Livros em cima de livros

Terminei “Não verás país nenhum”. Interessante. Instigante até. A escrita é bem gostosa e embora haja momentos que ela pode ser um pouco confusa, acho que vale a leitura tanto pela reflexão que oferece sobre um “futuro” brasileiro – que na verdade, é o nosso presente levado ao extremo – quanto pelas reflexões da personagem Souza a medida com que todas as calamidades se desenrolam.

Então, já que terminei esse, é a hora de retomar “My life in France”, contando as memórias de Julia Child. Muito bem escrito, por sinal. Eu leio e consigo ouvir a voz da Meryl Streep como Julia no filme “Julie & Julia” contando aqueles causos ótimos.

Acho que essa é uma das coisas que eu mais gosto sobre ler livros. Saber da vida dos outros. Fictícios ou não. As experiências alheias podem nos ensinar coisas muito boas. A cozinha de Julia Child, na França, tornou-se para ela o que escrever, em partes, é para mim: um hobbie, um aproveitamento de tempo com algo que, para ela era um talento que foi desenvolvido, para mim, uma distração e um exercício. Sei lá, acho que gosto de contar coisas. Peguei o livro ontem de noite e fui lendo mais um pouquinho. Aliás, fiquei pensando… ela contando que foi trabalhar para o governo norte-americano na época da Segunda Guerra porque queria fazer algo por seu país. Hoje, trabalhamos, mulheres e homens porque precisamos e é isso aí. Poucas pessoas têm a chance ou a possibilidade de trabalhar porque querem. Trabalhar é uma “obrigação”, é o sustento da casa.

Mas…

  
Ontem ainda, eu estava na casa da minha sogra e vi, empilhados em sua estante, livros do Stephen King. “Zona Morta”, “Carrie”, “O iluminado”, “Dança da morte”, “O cemitério”. Não consegui resistir. Fui mexer na tal pilha.

A maioria deles são livros grossos. Contam as histórias de medo que, algumas conhecemos por filmes, algumas das quais já lemos… E a “Carrie” ficou lá olhando para mim. E fiquei curiosa. “Carrie” é um livro curto. 180 páginas na edição que eu vi: Círculo do Livro, 1983. Aliás, me lembro desse catálogo, rodando a casa da minha avó. Minha mãe leu muitos Sidney Sheldon e Agatha Christie dessas edições. Pensei em tudo que eu li sobre “Carrie” em “Sobre a Escrita” do mesmo Stephen King. Sentei no sofá e comecei. Mas, não apenas atraída pela história da menina telecinética, a qual ele já entrega a letra logo no final da primeira página. Fiquei pensando, enquanto lia, que foi o primeiro livro que rendeu algum dinheiro ao autor. Depois, fiquei pensando nos processos todos que ele conta. De edição, de como sua esposa, Tabitha King, o ajudou a desenvolver as personagens “populares” da escola. No que ele contou sobre a limpeza do vestiário das meninas que fez na indústria têxtil onde trabalhou. Estava tudo lá. Pensei em como a história é gostosa e envolvente. Como é bem escrita e prende. Como “O iluminado” prendeu. Aquela obra é a primeira de tantas outras que foram dando a King estofo e criando uma verdadeira “obra”, um conjunto de textos que configuram toda a sua produção. Evidentemente, como todos os livros dele, não tem uma “genialidade” de escrita. Não é uma obra-prima da literatura, mas meus deuses, como prende. E como se desenrola com pontualidade. E mesmo tratando-se de um assunto sobrenatural, como é verossímil.

Conclusão. Fui até a página 40, sentada no sofá da minha sogra. Não tive coragem de pedir emprestado, afinal eu sei que o jeito que minha sogra cuida dos livros dela é diferente do meu e não queria correr o risco de destratar um dos seus. Vou continuar lendo de pouco quando for até a casa dela. Assim, estou lendo um livro em cima de outro livro. E vai ser como aquela série que a gente gosta, mas pega sem querer, um dia, zapeando a tv. Não gostaria de parar com “My life in France” para ler a “Carrie”. Acho que vai ser um jogo divertido. Aliás, MLF foi uma volta triunfante aos livros físicos. Como eu leio na cama, a lanterninha de livro virou o marcador. Quem sabe, depois desse, eu me pegue no “1984”, o último da safra física que eu comprei e ainda não li…

Pietra

PS: eu não coloquei “Carrie” na minha estante. Quando eu terminar, coloco. Quem mais tem uma coleção no GoodReads?

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