a gênero. 

Tenho preocupações sinceras com esse tipo de iniciativa, porque é claro que sabemos que isso vende e tem apelo. Ainda mais sabendo quem foi a idealizadora da coisa toda – a filha do baú – e ainda, sabendo qual orientação religiosa está por trás disso. 

Eu não acho que nossas crianças precisam de um rótulo de princesas ou de heróis, porque eles vivem isso diariamente em suas brincadeiras e fantasias. Eu acho que as pessoas que estão investindo grana nisso poderiam pensar como poderiam investir tempo em, de fato, estar com seus filhos e ensinar-lhes todas essas coisas que julgam importantes ao invés de largar na mão de pessoas outras. Esta é a tal Educação que vem de casa. E que se aplica em qualquer lugar. Inclusive na escola. 

Por fim, não se pode esquecer que, na vida, encontramos com todo tipo de coisa e que é o caráter que temos e as virtudes que construímos que nos ajudam a lidar com isso. Não a aulinha de etiqueta da filha do dono do baú. 

Mulheres podem ser princesas, guerreiras, heroínas. Tudo junto misturado, porque ninguém é uma coisa só. 

Pietra

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