A moeda do sexo

Ontem, tardão da noite, estava eu olhando umas coisas na rede… e navegar é assim, uma coisa leva a outra e quando eu me dei conta, estava assistindo aos Webisodes de The Walking Dead. A série em particular, eu curto e acompanho com o B., mas não é minha série favorita. Gosto dela, porém, porque ela tem uma pegada de mostrar a humanidade em uma distopia tremenda e sem grandes regras, como em livros como Brave New World ou 1984. De qualquer forma, acho que é uma imaginação interessante… Um estudo de caso até.

Imagem dos webisodes “The Oath”

Mas, voltando aos episódios de web, que são histórias curtas que contam alguns detalhes que aparecem na série, eu gostei particularmente do último, que inclusive explicado o escrito don’t dead, open inside (sic), chamado The Oath (O Juramento). Além de ter uma qualidade dramática incrível – se fosse um livro, eu o devoraria (hihihi) – pegou num ponto que vem me enchendo a cabeça desde que eu li Ensaio sobre a cegueira. De fato, os webisodes da segunda temporada, Cold Storage, é que tem esse tema mais acentuado, mas de toda forma, a coisa está lá.

Num mundo sem regras e sem leis civis, como essas que estamos sujeitos todos os dias, me chama a atenção como o sexo se torna uma moeda de troca ou de escape, no sentido de que vai para o ponto de onde as perversões saem do armário.

Em estados de excessão, a violência sexual parece se tornar o que é de mais proeminente entre as pessoas… O estupro parece moeda comum ou uma prática aceitável. E fiquei pensando até que ponto esse pensamento não acontece porque estamos em um momento nos quais temos os nossos direitos individuais minimamente resguardados. Não estou dizendo, de forma alguma, que a violência sexual é justificada. EM MOMENTO ALGUM. Mas, ela dança e se esparrama quando o caos se instaura.

Muitos relatos de mulheres durante as guerras, contam sobre isso. Que soldados inimigos e mesmo de seu próprio país invadem locais e estupram mulheres. Na ficção, os renegados no isolamento dos cegos, em Ensaio sobre a cegueira, querem as mulheres como escravas sexuais para liberar comida para os demais. No webisode Cold Storage, o sujeito prendeu a funcionária para ser seu brinquedo. Ninguém, nesses casos, e tantos outros que conhecemos por aí, irá intervir e dizer que aquilo é errado… ou quem diz, perde algo importante, da vida a própria mulher. Enfim… transformar outras pessoas em objetos parece ser um fazer aceitável quando não há regras.

Fiquei pensando também em como as mulheres se tornam vulneráveis por conta de suas vaginas. E como são desejadas. Então, talvez, a melhor saída seja, numa situação hipotética como esta (?), tornar-se efetivamente dona dessa vagina e fazer a coisa correr bem para o seu lado. Claro que nem sempre acaba acontecendo assim, porque muitos são aqueles misóginos que fazem do sexo uma violência, machucando, matando.

O que me mata por dentro é pensar que, no geral, mesmo numa situação que se seja capaz de tomar o controle por meio da vagina, seja ela o mais importante. A descrença de que as mulheres têm suas mentes e espíritos para oferecer. Que podem ser tão líderes e engenhosas como um homem. Afinal de contas, somos todos pessoas.

Temos uma teoria, B. e eu, de que a nossa sociedade é tão sexualizada porque parece que o sexo é a única coisa que as mulheres têm a oferecer. Talvez as mulheres mais livres desse tipo de estigma, martelado por anos e anos dentro de nossas mentes e espíritos, sejam aquelas que pouco ligam para as modas ou os padrões vomitados sobre homens e mulheres, meninos e meninas.

Não acredito que as coisas precisam chegar a extremos. Que para valorizar a inteligência e perspicácia das pessoas, elas devem tornar-se assexuadas. Não. Somos pessoas inteiras. De cabeça e pênis. De cabeça e vagina. E braços, pernas, coração, estômago.

Mas, ainda sou uma pessoa que se impressiona como esse tipo de coisa: vende ou virou tendência de mercado.

Temos tanto mais a oferecer… como pessoas…

Pietra

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