Casulando

A tal cirurgia aconteceu. Já não era sem tempo, é verdade. Precisava tirar aquilo que me machucava de dentro de mim. Literalmente. E, a coisa não é simplesmente ir até o hospital, deitar na maca e pronto. Por incrível que pareça, pede uma preparação. Nem tanto do antes. Eu estava bem tranquila. O lance é o depois.   

Pós-operatório é pior que a cirurgia. Certeza. Estou me sentindo aqui, cozendo uma borboleta. 

Quando a lagarta, depois de semanas alimentando-se, prepara a crisálida e torna-se um serzinho pequeno e inerte. Inofensivo, mas também indefeso. Até a borboleta sair, não há independência. Há a transformação. 

Bem… O que vem se transformando por aqui? Muitas coisas e que precisaram de uma semana para sair. Mas, tem mais. Eu sei que tem mais. 

A primeira coisa foi ir ao banheiro sozinha. Depois, desmamar dos remédios Zeusnosajude que eu tomei por meses. Ainda estou brigando com o fato de que estou de repouso na casa dos meus pais. Minha cabeça pensa em tudo que eu poderia fazer. Nem sempre o corpo quer. E como isso gera conflito. 

Tem um corte nas minhas costas. O médico é tão bom que, embora tenha passado por cima da minha flor de lótus, ele não a destruiu. Já senti o buraco. Muito. Agora ele é uma lembrança que ainda tem coisas pra melhorar. O que não temos para melhorar? 

Brevemente, farei um buraquinho no casulo. E estou imaginando o que mais tem para a borboleta que vai sair. 

Pietra 

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