Escrita beat

Segundo a amada C., eu ando muito beat (como beatnik)… tomando opióide e escrevendo.

Vou ser honesta. Na verdade, no estado de medicação que eu estou, não tem como não ser. Essa coisa de produtos do ópio fazem uma diferença razoável no seu estado de espírito e de ser. Não estou incitando ninguém a abusar desse tipo de medicamento – mesmo pq, por vias normais, só pode ser comprado com receita e ela fica retida – mas, que mexe com o que vc é, isso mexe. Tem aquele lance de dar um “gostosinho”. Descobri inclusive, que existem pessoas que tomam o mesmo medicamento que eu, em doses de até 400mg por dia, para ter esse barato. Juro, trocaria tudo isso pela beleza de não ter dor, mas isso é outra história.

Nesse momento, seu eu quisesse, poderia dançar. O que eu adoro fazer. Poderia subir ao quarto e fazer mts estripulias. Sabendo inclusive do preço que eu ia pagar amanhã. Coluna travada, por exemplo.

A grande coisa é que parece que existe um senso de paz interna. Que existem coisas que aparecem mais claramente na sua cabeça. Já me questionei várias vezes se o pico da minha produção escrita, quiçá literária, não se deve ao medicamento do que meramente a um talento.

Eu já soube de muitos escritores que escreveram sob a influência de muitas coisas. Não tem jeito. Tudo aquilo que tira o filtro do superego, faz diferença. O que me incomoda é pensar que isso precisa ser uma rotina, caso contrário, não existem ideias.

Sabe, uma vez, eu me cortei sem querer num momento bem ruim da minha vida. E por alguns minutos eu entendi porque as pessoas fazem automutilação. Porque acontece um certo alívio de uma dor intangível. Entendo perfeitamente porque as pessoas bebem… e como o sentimento de ficar “tontinha” deixa as coisas mais leves.

O medicamento faz a mesma coisa. Tomando opióide, eu entendo porque tem gente que se vicia em heroína. Em morfina. Em todos os outros subprodutos do ópio.

A minha pergunta é: quando saímos da desculpa de Heminway para efetivamente sermos donos de nossa produção?

A Musa é eterea. E não precisa desses estimulantes. Eu mesma sou uma pessoa que acha que tomar Aywasca é o fim da picada. Mas isso sou eu. Acredito piamente que somos capazes de fazer pessoalmente aquele olhar por dentro para compreender o que está acontecendo. Podemos mascarar isso com todas as desculpas do mundo? Evidentemente que sim. Mas ainda, as respostas estão todas ali.

Aliás, acho curioso demais escrever tudo isso sob efeito de um remédio. Prometo que quando esse martírio acabar, eu vou continuar nas palavras. Porque eu creio que o que eu sei sobre escrita vai além do vermelho das papoulas.

Pietra

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