Cacarecos infinitos

Faz uns dias que eu já vinha pensando nisso. Se bem que acaba sendo um assunto recorrente na vida. O ato de entulhar. Como eu odeio espaços entulhados.

Minha querida amiga C. já tinha abordado um assunto assim em seu blog, Elegant Bats. O ato de entulhar, de acumular, de não jogar fora e PIOR comprar mais e mais não é surpresa nem novidade. E eu fico pensando o quanto de nós já está com esse tipo de atitude e pensamento tão arraigado que nem paramos para pensar no assunto. Aliás, a grande coisa disso é: não pensar.

Isso vale para o armário, para a cozinha… até para a biblioteca. Esses dias, eu fiz uma assinatura de um clube de livros. Comentei com o B. “putz, será que vamos ter espaço para tantos livros?”… sendo que as estantes já estão meio cheias. E como dói se desapegar. Mas, precisa.

O lance da vida é que podemos viver com menos. O consumismo, a doença do consumo, tornou-se uma epidemia mundial e eu fico pensando: 1- O que se faz com tantas coisas produzidas e colocadas à venda? Quero dizer, já andaram no Brás durante um dia útil? São cabides e cabides de roupas… quem compra tudo isso? 2- Se eu não compro, se você não compra, o que se faz com esse refugo encalhado?

Eu sei que existe um sistema econômico ao qual estamos submetidos. Eu sei que gostamos de novidades e que um lance novo de algo que gostamos, o interesse a coceira aparecem. Mas, será que realmente precisamos de tudo que achamos que precisamos? Será que estamos afundando a economia do nosso país não consumindo, como as notícias de jornal gostam de propagar? Será que precisamos comprar novo?

Uma coisa eu andei buscando… quem sabe não vale a pena garimpar mais sebos? Comprar localmente?

Esse mês (fev. 2016), a revista Vida Simples faz um escrutínio melhor dessas questões.

O que eu quero dizer nesse comecinho de ano é que, talvez, para ele ser melhor, devamos ser menos escravos de “coisas”. Deve ser muito legal ter um carrão na garagem, por exemplo. Mas será? Porque além de milhares de despesas impostas pelo governo, ainda temos as particulares como seguro, manutenção, combustível – e segurança pública. O mesmo vale para tudo que é artificial… unhas de gel, tintura de cabelo, cremes milagrosos para a pele…

Não estou dizendo que não devemos esperar o melhor que podemos, mas que talvez o luxo que se deseja seja apenas uma forma de escravidão, pois ter as coisas implica em cuidar delas. Assim, eu penso que ter o que precisamos é ter mais liberdade e mais possiblidade de explorar tanto o que já temos quanto o que podemos viver.

O que podemos abrir mão, de coração livre?

O quanto de nossa “cultura” não precisamos limpar de dentro de nós para não cair em armadilhas do que precisamos? De que somos feias, inadequadas socialmente e que precisamos de X ou Y para sermos mais bonitas, magras, inteligentes, dentro da caixinha?

Bom, devemos começar por algum lugar… o que vc pode tirar da sua casa que está só aí criando pó?????

Pietra

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One thought on “Cacarecos infinitos

  1. Nossa é um assunto importante! Eu tenho pensado muito! Quanta coisa compramos por impulso e ficam jogadas e esquecidas? Sobre livros, pq apegamos se, em muitos casos, não vamos mais ler? Há cerca de dois anos eu fiz um super desapego de livros e doei duas caixas para aquele senhor que vende livros na calçada perto de casa. Ele ficou tão feliz! E os livros foram ser lidos novamente, certamente tb ficaram felizes!
    Eu ando me esforçando bastante para viver com menos consumo. É difícil, mas mto importante!

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