O buraco do Coelho Branco

Hoje de manhã, B. e eu conversávamos sobre os tais programas populares na televisão e como determinadas emissoras insistem num mesmo formato por anos e anos, mesmo sabendo que a coisa toda está desgastada.  Pensamos também como os tais “reality shows” provavelmente são absurdamente roteirizados para fazer servir a interesses do tipo: tem de ter mais barraco, mais briga, mais intriga… e que isso vende.

Vende mesmo?

Evidentemente que eu sei que cada ser humano tem a sua sombrinha, bem lá no fundo, que luta pelo que não é virtuoso e que pode ser refletida em programas policiais de gosto duvidoso ou uma curiosidade intrínseca que nos leva a ver programas onde pessoas têm de conviver e acaba em… barraco. Agora, será que o grosso de tudo isso também não acontece porque, em nosso mundo, acabam se tornando uma única opção? E não que haja apenas um ou dois programas ruins… mas, é tudo mais do mesmo.

O que eu venho pensando é em quando do que está disponível para nós é apenas disfarçado de escolha, opinião ou gosto. O quanto somos verdadeiramente encarcerados em escolhas que já foram feitas por nós e que apenas nos disponibilizam a cartela de cores e não o verdadeiro estoque.

O quanto somos livres de verdade para expressar uma opinião ou uma opção… e quanto mais fora da caixa que nos é oferecida, mais subversiva ela se torna. E onde isso tudo bate nos limites da convivência humana?

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Parece que é um buraco mais fundo que o do Coelho Branco da Alice.

Sem dúvida, a alienação de um povo vale muito para seus governantes. Para quem deseja poder. E aí me vem outra pergunta: poder sobre o quê, cara pálida? Se caixão não tem gaveta????

O nosso mundo pode, certamente, nos oferecer uma vida confortável. Pode suprir alguns de nossos sonhos, nossas vontades… Mas o que é preciso para chegar lá? O que são cada uma dessas coisas? Nossas vontades, nossos sonhos, nossas vidas confortáveis?

O que desejamos, sinceramente, enquanto humanidade?

Talvez, o verdadeiro conforto esteja em sorrir e ter paz no meio de tantos pontos de interrogação. Entre tantas coisas que são forçadas garganta abaixo e nem notamos. Ou que questionamos.

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses. Quem sabe esse seja o verdadeiro conforto.

Pietra

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