O que eu li em 2015

Mais um daqueles posts longos. Acho que não vai ter filme.

Reading Challenge do GoodReads: quase deu!

No comecinho do ano, eu fiz uma compra razoável de livros em NY. Pareceu uma ótima ideia trazer alguns em língua original para, além de tudo, dar aquela afiada na língua de Shakespeare. Mais tarde, vim a descobrir que foi uma odor excelente, afinal de contas, o valor do dólar foi às alturas e comprar livros importamos por aqui ficou meio proibitivo.

Assim, dessa safra, li coisas maravilhosas – e, em sua maioria, banidas. 1984, do George Orwell; To kill a mockingbird, da Harper Lee; Admirável mundo novo, do Aldous Huxley – e os não banidos: Dr. Sleep, do Stephen King e The oceano by the end of the lane, do Neil Gaiman.

Mais um tico adiante no ano, e depois de carregar as 568 páginas de Dr. Sleep, por aí, veio a segunda ideia literária do ano: comprar um e-reader. Veio a era do Kindle. E com ele, o conhecimento do site Lê Livros. O fato é que, a partir dele, gastei bem menos dinheiro com livros. Embora os que o site disponibiliza sejam em português, consegui ler coisas maravilhosas, como O número 0, do Umberto Eco; A odisseia de Penélope, da Margaret Atwood; Misery, do Stephen King – que me acompanhou na minha recuperação da cirurgia. Claro que houveram muitos outros, mas destaco esses como os mais legais.

Ainda, com o Kindle, aconteceram compras na Kindle Store, e consegui ler Alabardas, Alabardas, o romance não terminado de José Saramago. Li também The mind’s eye, do Oliver Sacks. Aliás, dele ainda, consegui ler Tempo de despertar. As ideias são ótimas, mas me pareceram livros que servem bem a quem gosta de uma literatura quase médica. Valeu como experiência, mas acho que não vou entrar nesse ramo de novo.

Minha lista de leitura é quase como uma revisão de sommelier: eu acredito mais no tempo da obra do que no buzz que ela possa causar. Assim, livros da safra 2015 foram praticamente inexistentes. Para não dizer que não tentei, esperei ansiosa o lançamento de Go set a watchman, da Harper Lee – e recomendo a quem gosta de To kill a mockingbird. Foi uma publicação de gênese de escrita genial. Em tempo, comprei All the light we cannot see, do Anthony Doerr – cópia física – para compreender um livro mais contemporâneo ganhando um prêmio Pulitzer. Valeu a leitura, mas não se tornou um dos meus favoritos.

Consegui por meios de internet, cópias de livros que são considerados clássicos da literatura e que precisam de uma passadinha de olho, pelo menos. The sound and the fury, do William Faulkner é um dos livros mais difíceis que já li, acompanhado de Ulisses, do James Joyce. Acredito que o estilo dos escritores e suas passagens entre personagens e formas de coloca-los no papel que fez as leituras serem um pouco mais “pesadas”. Não desgostei, mas também não faria de novo. Se a gente acha que o Saramago é complicado de ler por conta do estilo, tente Joyce e conversamos.

Peguei literatura brasileira… um pouco menos clássica, mas igualmente interessante. Não verás país nenhum, do Inácio de Loyola Brandão, e Viva o povo brasileiro, do João Ubaldo Ribeiro foram surpresas extremamente agradáveis em termos de história e trama, e igualmente, com muito a ensinar sobre a sociedade que vivemos hoje.

Acredito que os pontos altos das leituras de 2015 foram, de fato, as distopias. Brave new world, do Aldous Huxley; Fahrenheit  451, do Ray Bradbury; 1984 e Animal Farm, do George Orwell colocam uma luz muito curiosa sobre o ser humano e o que está dentro de cada um que seria passível de morte para um andar mecânico da humanidade, além de alertas curiosos sobre o que estamos fazendo a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Ler esses livros mudou um pouco a forma com que eu enxergava algumas coisas, e agora tem uma pulga orwelliana na minha orelha o tempo todo.

Talvez eu não consiga escrever aqui sobre os 35 livros que eu li esse ano. Cada um deles com um gosto diferente. E talvez, também, aquele que você está lendo no momento é que deixe o sabor das histórias mais frescos em sua memória. Mas, acredito que a surpresa mais agradável foi conhecer o escritor japonês Haruki Murakami.

Eu sei que sou dessas pessoas que precisam de uma “prova” de que um escritor valha a pena tudo que se fale sobre ele. Eu havia visto algumas pilhas de 1Q84 em livrarias, mas foi a dica de uma amiga que realmente aguçou a minha curiosidade. E fico feliz que isso tenha acontecido. O mundo de 1Q84 é instigante, a trama é excelente e as personagens um tanto incomuns. Valeu a pena e agora estou recomendando Murakami para todos. Aliás, sabiam que ele gosta de gatos.

Em breve, farei uma escrita mais detalhada sobre ele. Por enquanto, só posso deixar a dica. Leia Murakami.

Pietra – que de 40, só conseguiu dar cabo de 36 =(

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