Seu dia precisa de mais de 24 horas?

Quem me conhece um pouco, sabe que: 

  • Eu gosto das manhãs. 
  • Eu gosto de fazer as coisas logo, como eu costumo chamar, tirar do caminho. 

Com essas duas coisas em mente, sou daquelas que quer fazer logo o que precisa ser feito, para ter tempo de aproveitar o que eu acredito ser mais importante. Aliás, imagino que, no geral, as pessoas devem agir dessa forma. 

No entanto, o quanto de “eu não tenho tempo” ou “quem me dera poder (insira aqui atividade significativa)” não vemos ou fazemos por aí?


Ultimamente tenho pensado muito sobre o tempo. O dito cujo que pode encher as pessoas de ansiedade porque não passa. E ainda, o santo bálsamo da maioria dos nossos problemas. 

Tempo é o nosso bem mais precioso. Imaterial e intransferível, ao mesmo tempo, equânime, afinal todos têm um dia de 24 horas. E será que precisamos de mais? Tempo é efêmero e faz rodar as engrenagens da vida e todas as suas fases e mudanças. O tempo que enxerga de forma curva, muitas vezes, além da nossa compreensão. 

O tempo que nos cabe precisa ser cuidado. Melhor que nosso dinheiro, melhor que nossos outros bens. Por ele, tudo mais flui. 

Cuidar do tempo com atenção nos ajuda a estar mais presentes. Sem dúvida, existem coisas que temos de fazer e que podem roubar um tempo tremendo. No entanto, temos a possibilidade de tirar isso do caminho rapidamente, matando a procrastinação e deixando um alívio tremendo. 

Ainda, talvez uma das coisas mais importantes que tenho revisto e firmado a respeito do tempo, é que estar presente nas atividades que realmente nos são importantes fazem com que as menos ou as chatas tornem-se toleráveis. Afinal de contas, sabemos que quando as bacanas vierem, entregaremos a elas nossa total atenção. 

O futuro é o tempo que ainda não se desenrolou. Não podemos nos afundar nele. Mas, se nos afundarmos no presente, é a sua corrente que nos levará ao futuro. Um que tenha significado e relevância. 


Pietra 

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Confluência literária

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Uma das coisas mais significativas no meu mundo são as confluências ou as sincronicidades entre a vida e a arte. Não a minha… mas, as que eu encontro por aí. Graças ao clube de assinaturas de livros que eu fiz em janeiro deste ano, tenho recebido livros bastante interessantes. Mas, um deles deu um “ping” aqui dentro e a resposta foi imediata.

Estou lendo o livro Stoner, de John Williams. E a grata surpresa é o tanto que ele vem reverberando dentro de mim. Tanto, que me colocou para escrever às 8 da manhã. Não cheguei no meio do livro ainda, mas ele me deixou acordada até às 2 da manhã deste mesmo hoje.

Stoner é uma obra de 1965 que só nesta década ganhou reconhecimento. Conta a vida de um filho de agricultores que tornou-se professor de inglês numa universidade. A prosa é limpa e direta, contando a vida de um cara simples que passa pelos problemas da vida – como todos nós – e ganha seus momentos de inspiração e frustração, como todos nós.

Muito bem. O que foi que me pegou? Além da simplicidade da narração – e simplicidade tornou-se algo que estou valorizando imensamente – é notar como a vida comum, como a minha ou a sua, é cheia de momentos de crescimento e valores.

Quando William Stoner, o protagonista, é chamado pelos colegas – e pelos acontecimentos mundiais – a alistar-se no exercito norte-americano para ir à Primeira Guerra, ele decide, contra todas as pressões externas que não o faria. Não sentiu culpa ou remorso. No entanto, para fechar a sua decisão, foi buscar conselho de seu “mestre”, o professor que, com suas aulas de Literatura, o fez sair da faculdade de Ciências Agrárias e ingressar na de Inglês, onde conquistou seu doutorado.

Ando pensando seriamente sobre as pressões externas que sofremos diariamente e nas decisões que tomamos contrárias a elas. Não simplesmente para ser do contra, mas para fazer valer o que tem significado para nós. O entendimento da realidade é tão pessoal e intransferível que, podemos encontrar ótimos argumentos de muitos lados para seguirmos tal ou qual caminho, mas são as nossas vivências que fazem o resultado final acontecerem.

Stoner é um professor. Eu sou professora. Encontramos em nossos caminhos adversidades imensas no trabalho. Naquilo que acreditamos estar fazendo da melhor forma e que pode ser visto como uma frivolidade ou qualquer outro entendimento menos virtuoso. É importante manter um ambiente amigável e produtivo no trabalho? Sim, é. É mais importante viver sua verdade? Sim, é.

Assim, recomendo a leitura de Stoner. E peço a troca de experiências entre leitores sobre os livros, a Arte, que imita a nossa vida.

Pietra

Movimentos novos e velhos e entre si…

Não tem jeito. Cada dia que vivemos, ganhamos uma experiência. Boa, ruim… Enfim, alguma coisa para juntar ali na bagagem e ter nossas listas internas de SIM e NÃO. O que eu aceito, o que não. O que realmente importa e o que não faz sentido. E esses “viveres” são o tempo, dobrando nosso pensamento e entendimento do mundo. 

  
Até bem pouco tempo atrás, eu realmente acreditava que a vida era mais complicada para quem tem um entendimento mais amplo dela. Hoje eu já não tenho certeza se as coisas são assim. Obviamente não estou advogando por uma alienação da realidade. Mas, será que damos conta de toda ela? 

Assim, eu venho me encontrando, de novo. Imagino que as pessoas podem ser assim. Construindo-se e desconstruindo-se. Principalmente quando percebem o valor que algumas coisas têm em sua vida. E se o merecem ou não. 

O fato é que estamos constantemente nos cobrando por aquilo que começamos e não terminamos. A pergunta é: vale a pena terminar? Aquilo vai te fazer feliz?

Eu tenho me deparado com uma porção de coisas que estou terminando. Com um micro começo. Mas, o movimento maior ainda é o do terminar. Dando um fim no que não faz mais sentido. No entanto, por isso, tenho me sentido um pouco no meio entre o novo e o velho. Talvez para avaliar os dois movimentos. 

Talvez entre a morte e a vida haja um pequeno espaço. A adaptação. O planejamento da rota. 

Quando uma borboleta sai do casulo para viver sua nova vida, sua nova etapa, ela precisa de algumas horas para secar as asas. É extamente onde eu me sinto. Entre a nova borboleta e a velha lagarta. 

Mudar de uma série de movimentos que claramente levaram a uma crise e simplificar a vida, requer educação, reflexão e muitas, muitas perguntas.

Pietra