“Parede” e seu processo

“Parede”, de T.C. Morselli – euzinha!!!
O conto “Parede” foi o primeiro que escrevi para o concurso “Brasil em Prosa“.

As histórias podem aparecer de qualquer lugar. Além de ler bastante – o que qualquer escritor deve fazer, como já aconselha o Stephen King – ter ouvidos abertos ajuda muito. Pode ser uma conversa que vc ouve no trem, ou algo que vc observa na rua. Uma das frases que utilizei no conto, ouvi de um casal que discutia no metrô. Imediatamente parei para anotar, porque achei aquilo, além de interessante, real.

O conto “Parede” nasceu de uma notícia do programa “Brasil Urgente”. Eu sabia que não poderia usar a notícia em si, primeiro porque estou bem longe de ser Truman Capote (amo) em “In cold blood”, segundo porque eu imagino que seria um desrespeito com a família dos envolvidos,  mas o mal estar que ficou por trás dela surtiu um impacto que merecia uma conversa.

Começou minha comigo mesma (hihihi) e que foi crescendo depois de uma escrita nesse blog. E o processo de escrita começou. Pensei nos nomes das personagens. Acho que o significado deles poderia dar alguma profundidade à história… depois pesquisem o que “Henrique” e “Seixo” querem dizer. Depois que eles estariam dançando nas páginas e mereciam ser chamados pelo nome.

Depois, veio o momento de jogar toda a história na página em branco. O conto começou com quase 10 mil caracteres. Como era parte do concurso, tive que editar para 6 mil. Terminei com 5,6k. E essa edição de espaço, acabou enxugando a história, o que a deixou um pouco mais coesa. Mais fluída frente aos fatos que apresenta.

Uma das coisas que me chama muito atenção nas histórias são os finais que, não necessariamente são felizes, mas que fazem uma boa amarração com a prosa. Nesse caso, tem um twist no final. Nem sempre precisa ser assim, pode ser apenas o fluir do que está acontecendo. De qualquer forma, achei que para o tipo de história que eu queria contar nesse texto, particularmente, merecia essa mexida nos eventos. Senão, corria até o risco de ser um artigo de imprensa marrom.

Por fim, uma das partes mais interessantes dessa escrita foi “entrar” na cabeça das personagens. Nenhuma delas é quem eu sou, pensa como eu penso. E como fazemos isso? Trata-se de um exercício incrível de se colocar no sapato dos outros e sair para dar uma voltinha. Aos poucos, as ideias daquela pessoa fictícia vão se desenhando. E a história sai da sua mão.

Uma outra coisa que eu tenho experimentado e tenho gostado é ter uma boa ideia sobre o final. Quando José Saramago começou a esboçar “Alabardas, Alabardas”, ele colocou num caderno de notas que já tinha o final da história e como ela seria. Aliás, a coisa de ter notas por aí, ajudam bastante a refinar a ideia inicial de uma história, de um projeto.

Pessoalmente, gosto de “Parede”, mas acho que é o que é: a primeira tentativa pública de escrever um conto. Ainda mais com as regras impostas pela questão do concurso. Valeu muito a pena como exercício e como gatilho.

Para baixar e ler “Parede”, clique aqui.

Pietra

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