A tal moda plus size

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Esta semana estava eu, passeando pelo Facebook, quando me deparei com um artigo falando da propaganda de roupa plus size da C&A – uma loja bem popular por aqui. Fast-fashion, aliás… com lançamentos a cada semana ou duas… enfim… A conversa rolou mais ou menos assim: Propaganda da C&A levanta questão:  que é plus size de verdade? 

E claro que o melhor (?) de tudo é ler os comentários. Seja no Facebook ou na página que saiu a matéria. Tem de tudo um pouco. Gente maior que a modelo da propaganda reclamando que não encontra roupa na loja; gente como a modelo que encontra; gente muito menor que a modelo reclamando que não encontra; gente muito menor que a modelo dizendo que encontra, mas na parte de roupa juvenil… e por aí vai. Foi um desfile de alturas, pesos e medidas, buscando talvez um senso comum para essa história toda. Inclusive, li um comentário de uma moça que trabalhou na C&A e esclareceu um pouco da política de compras das lojas para tamanhos muito grandes ou muito pequenos: eles encalham. Logo, a disposição de peças é muito menor. Achou, comprou porque senão, não acha mais.

Muito bem. Eu não vou mentir que não fiquei com essa coisa toda na minha cabeça. Primeiro porque, se as tais peças não existem na loja, será que estamos falando de propaganda enganosa, ou simplesmente, elas foram vendidas e azar de quem não vai toda semana à loja conferir o cardápio? Segundo, o que é plus size? Terceiro, temos mesmo de recorrer ao fast fashion para poder vestir nossos corpinhos – seja de que tamanho sejam? Quarto, meus deuses, que inferno essa coisa de numeração de roupa e que inferno que estamos fazendo dentro de nossas próprias cabeças cismando com 38, 40, 42, 50? E por fim, quem é qualquer cara-pálida no Facebook para dizer: você é gorda, pare de comer, malhe e emagreça senão nunca vai encontrar roupa?

Aliás, preciso dizer: que coisa inacreditável a falta de educação que corre entre os comentários. De qualquer matéria, eu acho. Eu duvido que as pessoas tenham coragem de ser assim na vida real. Que se aproveitam de uma tela de retina para postar grosserias aos outros que discordam de seus pontos. Além de falta de interpretação de texto, como falta ética entre as pessoas para estabelecerem qualquer comunicação. Talvez resultado do universo de Fla x Flu, esquerda x direita que vivemos hoje em dia… Que pena de quem gostaria de um caminho do meio.

Infelizmente, no nosso mundo, lucra-se muito com as inseguranças das pessoas. Assim, esse “acolhimento” do plus size talvez seja uma forma espertinha de dizer: cara cliente, nos importamos com você. Bull shit. Nos importamos com o lucro que vem da sua insegurança, então venha gastar seu tempo e seu dinheiro em nossa loja – a qual não temos certeza de como os produtos são feitos, em quais condições trabalhistas, por exemplo – para achar que você vai se sentir linda e acolhida. Pode ser que a intenção seja ótima, mas como dizem, de boas intenções, o inferno está cheio. Ou seja, não existe uma preocupação genuína com as pessoas que vistam mais que 46 (que também é um número extremamente arbitrário). A preocupação é levar as pessoas para dentro da loja. E se não encontram uma peça que lhes sirva, quem sabe levem um sapato ou uma bolsa para compensar a frustração de não ficarem bem em nada. O que ainda não significa que o corpo da pessoa seja inadequado. De forma nenhuma. O caimento das roupas e o material que são feitos são extremamente duvidosos… Aposto 20 reais que as fotos feitas com as tais roupas de coleção foram muito bem tratados, muito obrigada. Mais do que isso ainda, o afã de “inclusão”só ajuda a criar um ciclo imenso de expectativa e frustração que, infelizmente, as pessoas tentam encher com mais e mais coisas, roupas etc.

Numeração de roupa. Não existe na vida algo mais pernicioso que isso. Faz-se acreditar que um número X cabe em pessoas de determinadas medidas. Oras bolas, quem tem exatamente um corpo igual ao outro? Isso quer dizer que essas roupinhas fast fashion são feitas de uma forma genérica, de acordo com uma modelagem, que segundo dizem ainda, vem de modelos chinesas – o que a brasileira tem de corpo chinês se não é descendente???? – e são exportadas para o mundo todo. É barato fazer na China, na Índia, em Bangladesh. O que mata, literalmente, é o custo disso para as pessoas empregadas nesse setor… Alguém sabe o que aconteceu com o Rana Plaza em 2013? Não??? Dá um Google e veja o quanto custou uma blusinha mequetrefe da Forever 21 para muitas famílias.

Meninas… meninos… pessoas. É sabido que no mundo da moda tudo se faz para manter o condomínio na praia de alguém. Ou o carro caro e os 80 empregados domésticos de um empresário de marcas gigantes. Eles investem na sua inadequação. No seu senso de não ser própria, linda e perfeita. Tentamos lidar com essas aceitações sociais de várias formas: cosméticos, roupas e cirurgias. No entanto, as únicas que pessoas que não estão enchendo as burras de dinheiro, são as pessoas normais como eu e você que podemos vestir 38 em uma loja e 42 em outra. Logo, seguem algumas ideias para, além de aliviar o consumo, o uso insano de recursos humanos e materiais, dar uma paz para a cabeça:

  • Não coloque seu dinheiro em fast fashion. É muito provável que o que você comprar hoje por modinha, vai durar pouco; seja pela qualidade do material, seja pelas tais tendências que mudam. Invista em peças de boa qualidade e que sirvam a diversas ocasiões e combinações. Menos é mais em quantidade. Podemos até gastar mais em algumas peças, porém garantimos o seu bom estado por muito tempo.
  • Resista firmemente a “retail therapy”, ou a terapia das compras. Não compre quando estiver triste demais ou alegre demais. O seu cartão e seu armário agradecem.
  • Conheça seu corpo. Pesquise, entre no seu guarda-roupa e veja o que lhe cai bem. Nada mais, nada menos.
  • Quando numa loja, não peça um número específico. Nós não temos a menor ideia de como é a modelagem daquela empresa. Quando me perguntam números, eu sempre digo: não sei, me diz você, para a vendedora. Ela sabe o que tem lá e pode ajudar. E se a numeração não for do seu agrado, de duas, uma: ou saia sumariamente da loja OU corte a etiqueta quando chegar em casa. Um número não pode ditar seu estado de espírito.

Ganhar etiquetas como plus size, que eu mesma já ganhei, ou roupa juvenil é querer andar com uma etiqueta. Elas não fazem NADA por você. É você quem faz. As escolhas são suas. O dinheiro é seu. As mudanças de estilo de vida ou de roupas igualmente. Logo, não se deixe ditar o que fazer.

Beijos,

Pietra

Novidades no caminho


E por que não, não é verdade? Aliás, coisas aparecem e somem o tempo todo. Foi nesse alinhamento que eu tenho vivido as coisas por aqui. O que gerou uma porção de mudanças – e quando não? – e de novas perspectivas. Este post é para dar uma organizada na minha cabeça, ativar o blog – coitado, deixado de lado – e contar umas coisas que venho aprendendo e praticando. Ah! Textão alert!!!

Enfim… O que há de novo na terra Abrantes? 

1. Curar a vida. 

Não exatamente numa pegada de “sarar”, mas de fazer uma curadoria mesmo. Quantas tantas milhões de coisas a gente vai deixando acumular na pia da vida e quando vemos, temos uma zona mal-cheirosa para ajeitar? Pois bem. Ultimamente quero crer que a estada nessa terra de minha Gaia é como uma galeria e vale a pena estar ali o que realmente vale a pena. Assim, menos mimimi e mais visitas e passeios. Conversas que não precisam ficar registradas nos meios digitais, mas sim no coração de quem participou delas. Nessas, teve passeio em Santos, SP, e pés na água do mar. Uma investigação pelo centro de São Paulo e um almocinho caro, porém regado de boas conversas com amigos. Estar com nossos pais e se alimentar da experiência deles. E o resto dos itens abaixo. De fato, colocar na vida o que faz sentido é muito libertador!

2. Yoga e meditação

A impressão que eu tenho é que as coisas boas da vida vem em correntes, afinal de contas, coisa pouca é bobagem 😬. De forma que, preciso contar que a academia que eu estava treinando fechou. Uma pena, na verdade, porque ela era bem adequada pra quem tem hérnia de disco e precisa manter as costas em ordem. Criou-se um fuzuê lá e todo mundo saiu correndo para encontrar uma nova. Deixei quieto e continuei a caminhar e encontrei um canal maravilhoso no YouTube para praticar yoga. Honestamente, achei alguns estúdios aqui no bairro, mas achei os preços proibitivos. Com Yoga with Adrienne consigo praticar todos os dias, a moça é um amor e ainda tem o plus adicional a mais de ser inglês – junta a fome com a vontade de comer. Além disso, me sinto mais forte, fisicamente, e percebo que yoga é mindfulness do corpo. Ou seja, treino para o corpo saber o que está fazendo e não simplesmente exercitar-se sem pensar. 

A meditação continua bem e me ajudando a não agir diretamente sobre pensamentos e sentimentos. Eles vão e vem. Se vc os percebe, consegue notar que são impessoais. Quem se identifica com eles e sofre somos nós. Então, vale a pena dar aquela ponderada. Raiva, frustração continuam aí, fazendo oq elas têm de fazer. Fica a nosso cargo identificar-se e reagir ou deixar passar. Confesso que tem horas que é bem difícil. Mas…

3. Exercícios, alimentação e 13kgs a menos. 

Desde janeiro até agora, mandei 13kg pra lata do lixo. Estou sim mais leve e mais fluida. Mas também perdi roupas pra caramba. No entanto, estar ativa pede mais atividade e o corpo não estagna. Claro que de vez em quando bate aquele pavor de engordar tudo de novo. Aí, a gente volta pra mindfulness e pra impermanência: tudo que tem potencial para surgir, têm pra ir embora. Calma e viver o momento com a graça e leveza que o corpo tem e que merece ser celebrado. 

Quanto à alimentação, eu já acreditava em comida limpa. Ou seja, menos processados e coisas afins. Com uns ajustes simples, estou buscando a comida como combustível e não entretenimento. Em linhas gerais, evito farinha branca, açúcar e cereais refinados. Dou preferência à integrais, naturais, crus e orgânicos. É uma questão de prestar atenção. Sem loucuras dietéticas. 

E não larguei o café. Aliás, mt bom tomar um café sem açúcar e saber oq vc está, de fato, tomando. 

4. Respiração profunda pra não ter troços. 

Evidentemente, a vida não é um mar de rosas e, por vezes, aprecem uns trecos para dar aquela testada em nossas intenções. (Insira aqui algo que irrita, chateia ou desafie) brota da eternidade e toca respirar fundo. Na verdade, a impressão que eu tenho é que isso tem a ver com as nossas expectativas sobre seja lá oq for. Então, crie unicórnios e não expectativas. As coisas são como são. Fica a nosso respeito como agir sobre isso. Respirar fundo, aceitar e deixar passar é o melhor a se fazer. Obviamente, existem coisas sobre as quais precisamos agir. O duro é quando vc expõe o que precisa e é tomada por agressiva. Sem problemas. O tempo é soberano. A lei também. 

5. O futuro ainda não chegou… Mas até lá. 

Na mesma pegada de criar unicórnios, não adianta fazer planos mirabolantes pro futuro. Ultimamente quero ser a melhor eu. Pra mim. Pros outros, talvez eu tenha sido impertinente. Desassossego, baby. 

6. Nenhum livro de literatura. Que vergonha!

Estou com uma edição linda de O vermelho e o negro, do Stendall. Foi entregue pela TAG Livros. Está aqui sentadinho na minha sala. Até o fim do livro de mindfulness que estou lendo. 

7. Pokemon Go – porque um pouco de futilidade não faz mal a ninguém. 

Divertido. Por enquanto é isso. Uma análise mais aprofundada, no vídeo do Canal Vudú. 

8. Minimalismo – comece de novo

Falhas graves nesse quesito. Comprei roupas. Comprei mochila. Parte tem a ver com o emagrecimento. Parte tem a ver com sem-vergonhice. Ouvi uma coisa maravilhosa que há de ajudar a começar de novo: seja agradecida por aquilo que vc tem. Agradeça ao que vc tem pelo que fazem por você. Ajuda a esvanecer aquela loucura por mais, mais, mais. 

9. Mindfulness. Um livro imenso tomando a vida

Ainda a 50% do livro, mas aprendendo loucamente. Sobre a beleza do budismo, da meditação e da atenção. Ajuda a distrair menos. A saber quando um sentimento ou pensamento aparece e como lidar com isso. 

“(…) sinta a simplicidade de cada movimento, momento após momento: quando estiver andando, apenas ande. Isso pode ser levado a qualquer atividade. Quando estiver em pé, esteja em pé. Quando estiver vendo algo, somente veja”.

— Joseph Goldstein, Mindfulness: A practical guide to awakening 

10. Uma tentativa sincera de ser Youtuber. Quero dizer, não bem eu. O B. Mas é divertido demais! 

Desde que o B. começou o Canal Vudú, no YouTube, fiz algumas participações especiais. Seguem os links!

Bom… Acho que era isso (tudo) que eu tinha pra contar e/ou refletir. Eu sei que é um post da bla bla bla com pouca informação prática. Mas ficam as notinhas de formação de vida. Que aliás, muda o tempo todo. Impermanência: a gente vê por aqui! 

Pietra

Raiva

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Nestes nossos tempos de Fla x Flu nas redes sociais, ataques terroristas e golpes de estado, resultando em tantas mortes e uma opinião polarizada sobre como tratar ameaças, é possível notar como a raiva permeia nossa realidade.

O que é a raiva? E o principal, como lidar com ela?

O lance da raiva é que ela nos faz pessoas turbulentas. Ela, como qualquer outro sentimento, pode nos tomar, fazendo com que nos intensifiquemos com ela e reagindo dentro de seu ser. Ou seja, agir com raiva. Fazer por impulso e de forma a se machucar e machucar outras pessoas.

raiva pode ser uma grande game de sentimentos de aversão: ódio, violência, má vontade, animosidade, irritação, incômodo, medo e de formas mais sutis, máscara da tristeza. Assim, essa raiva que se desperta dentro de nós quando discutimos, passamos por momentos desagradáveis, discordamos ou até quando estamos tristes e queremos nos isolar de outras pessoas. Ela também pode ser fruto de pensamentos: ao lembrar de algo que nos aconteceu e não foi agradável, pode despertar a raiva; ainda, quando pensamos em algo que ainda não aconteceu, mas que imaginamos ser desfavorável, já sentimos aversão ou raiva. O pior disso: deixamos que a raiva nos tome. E os resultados disso são sempre sofrimento e dor. Sofrimento nosso, pois ficamos presos em um estado de peso e descontentamento. De falta de paz. De dor, porque não nos percebemos capazes de lidar com esse sofrimento.

Então, como lidar com a raiva e sua aversão? Talvez a primeira coisa seja: ter atenção e perceber quando esses sentimentos aparecem. Quando percebemos que ela está presente não agir com aversão, ou seja, fugindo dela ou fingindo que ela não existe. O sentimento que é escondido tende a embolorar dentro de nós, tornando-se um monstro ainda maior.

A melhor tentativa, embora não seja a mais fácil, mas é a mais simples é notar a raiva até que ela suma. Sinta e note mentalmente: raiva, raiva. Dê atenção até que se dissipe, como uma nuvem no céu. Fazer isso parece ótimo, mas exige prática e boa vontade em fazer.

Ainda é preciso pensar, quando nota-se que o estado de raiva está presente: que bem virá de manter-se neste estado? O que eu realmente desejo: estar certa ou ser feliz?

Evidentemente, existem momentos da vida nos quais vemos coisas erradas acontecendo e isso pode despertar a raiva. O ponto é que ela é impessoal e não está ali para te incomodar. Ela incomoda porque deixamos. A raiva existe. Como a alegria, a paz, a tristeza. E, se nos deixamos tomar, se nos identificamos com ela, ela se torna parte do nosso ego e fica, cada vez mais, presente em nossos pensamentos. Enraiveceremos com mais e mais facilidade. E queremos ser raivosos? Ou tristes? No entanto, a clareza nos ajuda a pensar e agir: vemos algo errado? O que podemos fazer para lidar com isso? Como acertar o mal feito? O fato é que agir com raiva fará mais mal do que bem. Pense nisso!

Lidar com a raiva realmente é muito desafiador, porque em nossa cultura, temos uma busca premente pelos sentimentos de prazer e alegria. No entanto, tanto o que é bom quanto o que é ruim, chegam e vão embora, fazendo com que tudo mude. O tempo todo. E o movimento da raiva geralmente desperta respostas muito imediatas de nós, em nossas tentativas de afasta-la. No entanto, prender-se a este estado apenas o alimenta, fazendo de nós pessoas mais raivosas e com menos paz. E é na paz, seja em momentos bons ou ruins, que faz com que passemos pela vida de forma significativa.

Como você lida com a raiva quando ela aparece?

Pietra

Aprender… sempre!

Talvez em nossas vidas, nada nunca esteja de fato, resolvido. Nossos gostos, nossas percepções de nós mesmos… e quanto mais vamos cavocando a vida, mais e mais coisas aparecem que chamam a nossa atenção e levam ao aprendizado. Aprendizado de ser gente, de quiçá ser melhor ou mais capaz de se fazer viver nessa terra de minha Gaia.

É curioso como coisas levam a outras… Uma crise trouxe o minimalismo, que trouxe uma atenção para o que é realmente importante, que tirou um monte de bobagens da frente, que trouxe um viver mais leve e mais focado no que interessa, que levou à meditação, que trouxe a ideia de mindfulness, que está me fazendo estudar. E, de fato, tenho aprendido coisas muito interessantes que merecem atenção e que ajudam a viver num mundo que presa pela complicação e por um nervosismo sobre o que vem depois.

Resolvi, então, colocar algumas das coisas que aprendi com o professor Joseph Goldstein e seu livro Mindfulness: a practical guide to awekening 

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Quando estivermos perdidos ou confusos sobre o que fazer, podemos simplesmente voltar ao momento presente. – Joseph Goldstein

 

  • Se quiser compreender sua mente, sente-se e a observe. 

Nossa cabeça vive cheia de coisas, de barulhos causados por pensamentos, sentimentos e sensações que julgamos serem nossas, mas que no fundo são apenas manifestações do mundo em que vivemos e que, ao encararmos essa barulho como nós, eu ou nosso permitimos que eles nos tomem e façam com que entremos num estado reativo. É nessas horas que fazemos as coisas por impulso e geralmente, nos arrependemos depois. Assim, uma ferramenta interessante para lidar com isso é sentar-se por alguns minutos e observar o que aparece na mente, como podemos, da calçada observar o trânsito. Sabendo que o tráfego está complicado, por que você iria lá? Ou, se tem ir, já vai sabendo o que vai encontrar e isso tira o peso de envolver-se com a coisa e ficar nervoso. É bastante desafiador e a mente passeia, por isso, concentração.

  • Este estado mental (que me encontro) é capacitado (skillful) ou não-capacitado (unskillful)? É algo para ser cultivado ou abandonado? Onde esta motivação leva? Eu quero ir lá?

Aqui está uma reflexão ótima para quando o “trânsito” da mente está atulhado. Quando percebemos a confusão é possível sair dela e olhar: isso me serve? Para onde leva? Pode parecer bobeira parar para olhar o que estamos sentindo, mas acaba evitando uma porção de ações desnecessárias, gasto de energia e tempo – que são nossos bens mais preciosos. Assim, passamos a compreender melhor as motivações pelas quais tomamos determinadas atitudes que podem ser bem desagradáveis ou pesadas. Traz um tanto de paz. Mas, é importante mencionar: precisa pegar o touro pelo chifre e olhar para ele, para dentro dos olhos dele… para dentro da nossa cabeça.

  • Compreender que a nossa prática e a nossa vida não é apenas para nós mesmos, mas para o benefício de todos.

Uma vez que conseguimos perceber o momento no qual estamos, seja de barulho ou de tranquilidade, é possível tomar uma atitude melhor… seja nos afastando, nos acalmando, ponderando… Se eu sei que estou com raiva ou estressada, por que deixar isso tomar todo o ambiente? Essa é uma das mais difíceis, porque estamos muito acostumados a nos deixar tomar pelos pensamentos e sentimentos, sem saber que eles passam, eles vão embora, da mesma forma que apareceram. No entendo, acabamos deixando um rastro de “desequilíbrio” que pode desequilibrar outros. Isso é ética. Primar pelo bom convívio coletivo. E eu sei que já falhei miseravelmente nisso muitas vezes. No entanto, o melhor a se fazer, é começar de novo, com a intenção virtuosa. A prática é que faz a coisa ser fluída.

  • Um problema em potencial que há na felicidade vinda de sentimentos de prazer sensual (que vem dos sentidos) é que se nos apegamos à experiência prazeirosa, sentimos tristeza e perda quando ela esvanece ou muda. 

E talvez aqui que more um dos nossos maiores problemas atualmente e o que gere a tal “ansiedade” que até crianças sentem, ou seja, estar com a mente voltada para a próxima experiência de prazer que teremos – seja uma comida, uma viagem, algo a ser comprado… Acredito que aqui temos duas questões: a primeira é que, neste fluxo de prazeres sensórios, estamos sempre querendo mais e reprimindo ou expulsando os que não tenham essa natureza, o que gera um desconforto imenso; segundo, que aproveitamos pouco algo que pode até nos fazer bem, mas que é, por natureza também, efêmero. O que eu quero dizer é que se não vivermos o agora, por mais desagradável que ele seja, não criamos bagagem para compreender: ah, isso é desagradável, acontece, MAS como veio, vai. Sempre vai… pode demorar por vezes, mas vai. Se não vivermos o agora, por mais agradável que ele seja, não criamos bagagem para compreender, isso é agradável, acontece, MAS, como veio, vai. E, ao invés de boas lembranças e um sentimento de satisfação, criamos apenas expectativas sobre a próxima experiência agradável que teremos. E não sabemos quando isso vai acontecer… o passado foi, o futuro vem… o que sobra? AGORA. Crie unicórnios no jardim, mas não crie expectativas. Pouquíssimas coisas estão sob nosso controle.

Bom, isso tudo significa que a vida vira um mar-de-rosas imediatamente? Não. É fácil? Não. Mas, é simples. E requer vontade e fazer. Dá trabalho… toma uma certa energia, no entanto, ajuda no “desatulhamento” da cabeça que, por motivos além de nossas vontades, pode ficar cheia, então por que enfiar mais uma coisa ali dentro e esperar explodir, como um armário cheio de roupas?

E se tudo falhar, não se esqueça: comece de novo.

Pietra

 

 

Comece de novo…

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Quantas coisas você gostaria de mudar? Agora? Já? Dá pra fazer listas imensas, né? Mas, não conseguimos resolver tudo ao mesmo tempo e aí, corremos um sério risco de ficamos confusas e não saber por onde começar. Por que acontece invariavelmente assim? Bem, porque geralmente tentamos carregar um sofá imenso, pela escada, todo de uma vez – pivot! #entendedoresentenderão

Assim, como escalar um plano de micro ações para, de fato, conquistar mudanças na vida?

Começando pequeno, claro.

Geralmente, as coisas são colocadas na nossa frente, nossos desafios e ficamos bastante perdidas em como lidar com eles. Então, por que não compreender mais profundamente o que precisa ser mudado e como destrinchar essas coisas todas.

Por exemplo… Digamos que queremos fazer uma mudança de saúde: comer melhor ou perder peso ou incorporar novos alimentos para uma alimentação mais verdadeira. Acredito que não adianta sair correndo de casa para o mercado com uma lista de coisas que mal e mal sabemos o que é ou para que servem: super alimento, vitaminas, farinha de côco e coisas assim. Os melhores passos são tomados aos poucos. Melhorar a saúde, além da alimentação, inclui mexer-se um pouco, manter a cabeça tranquila… na verdade, essas mudanças todas acabam vindo mesmo de um entendimento mais detalhado de si e da realidade que nos cerca.

O melhor que podemos fazer é, por meio de um diário – e aqui se introduz bullet journals, cadernos, diários virtuais, escolha do freguês – que nos ajuda a perceber as mudanças, os passos, o que precisa ser melhorado e, aos poucos, com passos firmes, conseguimos conquistar coisas maravilhosas.

Se os nossos planos podem falhar? Claro que podem… quantos não? No entanto, aqui vale a recomendação do professor de meditação Joseph Goldstein: comece de novo. Quando você perceber que saiu do seu foco, compreenda que saiu e comece de novo. 

Infelizmente, acabamos nos escorando em uma porção de hábitos que não permitem que determinadas mudanças aconteçam – são as famosas desculpas – porém, ao percebe-las e tomando consciência delas, podemos observa-las e, por cima delas, colocar atitudes que realmente possam nos ajudar. 

Desta forma, com pequenas ações, começamos a formar novos hábitos e, por meio deles, grandes mudanças em nossas vidas.

Bora começar?

Pietra

 

 

Mindfulness, muito prazer

IMG_0355A vida minimalista tem vários efeitos. Uma delas é que, com tempo para cultivar o que é importante na vida, ela faz com essa atenção que temos para as coisas que temos seja muito maior. Você se torna mais crítica em relação ao mundo ao seu redor: isso vale a pena? Vou por isso na minha vida? Tenho como lidar com esse compromisso? Por que vou gastar meu dinheiro aqui? Estou comendo de forma a nutrir o meu corpo? E longas listas de perguntas. Ou seja, não é uma coisa fácil, mas é uma coisa simples: levar o dia tomando decisões que realmente importam.

E com isso, encontrei a mindful meditation e o mindfulness. E o que isso tudo significa?

Mindful Meditation é um tipo de meditação que se faz, poucos minutos por dia, mas que ajuda a sua mente a focar-se no que é necessário – quando necessário. Fazemos um pequeno treino da mente para que ela esteja focada quando necessário e que vague quando possível. Ainda, é uma forma de nos colocarmos presentes no agora, com atenção no que está acontecendo e não fazendo mil cálculos do que pode ou não ser da vida daqui há 30 minutos ou 30 anos. E estar presente, ajuda em uma outra coisa muito importante: single task ou “fazer uma coisa por vez”. Infelizmente, acreditamos que seja vital sermos capazes de fazer mil coisas ao mesmo tempo e isso só estressa. Estar presente e fazer uma coisa por vez, bem feita, com atenção, gera resultados muito melhores.

Estar presente é dar sua atenção completa ao que está acontecendo sem deixar a mente sair passeando por aí. 

Mindfulness é uma atitude. Uma de realmente prestar atenção e ser cuidadosa com o entorno. É o que, em Educação, chamamos de ser um cidadão crítico e reflexivo. Trata-se da competência de, além de estar presente, observar a realidade para tomar uma atitude informada, coerente e ética sobre ela. Assim, quando exercitamos mindfulness ficamos menos propensas a cair em imediatismos ou responder a algo por impulso, hábito ou conveniência.

É um trabalho tremendo. Pode ser bem cansativo no começo. No entanto, com o tempo, nossa atenção passa a recair sobre o que realmente precisa dela, deixando de lado as urgências que já sabemos não serem tão urgentes assim.

Juntando isso tudo com o minimalismo, as coisas, os objetos precisam de muito menos atenção do que as nossas relações, nossa missão, nosso trabalho. E mesmo nessas áreas, nos tornamos capazes de fazer escolhas melhores e mais conscientes.

Assim, quando um pensamento não agradável chegar a sua mente, tente olhar para ele como alguém que observa o trânsito. Pode parecer caótico, mas, se nos deixarmos envolver, o nível de estresse sobe e a mente fica “apertada”. Observando como uma pessoa de fora, sem julgamentos, mas buscando uma solução para o pensamento ou sentimento, somos capazes de tomar atitudes melhores que beneficiam não somente a nós, mas melhoram ainda a comunidade na qual estamos inseridos.

Brevemente, escreverei um pouco mais sobre mindfulness em diversos momentos da vida… mesmo aqueles que apresentam perrengues.

Pietra

Conversando a gente se entende

Eu não sou muito uma pessoa de ficar de papo no WhatsApp. Aliás, eu tendo a achar que é um saco fazer isso… NO ENTANTO, tive uma conversa tão significativa com a amada C. que preciso fazer um registro sobre o que foi pensado.

Aliás, antes de tudo, me compete dizer o quanto as trocas de mensagem, ultimamente, tem tornado-se banais e estúpidas. Claro, é ótimo poder saber de coisas sobre as pessoas que importam rapidamente, embora, na maioria das vezes, não é nada que um telefonema não resolva. Ainda, tenho a impressão que muitas coisas ruins ou pela metade se espalham pelo mundo via instant messaging. É fácil ver isso pelos tais grupos de WhatsApp que inflamam pessoas e retroalimentam uma série de desgostos e de sentimentos pouco produtivos. Com isso dito, reafirmo a minha posição em deixar minhas notificações de WhatsApp desativadas – talvez só não para minha família, afinal de contas, como dizia minha avó, vai que a notícia é forte.

Acontece que ontem, o instant messaging foi meio de extrema reflexão, dadas as circunstâncias não tão bacanas da vida. Começou com um: vi o que você postou. Está tudo bem? E terminou com uma noite de sono melhor dormida.

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A conversa que C. e eu tivemos falou um pouco sobre como mudanças de vida e valorização efetiva dos seus princípios afetam as nossas vidas e como lidar com o sentimento de marginalidade que ela pode gerar… Tá, eu sei, white people’s problem. Mas, de uma forma geral, quando vc não segue o mainstream e algo em seu modo de pensar e fazer é diferente do que se preconiza, as arestas se batem. A questão é: como aparar essas arestas de forma ética e sustentável?

Talvez a melhor conclusão que chegamos foi: permitir-se sentir. E não julgar-se por isso. Infelizmente, em nossos tempos, existe um valor imenso em sofrimento, dor, “resiliência” , complicação e “ocupação”. Se as coisas não são conquistadas via um sofrimento imenso, ou pela restrição ou pela dor (no pain, no gain) ou por estarmos extremamente ocupados, não vale nada. Você é boa vida, não liga, não se esforça. Agora, espera aí, cara pálida: quem disse que fazer escolhas mais leves não demanda esforço? Quem disse que simplificar a vida, ir além dos 300 milhões de empecilhos autoimpostos não é uma tremenda conquista? Pois é… tente, por uma semana, simplificar a vida desses paradigmas atuais e me conte como foi. Dói um pouco, né?

Por fim, ficamos pensando sobre o quanto podemos margear o sistema que nos cerca. Sabemos que, no geral, não existe receita mágica para isolar-se ou “desviver” o que está aí. Podemos nos esforçar para evitar, mas não tem como fugir. Assim, talvez a melhor forma de lidar com isso é estar em um lugar e em uma posição agradável. 

No filme The Dark Knight Rises, há uma cena em que Bane está com John Dagget, que lhe cobra o controle sobre as Indústrias Wayne, dizendo que lhe pagou uma pequena fortuna, a que Bane responde: “e isso lhe dá poder sobre mim?” O que prova o ponto de que um trabalho é só um trabalho. Paga as contas, claro. Mas, não como outro não o faria. Então, por que ficar sofrendo em um lugar que nos desgasta? Ou com pessoas que não agregam? Isso tudo vale para relacionamentos, ou lugares quaisquer que nos incomodam. Acho sim que podemos tomar ações para tentar melhorar as coisas, mas dar murro em ponta de faca – é provado – é burrice. Penso muito nisso: você não consegue mudar as pessoas à sua volta, mas pode mudar quem está à sua volta. 

Trocar ideias com pessoas nos tira um pouco de nossa perspectiva. Se você realmente estiver ouvindo. Se a conversa for autêntica. Ouvir, pensar, colocar seu coração para fora. Conversas autênticas nos permitem olhar para nossos pensamentos como se estivessem sobre uma mesa.

Pietra