Somos um mosaico de nossos gostos

Ter tempo na vida permite muitas coisas. Desde aquelas que não são tão boas, afinal de contas, “cabeça vazia oficina do diabo”; quanto a coisas ótimas como o “dolce far niente” que acaba por oxigenar a cabeça e as ideias. Talvez esse seja um dos pontos do começo do ano. Como a coisa sempre se dá como feriado, as pessoas têm chance de prepararem-se para o ano civil que está começando.

E com o que começamos?

Acredito que o ideal deveria ser com os resultados do ano que terminou. Mas, aparentemente, 2015 foi um pouco arredio com as pessoas, que não acho que muitos gostariam de olhar para trás e juntar aqueles cacos para fazer tudo de novo.


O meu ponto, no entanto, é como não fazer isso? Será que realmente é possível começar 2016 do zero? No meu caso, 2016 é erguido com os “cacos” dos outros 36 anos de experiências e aprendizados, de forma que, trata-se apenas, de uma placa na pista e não um marco zero.

Evidentemente, não sabemos o que 2016 reserva e, como no início de 2015, mensagens de esperança e paz etc e tal são lançadas ao ar. No entanto, a medida com que as coisas se desenrolam, acabam acontecendo os desapontamentos e desgostos. E a chance de 2016 ser um ano “ruim” como o passado, e o passado… e o passado.

Mas será mesmo?

Como uma placa na estrada, naquela que estamos percorrendo desde que nascemos, ele está aí apenas para indicar duas coisas: aqui é onde e quando você está agora. E já faz X tempo que você está por aqui.

Assim, por que não aproveitar esse tempinho que o tempo nos dá no começo dos anos e olhar o que já está no porta-malas do carro… Somos um mosaico de nossos gostos. Carregamos dentro de nós, claro, as lições mais amargas que a vida nos dá, mas quem sabe nosso exterior e a nossa formação seja feita daquilo que realmente aprendemos a gostar, apreciar, admirar e respeitar. Vamos nos acabando, dia a dia, com nossas descobertas e verdades. Parte dessa construção está nos olhos abertos para notar novas belezas e acrescentar um novo caquinho no mosaico.

O ano de 2015 não terminou em 31 de dezembro. Tal qual aconteceu para todos os outros anos, melhores ou piores, que vivemos até aqui. Ele permanece. Pode ser dentro de nós, no que podemos sim escolher não mostrar diretamente aos outros. Pode ser no nosso exterior e marcar mais uma parte que desejamos compartilhar com o mundo.

A vida é perene enquanto ela dura… Nesta perspectiva, a estaca zero não existe mais. Desde o seu primeiro respiro.

Pietra

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