Por que algo que trazia alegria vira fonte de enfado?

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Esta é uma reflexão que venho fazendo faz semanas e talvez hoje, fazendo coisas realmente significativas, tenha chegado a algumas conclusões.

É muito curioso como podemos começar um projeto, um relacionamento ou mesmo um trabalho com um gás incrível, um verdadeiro senso de propósito para aquilo e, ao longo do tempo, passar a se perguntar: (insira aqui divindade de preferência) o que eu estou fazendo aqui? Você se sente perdendo seu bem mais precioso: seu tempo; gastando energia à toa e com a cabeça no que realmente faria mais sentido estar desenvolvendo. O complicado é quando isso tem a ver com as suas relações próximas ou com a sua fonte de sustento.

Antes de tudo, eu quero crer que faço um trabalho ou estou com uma pessoa – seja por qual tipo de relação seja – por gosto. Evidentemente sabemos que não existe um trabalho perfeito ou relacionamento perfeito… afinal de contas, ele envolve outras pessoas e lidar com a raça humana pode ser muito desafiador. Pessoas pensam e agem de formas diferentes, você inclusive, pode ser o vilão de determinadas situações na perspectiva do outro.

Pois bem… existem dissabores que não podemos evitar. Fato. Mas, como lidamos quando os dissabores sobem nos sabores e o que estamos fazendo torna-se uma fonte de enfado?

Talvez, uma das primeiras coisas é pensar as suas expectativas. Infelizmente a pior punição para o crime de expectativa é o vácuo. Por observar circunstâncias ou ouvir palavras, podemos acreditar que algo X ou Y vai acontecer. E na hora H, não acontece. E a única pessoa que sai chateada com isso é você. Assim, como diz minha sábia mãe, não conte com o ovo no * da galinha.

Depois, o verdadeiro significado que ela tem na sua vida. Existem paixões tão grandes em nossas vidas que, se transformadas em uma fonte de contribuição e até de sustento, viram nossa missão e viver isso é incrível. No entanto, elas passam por detalhes e tecnicalidades que pouco têm a ver com a natureza do que se está fazendo. Qual é o peso que uma coisa tem na outra? É um peso importante a ser feito.

Ainda, vale a pena pensar nas urgências e importâncias das coisas. Será que damos, realmente, a importância que as coisas têm? Quantos incêndios passamos o dia apagando quando existem brasas que consomem o nosso trabalho e podem estar minando o significado que elas têm?

Simplificar. Simplificar. Simplificar. Caso contrário, tudo a sua volta, torna-se desperdício de tempo, recursos e energia. É um péssimo sentimento para se ter =(

Empatia e reconhecimento. Pode ser que se trate de um sentimento efêmero e temporário. Mas o que na vida não é? A questão é que o entendimento exterior do que estamos fazendo ou talvez de um mínimo apoio no que desenvolvemos devolve uma certa frescura aos procedimentos e sentido ao que estamos fazendo. Além disso, fazer o que gostamos de fazer recebendo apenas críticas pelos detalhes que não se relacionam com o core da praxis é extremamente desestimulante? E faz pensar sobre o valor que o trabalho tem realmente…

Eu sei que deveríamos ser seguros com o que fazemos e com o que acreditamos. Acredito também que existem desafios imensos quando se resolve lidar com algo que não seja mainstream ou que têm um significado para nós que não é compreendido por quem está em volta. É uma chance de reafirmar crenças e valores. No entanto, o quanto disso se aguenta?

Eu tenho notado um ciclo nisso. De namoro com determinadas relações e posteriores decepções imensas. Nem tudo pode ser como queremos… a questão é que, uma vez que se passa a refletir sobre o que acontece e não simplesmente aceitar – que talvez fosse o caminho mais fácil, mas o menos significativo – ter uma vida intencional ou simples passa a ser muito difícil. Não é um convite a desistir. Mas, a repensar. O que está levando a este imenso ir e vir de alegrias e decepções? Talvez a segurança de lidar com o que sempre soubemos seja tóxico, pois sabemos onde as coisas terminam. No entanto, insistimos. E temos medo de buscar uma terceira via.

Pessoalmente, hoje, eu ainda não vejo uma terceira via. Vejo uma segunda via e meia. Se as exigências da nossa realidade nos tomam nosso precioso tempo, como suavizar e, de fato, se programar para entrar na terceira via?

Faz uns meses que eu estou pensando sobre isso. E me esforçando para não buscar em outro lugar exatamente o que eu estou vivendo agora e que me desagrada. Não adianta uma casca diferente, mas com o mesmo sabor de insatisfação.

Simplificar. Simplificar. Simplificar. Quiçá, correndo por esse viés, eu consiga me livrar do peso das minhas expectativas e das atuais âncoras que pesam tanto.

Qual é a sua terceira via? Ela é viável?

Pietra

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One thought on “Por que algo que trazia alegria vira fonte de enfado?

  1. Ah, Pietra querida, sábias palavras…
    Passei por isso algumas vezes e uma das mais doloridas foi quando percebi que, por mais que a gente se esforce para alcançar um determinado objetivo, às vezes o melhor é mudar de objetivo!
    Mas concordo contigo: simplificar é o melhor.
    Aprender a aproveitar muito o que a vida oferece. E tocar adiante… 🙂

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