Julie & Julia

O filme “Julie & Júlia”, 2009 , é uma graça e voltou a me inspirar. Sempre tem uma coisa nova nos filmes que a gente gosta, não é?

Bem, vendo o filme no último domingo, me peguei em várias questões. Uma delas foi a cozinha. Essa história de hérnia de disco tira o humor para uma porção de coisas. Fazer a janta nossa de cada dia é uma delas.  Vendo o desafio que Julie Powell se impôs, na vida real, de fazer todas as receitas do livro “Mastering the art of French cooking”, da Julia Child, me deu um gás de novo. Eu gosto de cozinhar. Adoro inventar temperos, misturar texturas. Pedi panelas de presente para minha mãe. Achei que estava deixando uma coisa que me agrada e me dá ânimo passar em branco. Quer saber? Ontem mesmo passei no mercadinho do bairro e estoquei umas coisas. Em tudo dando certo, hoje teremos costelinha de porco assada no molho barbecue de Jack Daniel’s. 

  
Uma outra coisa que me pegou foram as indagações de Julie sobre a escrita do blog dela, contando o desafio. Tudo bem que ela começou em 2002 e a blogosfera era bem menor, aqui no Brasil o acesso à internet era bem mais restrito. Mas ela tinha uma inquietação. Que é a minha tb: será que não estamos apenas jogando palavras num buraco negro imenso que é a internet? Quero dizer, tantos blogs por aí falando de tudo um pouco. Alguns mais famosos, outros anônimos. Mas ainda, estamos usando uma chance de colocar alguma opinião sobre alguma coisa qualquer por aí. Um dia, alguém pesca. Com sorte, seus pensamentos entram em consonância com os de outras pessoas é uma mini rede se forma dentro da Rede Mundial. Tempo, sorte e dedicação, eu imagino. 

Essa mesma inquietação me colocou pensando em termos dos textos que eu escrevo literariamente. Com tantos livros publicados e auto-publicados por aí, o que impede que os meus sejam também mais uma jogação de palavras no void da Amazon? Nada, na verdade. O que me dá estímulo, no entanto, é que cada um deles são histórias que eu gostaria de contar para alguém. Gostaria que se espalhassem. E se tiverem um mínimo de arte e criatividade nelas, quão melhor. B. disse que é um trabalho de formiguinha. Que a gente não tem de escrever pensando em sucesso em massa. É um fazer artístico. Tomara =)

Enfim, o filme foi feito baseado em um livro. O da própria Julie Powell romantizando o que aconteceu nesse período do desafio. Junto com ele, as memórias de Julia Child que foram deliciosamente escritos por Alex Prud’homme . Ambos tenho em casa. O segundo, deixei pela metade, não sei exatamente por quê. E desde domingo estou arrependida em ter feito isso. 

Assim, em um filme de uns 80 e poucos minutos, eu tirei algumas resoluções importantes:

  1. Vou terminar de ler “My life in France”, as memórias de Julia Child. Pocket book, leio rapidinho. 
  2. Antes vou ter de terminar “Não verás país algum”, do Ignacio de Loyola Brandão. Sabe aquele diacho de livro que vc QUER saber onde termina?
  3. Vou ser mais amiga desse blog, coitado. Por mais que sejam palavras no void da Internet, eu gosto do registro que se torna. E é uma boa válvula de escape e de treino de escrita. 
  4. Não vou deixar o fantasma da fome instalar-se na geladeira. 
  5. E daí que meus contos venderam bem pouquinho na Amazon? Prefiro me focar nas boas almas que me deram uma chance e quiçá gostaram do que eu escrevi. 
  6. Vou sentar meu bumbum na cadeira e começar a rechear a história que eu estou escrevendo, um primeiro livro. 

Então, vamos lá. 

Ps. A costelinha ficou boa. 

Pietra

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