Taxi driver

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Dormi tarde e acordei cedo… com esse filme revolvendo na minha cabeça.

Sou uma pessoa pró-clássicos. Até que alguma coisa se prove assim, costumo ter pouco movimento em relação a elas… em termos de Arte, eu quero dizer. Dificilmente alguém vai me ver indo ao cinema ou comprando um livro, por exemplo, porque dizem que é um sucesso ou coisa parecida. Acho que o tempo é a melhor balisa para uma obra.

Penso também, ou vejo por aí, que os amantes dos livros têm suas restrições aos filmes. Pode ser verdade no que vemos em relação aos tremendos cortes ou adaptações que os roteiros passam. Alguns, acabam tornando-se clássicos em si mesmos, como “O iluminado”, filme que Stanley Kubrick fez sobre o romance de Stephen King. São opostos. Ambos, muito bons. Mas, enfim…

Ontem, vi dois filmes numa sentada só. Acho que estava inspirada e ainda não quero ver a versão filmada de “Tempo de Despertar”, do Oliver Sacks, porque estou a 12% do livro… deixemos as surpresas para depois.

Assisti “Misery”, também baseado num livro de Stephen King. Realmente, Kathy Bates dá um show… mas a Annie Wilkes do livro dá muito mais medo.

Na bota, coloquei um desses clássicos que dizem que são obras-primas e devem ser vistos pelo menos uma vez na vida. Como uma pessoa que é mais páginas do que rolos de filme, me arrisquei. Escolhi “Taxi Driver”, do Martin Scorsese.

De fato… mais um clássico. Que daria um bom livro.

O que mais me chamou a atenção no filme é o fato de que ele não é um filme dado. Daqueles que a gente assiste e simplesmente imagina: vai acontecer X, depois Y e acaba Z.

Trata-se de uma história de um sujeito que poderia ser qualquer sujeito, principalmente pensando que ele estava mesclado naquele contexto cinzento de uma Nova Iorque dos anos 70. Poderia ser um cara no centro de São Paulo hoje.

O que me chama a atenção é perceber que o senso de virtude e de benevolência ou justiça se fazem dentro do contexto que cada um carrega dentro de si. Claro que existem regras que devem ser seguidas por uma vida em sociedade harmônica. Porém, o que acontece quando a sociedade não é?

Travis Bickle é um sujeito a beira de um ataque de nervos. Seja por Stress Pós-Traumático – veterano de guerra – seja por um desvio interno que acaba saindo de alguma forma. Sua relação com as pessoas parece livre de filtros, que acaba se refletindo nos espelhos, no seu “heroísmo” e na possível chance dele “explodir” novamente.

E o que me coloca para pensar é o que realmente nos mantém com os pés no chão, não tomando nas mãos determinadas coisas que você SABE que são iníquas. Até onde vai o ponto de tolerância das pessoas ditas “normais”?

Será que não estamos presos em um fazer coberto de açúcar que nos deixa com o estômago cada vez mais fundo?

Não estou sugerindo que devamos sair por aí fazendo justiça com as próprias mãos, mas refletindo até que ponto podemos fazer da nossa atuação no mundo uma que permita uma sociedade mais equilibrada e sã?

Eu não sei. Acho que talvez, a ocupação das escolas, feita recentemente pelos alunos que não queriam suas escolas “reestruturadas” pelo governo do estado de São Paulo foi uma dessas atitudes. Não saiu uma bala. Vinda dos alunos, pelo menos. Mas, seu ponto ficou claro. E nessas, figurões que tentavam prostituir a Educação Pública, caíram.

Até onde vai a nossa responsabilidade com as coisas públicas? Até onde vale a nossa percepção de mundo? Até onde nossas mãos alcançam determinados assuntos…

Conheça Travis Bickle e pense: I’m the man who stood up…

Pietra… you talking to me?

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