Indústria do casamento

Vou me casar pela segunda vez. Se é que a primeira valeu. Tem horas que eu acho que não. Foi uma brincadeira de casinha muito mal sucedida. Pelo menos, no final, não teve uma porção de papelada para assinar. Foi pegar a minha trouxinha e meus bichos e seguir em frente.

Uma história que não é incomum. Muitas uniões se fazem e desfazem, com mais ou menos dificuldades e burocracias. Mas, a vontade de ser feliz ao lado de alguém é como o balanço das ondas.  E acredito piamente que vale a pena. Então… vou me casar pela segunda vez.

O primeiro casamento teve vestido branco. Jantar. Noite de núpcias num hotel bacana. Não teve civil. Não teve aliança de ouro. Não teve final feliz.

O segundo vai ter civil. Aliança de ouro. Almoço. O vestido vai ser azul, em parte pela tranquilidade pela qual vivemos. Em outra parte porque eu adoro a cor. E quero crer que só vou fazer isso tudo de novo daqui 25 anos, para comemorar bodas de prata =)

Nas duas ocasiões, no entanto, o que não teve e não terá é firula. Quando você diz que vai se casar e começa a se organizar para fazer a coisa acontecer é impressionante a quantidade de coisas que juram que você precisa ter… fazer… e, obviamente, comprar. E como é caro!

Fui a uma loja de roupas a rigor para ver o dito do vestido – que eu já sabia que não seria um tradicional “de noiva”. Paguei um aluguel aceitável. Fui à uma loja de alianças comprar as ditas cujas. Caríssimo!!!!! Se a palavra “casamento” entra na jogada, os zeros à esquerda da vírgula triplicam.

Entre outras coisas, você começa a ver: flores, arranjos, comida, a diligência do juiz de paz até o local. Se for feito na igreja e no buffet também, fica “a hora da morte”, como diria minha avó. Todo mundo quer tirar o seu quinhão do dote da noiva. E muitas noivas deixam.

Eu entendo perfeitamente que, na maioria das vezes, existe um sonho envolvido. Um laço emocional, seja dos nubentes, seja das famílias em fazer as coisas como “de princesa”. Mas, se a coisa for analisada friamente, assusta a quantidade de coisas caras e dispensáveis que estão no menu.

Acho o fim da picada pagar 3 mil em um vestido, mais 2 mil em um arranjo para a cabeça, mais o dia da noiva, mais o sapato, mais uma aliança de 6 mil, mais docinhos a 9 reais CADA. Me recuso a fazer as pessoas alugarem uma roupa para a ocasião.

Sem dúvida, o momento do casamento é único. E como é gostoso compartilhar com quem gostamos. A festa, os sorrisos, a diversão e a sensação de estar cercada pelas pessoas que amamos. Mostrar a eles que, de alguma forma, vamos constituir uma casa. Crescemos e estamos fazendo mais um ritual para enfrentar esse mundão – quiçá com mais maturidade.

No entanto, não consigo ver sentido nas firulas. Nos convites com champanhe; nas festas de noivado; nos vestidos que precisam ser aqueles que “eu sempre sonhei”. A impressão que eu tenho é que muitas pessoas se valem desse sonho para raspelar tudo que um casal tem.

Não quero, de forma nenhuma, desencorajar sonhos. Eles são importantes. Mas, mais importante ainda é ter consciência que existem pessoas prontas para fazer seu sonho dividir-se em 24 parcelas IMENSAS.

Sonhar vale… mas com os pés no chão.

Pietra, que chora quando pensa na música que escolheu para entrar =)

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