Ensaio sobre a lucidez

  
Estou lendo “Ensaio sobre a lucidez”, 2004, de José Saramago. Como uma “sequência” a “Ensaio sobre a cegueira”, ele conta a história de um país a partir das eleições que aconteceram logo após o incidente do mal branco. O que acontece é que 83% dos eleitores resolvem votar em branco. O governo, de direita, entende que existe um movimento subversivo e que talvez venham dar um golpe político.

Bem, é curioso, porque em parte eu vejo o que acontece aqui. Quem votou em branco, na história, conta que o fez porque não acreditavam que nem o partido de direita, partido da esquerda ou partido do meio trazem candidatos que lhes representariam. Tomaram uma decisão que lhes cabia como cidadãos. De fato, em nosso país, o mesmo nos caberia.

Fico, então, imaginando se o mesmo se desse aqui. Se todos que se dizem insatisfeitos com o governo que temos e, igualmente, com os candidatos que se apresentaram, vamos dizer para a prefeitura das cidades para as eleições do ano que vem, votassem em branco?

Será que os políticos entenderiam que há um golpe em vista? Que estamos, cidadãos, nos organizando para um movimento subversivo?

O que será que acontece com as pessoas que acabam jogando seu voto em alguém que consideram o menos pior? Fico aqui pensando se precisamos mesmo do menos pior? Por que não o melhor?

Porque a pergunta é: quem é o melhor? Será que existiria um político que não se sujaria em meio aos encanamentos podres do sistema de governo?

O que será que leva, em anos e anos de prática político-partidária que leva à corrupção? Talvez as brechas? Talvez a incapacidade de olhar o dinheiro público como de outros e não sem-dono?

Claro que o melhor jeito de entender como uma pessoa funciona é dar poder a ela. Quantas e quantas pessoas precisarão ser testadas?

Talvez uma solução sonhadora para nosso país seja colocar no poder um grupo de pessoas que nunca esteve lá. Na verdade, mudar todos os funcionários… será que existe um jeito de limpar os encanamentos?

Não é uma questão de ser a favor de X ou Y… PPZ ou PGB ou sei lá. É uma questão de atenção a um país tão imenso. Precisado de tantas coisas.

Pietra

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