Conversando a gente se entende

Eu não sou muito uma pessoa de ficar de papo no WhatsApp. Aliás, eu tendo a achar que é um saco fazer isso… NO ENTANTO, tive uma conversa tão significativa com a amada C. que preciso fazer um registro sobre o que foi pensado.

Aliás, antes de tudo, me compete dizer o quanto as trocas de mensagem, ultimamente, tem tornado-se banais e estúpidas. Claro, é ótimo poder saber de coisas sobre as pessoas que importam rapidamente, embora, na maioria das vezes, não é nada que um telefonema não resolva. Ainda, tenho a impressão que muitas coisas ruins ou pela metade se espalham pelo mundo via instant messaging. É fácil ver isso pelos tais grupos de WhatsApp que inflamam pessoas e retroalimentam uma série de desgostos e de sentimentos pouco produtivos. Com isso dito, reafirmo a minha posição em deixar minhas notificações de WhatsApp desativadas – talvez só não para minha família, afinal de contas, como dizia minha avó, vai que a notícia é forte.

Acontece que ontem, o instant messaging foi meio de extrema reflexão, dadas as circunstâncias não tão bacanas da vida. Começou com um: vi o que você postou. Está tudo bem? E terminou com uma noite de sono melhor dormida.

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A conversa que C. e eu tivemos falou um pouco sobre como mudanças de vida e valorização efetiva dos seus princípios afetam as nossas vidas e como lidar com o sentimento de marginalidade que ela pode gerar… Tá, eu sei, white people’s problem. Mas, de uma forma geral, quando vc não segue o mainstream e algo em seu modo de pensar e fazer é diferente do que se preconiza, as arestas se batem. A questão é: como aparar essas arestas de forma ética e sustentável?

Talvez a melhor conclusão que chegamos foi: permitir-se sentir. E não julgar-se por isso. Infelizmente, em nossos tempos, existe um valor imenso em sofrimento, dor, “resiliência” , complicação e “ocupação”. Se as coisas não são conquistadas via um sofrimento imenso, ou pela restrição ou pela dor (no pain, no gain) ou por estarmos extremamente ocupados, não vale nada. Você é boa vida, não liga, não se esforça. Agora, espera aí, cara pálida: quem disse que fazer escolhas mais leves não demanda esforço? Quem disse que simplificar a vida, ir além dos 300 milhões de empecilhos autoimpostos não é uma tremenda conquista? Pois é… tente, por uma semana, simplificar a vida desses paradigmas atuais e me conte como foi. Dói um pouco, né?

Por fim, ficamos pensando sobre o quanto podemos margear o sistema que nos cerca. Sabemos que, no geral, não existe receita mágica para isolar-se ou “desviver” o que está aí. Podemos nos esforçar para evitar, mas não tem como fugir. Assim, talvez a melhor forma de lidar com isso é estar em um lugar e em uma posição agradável. 

No filme The Dark Knight Rises, há uma cena em que Bane está com John Dagget, que lhe cobra o controle sobre as Indústrias Wayne, dizendo que lhe pagou uma pequena fortuna, a que Bane responde: “e isso lhe dá poder sobre mim?” O que prova o ponto de que um trabalho é só um trabalho. Paga as contas, claro. Mas, não como outro não o faria. Então, por que ficar sofrendo em um lugar que nos desgasta? Ou com pessoas que não agregam? Isso tudo vale para relacionamentos, ou lugares quaisquer que nos incomodam. Acho sim que podemos tomar ações para tentar melhorar as coisas, mas dar murro em ponta de faca – é provado – é burrice. Penso muito nisso: você não consegue mudar as pessoas à sua volta, mas pode mudar quem está à sua volta. 

Trocar ideias com pessoas nos tira um pouco de nossa perspectiva. Se você realmente estiver ouvindo. Se a conversa for autêntica. Ouvir, pensar, colocar seu coração para fora. Conversas autênticas nos permitem olhar para nossos pensamentos como se estivessem sobre uma mesa.

Pietra

 

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One thought on “Conversando a gente se entende

  1. nossa e como essas mudanças que estamos perpetrando em nossas vidas são difíceis sim e como se tornam complexas quando você não quer mais participar de certas coisas. e como sim, tudo tem o tempo de adequação. e nos torna mais fortes. adorei a frase “e isso lhe dá poder sobre mim?”. sair da caixa um pouco, pensar fora dela, se tornar uma pessoa autêntica no que acredita, tudo isso é complexo e exige de nós, nos faz sofrer um pouco, mas é gratificante. que continuemos nossos caminhos apesar dos outros e com orgulho! Te amo!

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