Aprender… sempre!

Talvez em nossas vidas, nada nunca esteja de fato, resolvido. Nossos gostos, nossas percepções de nós mesmos… e quanto mais vamos cavocando a vida, mais e mais coisas aparecem que chamam a nossa atenção e levam ao aprendizado. Aprendizado de ser gente, de quiçá ser melhor ou mais capaz de se fazer viver nessa terra de minha Gaia.

É curioso como coisas levam a outras… Uma crise trouxe o minimalismo, que trouxe uma atenção para o que é realmente importante, que tirou um monte de bobagens da frente, que trouxe um viver mais leve e mais focado no que interessa, que levou à meditação, que trouxe a ideia de mindfulness, que está me fazendo estudar. E, de fato, tenho aprendido coisas muito interessantes que merecem atenção e que ajudam a viver num mundo que presa pela complicação e por um nervosismo sobre o que vem depois.

Resolvi, então, colocar algumas das coisas que aprendi com o professor Joseph Goldstein e seu livro Mindfulness: a practical guide to awekening 

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Quando estivermos perdidos ou confusos sobre o que fazer, podemos simplesmente voltar ao momento presente. – Joseph Goldstein

 

  • Se quiser compreender sua mente, sente-se e a observe. 

Nossa cabeça vive cheia de coisas, de barulhos causados por pensamentos, sentimentos e sensações que julgamos serem nossas, mas que no fundo são apenas manifestações do mundo em que vivemos e que, ao encararmos essa barulho como nós, eu ou nosso permitimos que eles nos tomem e façam com que entremos num estado reativo. É nessas horas que fazemos as coisas por impulso e geralmente, nos arrependemos depois. Assim, uma ferramenta interessante para lidar com isso é sentar-se por alguns minutos e observar o que aparece na mente, como podemos, da calçada observar o trânsito. Sabendo que o tráfego está complicado, por que você iria lá? Ou, se tem ir, já vai sabendo o que vai encontrar e isso tira o peso de envolver-se com a coisa e ficar nervoso. É bastante desafiador e a mente passeia, por isso, concentração.

  • Este estado mental (que me encontro) é capacitado (skillful) ou não-capacitado (unskillful)? É algo para ser cultivado ou abandonado? Onde esta motivação leva? Eu quero ir lá?

Aqui está uma reflexão ótima para quando o “trânsito” da mente está atulhado. Quando percebemos a confusão é possível sair dela e olhar: isso me serve? Para onde leva? Pode parecer bobeira parar para olhar o que estamos sentindo, mas acaba evitando uma porção de ações desnecessárias, gasto de energia e tempo – que são nossos bens mais preciosos. Assim, passamos a compreender melhor as motivações pelas quais tomamos determinadas atitudes que podem ser bem desagradáveis ou pesadas. Traz um tanto de paz. Mas, é importante mencionar: precisa pegar o touro pelo chifre e olhar para ele, para dentro dos olhos dele… para dentro da nossa cabeça.

  • Compreender que a nossa prática e a nossa vida não é apenas para nós mesmos, mas para o benefício de todos.

Uma vez que conseguimos perceber o momento no qual estamos, seja de barulho ou de tranquilidade, é possível tomar uma atitude melhor… seja nos afastando, nos acalmando, ponderando… Se eu sei que estou com raiva ou estressada, por que deixar isso tomar todo o ambiente? Essa é uma das mais difíceis, porque estamos muito acostumados a nos deixar tomar pelos pensamentos e sentimentos, sem saber que eles passam, eles vão embora, da mesma forma que apareceram. No entendo, acabamos deixando um rastro de “desequilíbrio” que pode desequilibrar outros. Isso é ética. Primar pelo bom convívio coletivo. E eu sei que já falhei miseravelmente nisso muitas vezes. No entanto, o melhor a se fazer, é começar de novo, com a intenção virtuosa. A prática é que faz a coisa ser fluída.

  • Um problema em potencial que há na felicidade vinda de sentimentos de prazer sensual (que vem dos sentidos) é que se nos apegamos à experiência prazeirosa, sentimos tristeza e perda quando ela esvanece ou muda. 

E talvez aqui que more um dos nossos maiores problemas atualmente e o que gere a tal “ansiedade” que até crianças sentem, ou seja, estar com a mente voltada para a próxima experiência de prazer que teremos – seja uma comida, uma viagem, algo a ser comprado… Acredito que aqui temos duas questões: a primeira é que, neste fluxo de prazeres sensórios, estamos sempre querendo mais e reprimindo ou expulsando os que não tenham essa natureza, o que gera um desconforto imenso; segundo, que aproveitamos pouco algo que pode até nos fazer bem, mas que é, por natureza também, efêmero. O que eu quero dizer é que se não vivermos o agora, por mais desagradável que ele seja, não criamos bagagem para compreender: ah, isso é desagradável, acontece, MAS como veio, vai. Sempre vai… pode demorar por vezes, mas vai. Se não vivermos o agora, por mais agradável que ele seja, não criamos bagagem para compreender, isso é agradável, acontece, MAS, como veio, vai. E, ao invés de boas lembranças e um sentimento de satisfação, criamos apenas expectativas sobre a próxima experiência agradável que teremos. E não sabemos quando isso vai acontecer… o passado foi, o futuro vem… o que sobra? AGORA. Crie unicórnios no jardim, mas não crie expectativas. Pouquíssimas coisas estão sob nosso controle.

Bom, isso tudo significa que a vida vira um mar-de-rosas imediatamente? Não. É fácil? Não. Mas, é simples. E requer vontade e fazer. Dá trabalho… toma uma certa energia, no entanto, ajuda no “desatulhamento” da cabeça que, por motivos além de nossas vontades, pode ficar cheia, então por que enfiar mais uma coisa ali dentro e esperar explodir, como um armário cheio de roupas?

E se tudo falhar, não se esqueça: comece de novo.

Pietra

 

 

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