Remédio


Dizem que é remédio, que pra tudo tem remédio. Menos pra morte. Vi uma história hoje. Sobre remédios. E morte. Pegou lá no fundo. Não que eu ache – ou espere – que cheguemos em qualquer lugar perto desse… Mas aqui estamos com o “amado” opioide em cena.

A história que eu li era sobre uma família cujo pai perdeu a luta contra a heroína. Ele fora viciado e, por meio de um programa de reabilitação, conseguiu se livrar do vício. Porém, por conta de uma dor de dente, teve de voltar aos opioides e não conseguiu resistir. Morreu de overdose de heroína. Uma droga legal levou a uma ilegal. Mesmo princípio. Adivinhem o que eu estou tomando? Bem, já soube que a tal codeína ajuda quem está se recuperando do vício em heroína a lidar com a abstinência. Inclusive soube que existem pessoas que tomam cerca de 400mg de codeína por dia para recreação. A bula diz que o máximo a ser ingerido por dia é 150mg. É o que eu tomo. Todos os dias. Isso ou a dor 24/7.

Na internet, eu também já li muitas coisas sobre a condição da minha coluna. Muitos oferecem tratamentos miraculosos que evitam a cirurgia. Dizem inclusive que você poderia conviver com a hérnia de disco em termos “normais”. Sinceramente? EU duvido. Mesmo porque não consigo pensar em um jeito sem intervenção que faça a tal extrusão voltar para o seu lugar e parar de cutucar o meu nervo. Na internet é assim… ou tudo leva ao câncer ou tem uma solução incrível – desde que vc pague por ela, evidente esteja.

O caso é que o opioide virou a minha rotina. E eu fico pensando o que vai ser sair dele. Claro que eu quero que isso aconteça, principalmente, depois que a cirurgia se der. E também não acho que vai ser um caso de vício eterno em codeína, afinal de contas, aqui no Brasil, precisa de receita médica. Eu só estou pensando o que é que ela está efetivamente fazendo pelo resto do meu corpo. Enganando meu cérebro é certeza. E até tem sido bem feito. Mas isso, o tempo dirá e acho que nem posso me preocupar. Uma coisa por vez.

Fato é que, quando entramos numa medicação ela pode até resolver o que ela tem de resolver. Mas, fico impressionada como esse tipo de coisa deixa rastro.

Será que somos essencialmente químicos? Talvez.. Huxley já nos disse que sim. Eu já vi com meus próprios olhos. Acho que o nosso mundo é químico. Não dessas alquimias mágicas ou românticas que gostamos de pensar. As reações do nosso cérebro a cada um dos estímulos nos faz funcionar como somos… Será que as químicas que estamos ingerindo, por um motivo ou por outro, estão nos fazendo melhor do que seríamos? Será que, um dia, vamos reagir sem elas?

Pietra

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s