Conversando e pregando

Pessoas que conversam como se estivessem pregando. Fico cansada. Ou provoco. Sue me!

Cuidado. Pode morder antes da cafeína.

Todo dia na escola termina com um café na lanchonete da esquina. Virou uma espécie de ritual que ajuda a levar as coisas até às 7 da noite que é quando o B. vem me buscar. Gostaria muito de voltar a caminhar de volta para casa, mas aparentemente minha hérnia não concorda com isso. Como estamos tentando conviver em bons termos, eu tendo a aceitar.

Hoje, fui tomar meu cafezinho feliz de fim do dia. Aliás, bem curioso, que café não me tira o sono. Na verdade, poucas coisas me tiram o sono. Eu poderia dormir em cima do teclado do computador que estaria tudo bem. Mas, enfim…

Tinha um sujeito lá na lanchonete batendo papo com a dona do estabelecimento. Dava para ouvir a voz dele já lá da escola. Uma voz profunda. Ou só era alta mesmo. Falava como tinha parado de beber há 30 e tantos anos. Ok, parabéns. Um excelente feito. Só que… a conversa começou a mudar de rumo. Ele começou a dizer, no meio da história que graças a Jesus ele havia parado de beber e que tinha finalmente descoberto o plano que Deus tinha para sua vida quando parou de beber. Até aí, ok de novo, embora eu pense que se a conversa fosse COMIGO ia me matar de tédio. Acho um pouco chato quando as pessoas, ao invés de te contarem um “causo” ou mesmo uma vitória, começam a pregar. Até pode ser que até aquela hora ele não estivesse fazendo aquilo. Mas, eu gosto de pensar em conversas normais nas quais as pessoas contam suas conquistas, seus sucessos e não daquelas que qualquer coisa que tenha acontecido tenha um ar sobrenatural. Nem mesmo da minha própria espiritualidade. Não acho MESMO que os Deuses estão em cima da gente anotando o que estamos fazendo, vencendo ou perdendo, descontando pontos como um professor cri cri. Acho que olham pela gente? Sem dúvida! Só não acho que absolutamente tudo que me aconteça seja um plano de Zeus para minha vida. Se fosse assim, entrega pra Zeus e segue, certo? Errado! O que é de cada um de nós se amarrarmos o burro na sombra e não levarmos as vidas com os próprios pés? Vamos ter apenas o que o vento trás. Muitas vezes, poeira. O que eu percebo é que a única coisa que cai do céu é raio. De Zeus. E olhe lá.

Mas, continuei quieta. Afinal de contas, a conversa não era comigo.

Até que, no meio do meu cafezinho, o sujeito me olha e diz: Deus pode te livrar dos hábitos. De qualquer vício. Você acha que pode precisar de café, por exemplo,  para seguir seu dia. Mas não precisa. Só precisa ter Deus no coração.

Claro que a conversa não foi nominal. Mas, achei chato. Terminei meu café. Pedi outro. Tomei com gosto. A dona da lanchonete me olhou com um ar de cumplicidade. Disse para ela: “anota os cafés, Nete, que eu te pago sexta-feira”. Ao que ela responde: “não esquenta. Café no fim dia é merecido”. O sujeito se calou. Eu saí de alma lavada e uma energia extra para dar uma geral na sala. Devia ter pedido uma pinga. Aí a conversa ia ficar interessante.

Logo em seguida, o B. chegou para irmos para casa. Graças a Zeus!

Pietra

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