Muitas histórias de amor

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Nesta coisa de escrever histórias e se autopublicar, eu tenho me metido um pouco mais nesse universo curioso da publicação independente. Além de aprender bastante, tenho notado algumas coisas curiosas. Uma delas é sobre o tipo de escrita que parece que prolifera loucamente por aí. As histórias de amor.

Não estou fazendo uma crítica direta… na verdade, muitos livros que tratam de histórias de amor tornaram-se clássicos, como “Lolita”, “Memorial do convento”, “Madame Bovary”, “Orgulho e preconceito”… enfim, deu para ter uma ideia. O que eu estou pensando aqui é como isso sempre rola e rolou em termos de escrita. As cartas de amor, os relacionamentos humanos são tão necessários que muitas letras já foram deitadas em papel  e muitas mais ainda o serão.

O que eu estou pensando é que parece que tudo que vemos em termos de lançamentos tem essa temática por trás. Raros são os livros que não tem o amor como protagonista. Além disso, me parece que existe uma necessidade premente de que haja um final feliz, ou que hajam cenas de sexo, ou ainda, que a mocinha consiga modificar o sujeito metido a cafajeste.

Será que tudo isso é tão presente porque é disso que o nosso mundo se trata? Quero dizer, as relações humanas envolvem amor e desavenças, é verdade, e ler e escrever sobre elas pode ajudar a compreender e até fazer uma catarse sobre o assunto. Na verdade, meus contos publicados, necessariamente, tem um subtexto em relação ao amor: um que terminou assombrado, outro do amor de mãe e o terceiro sobre marcas de relacionamentos. Ainda, não escrevi uma cena das ditas “calientes” ou histórias de amor saídas do açucareiro.

Sem dúvida que eu acho que o mundo precisa de mais amor e que seria maravilhoso que as pessoas pudessem efetivamente viver suas histórias e terem sucesso nelas. Que o sexo seja gostoso, que os encontros memoráveis, que se aprenda coisas com os companheiros. Mas nem só de amor as pessoas vivem – gostaria de dizer infelizmente =) Ia adorar que amor pagasse conta.

Fico pensando se estamos num mundo tão carente que o que realmente valha a pena contar sejam os contos de “como mudei meu homem”  ou “como encontrei o amor da minha vida e superei barreiras”. Talvez ninguém mais queira falar do que aconteceu com Julieta… ou com Maria Madalena, como em “O evangelho segundo Jeus Cristo”.

Penso em histórias como “The great Gatsby” ou “American Gods”. Que pode ter a questão romance ou amor envolvidas em suas tramas, mas que mostram a densidade de seus personagens. De gente que poderia ser como a gente, sem misturar água no açúcar… que tem uma vida além de seus casos de amor…

Pietra

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2 thoughts on “Muitas histórias de amor

  1. Histórias de amor sempre existiram, geralmente retratando a vida do jeito que a vida é, ou seja: com paixão, com obsessão, com enganos, com traições, e às vezes até com finais felizes. Penso em Bentinho e Capitu, em Romeu e Julieta, em Riobaldo e Diadorim, etc. etc. Acho que esse fenômeno atual das historinhas água-com-açúcar, todas parecidas, sem nenhum aprofundamento psicológico, reflete tanto o escapismo quanto a falta de cultura dos tempos que correm. E, quem sabe, faça parte desse quadro uma certa estratégia das editoras, receosas de apostar em obras mais densas. Afinal, se pipoca caramelada está vendendo bem, para que gastar dinheiro investindo em carpaccio de palmito com camarão e vinho do porto?

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