Desventuras em um hospital

E daí se eu me viciar em morfina? Azar meu que não estou atenta aos desígnios do artigo X do contrato…

Eu pensei em chamar este post de “epopeia”. Mas o que aconteceu de fato não merece um nome pomposo ou um poema heróico. Foi uma tragédia… uma tristeza mesmo.

Há uns meses descobri uma hérnia de disco na coluna lombar. E a danada dói. Sem medicação, ela se torna tão constante que eu sinto que todas as minhas atenções e humores se voltam para ela. Eu deixo de ser eu mesma para ser a dor. Reclamar dela e fazer cara feia.

Tenho me tratado com um excelente neurocirurgião no hospital do meu convênio, aqui perto de casa. Dada a situação da minha coluna, o médico pediu uma cirurgia urgente… há um mês atrás. Entre idas e vindas do hospital, 4 negativas da cirurgia de suposta urgência. Motivo? Carência do plano. Da última vez, foram 12 horas no PS do hospital para tomar um “não” bem redondo na cara.

Chorei. Dessa vez, não foi de dor. Aquela pela qual eu chorei na estrada do PS. Foi uma tristeza profunda de não ver o meu problema ser tomado por quem é de direito. Um hospital.

Assim, tenho vivido de uma medicação que palia o problema, mas não o resolve.

Independentemente da dor ou da situação em si, o que mexe muito comigo é perceber que o problema não pode ser resolvido pelo médico responsável, que aparentemente deseja ver tudo em perfeita ordem. É raspar na lei. A auditoria do hospital não se importa se eu vou tomar morfina por mais dois meses. Eles tão pouco se importam se eu vou ter dor e vou ter que cuidar de crianças com a coluna machucada. Não importa. O que importa é uma data, um escrito que me impede de reestabelecer minha saúde como ela deveria ser.

Eu sei que pode parecer “reclamar de barriga cheia”, afinal de contas, eu tenho convênio, não fiquei numa maca no corredor do hospital, tive respostas às minhas perguntas e não se trata de um caso de vida ou morte. EU SEI de tudo isso. Mas, a faca na carne dói, mesmo quando ela parece bem pequenina. E, se aconteceu comigo que tenho um problema, de acordo com o convênio, eletivo e passível de espera, o que será que acontece com as pessoas que precisam de ajuda imediata?

Para que tanta agonia? Se as coisas fossem feitas do jeito que deveriam ser feitas, que poderiam ser feitas, quão mais simples seria o nosso mundo?

Pietra

Desabafo mesmo…

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