“Xê tá maluco?” e quanto vale seu tempo?

Uma nova forma de ficar em fila.

Mais uma do dia a dia.

Estávamos B. e eu numa fila comum a qualquer estabelecimento comercial – era um açougue – esperando a nossa vez de pedir. O sujeito na nossa frente fez a feira de carnes. Juro… queria ter ido no churrasco que ele promoveu. Mas, de qualquer forma, já que lá “teja”, que lá “teje”, que deixe lá “tejar”.

Minutinho antes de sermos atendidos, aparece uma fulana do nada, com uma expressão de urgência e, pumba, entra na nossa frente. Ficou lá esperando sua vez, sendo que atrás de nós já haviam umas cinco pessoas igualmente esperando.

Na paciência de pisciano que o B. tem, explicou para a moça que ela não poderia estar ali, que a fila começava bem lá atrás. Eu já não estava muito feliz, morrendo de dor na coluna, só dei uma olhada. Ela nos respondeu, num português bem carregado, que estava com o carro na rua e precisava ser atendida primeiro. Pra quê?

Começamos a deixar bem claro, naquela expressividade que a ascendência italiana nos compete, que ela tinha furado fila e que não era justo com as outras pessoas. Em inglês ainda, eu saquei: “e não vem fingir que você não entende e que não fala a nossa língua, porque sabemos que entende e sabe bem o que está fazendo”.

Depois da nossa vez, a tal moça foi pulando no atendente, a quem deixamos claro que ela estava lá contra o gosto de todo mundo. Ela arregalou os olhos e disse: “Xê tá maluco? Minha vez!”

Maluco não, querida. Veja bem. Tem duas coisas que a gente sabe bastante sobre o nosso país. Um, é que é o país das filas. Se deixar, a gente para na rua para olhar o telefone e já se forma uma fila atrás. Dois, existe sim o “jeitinho brasileiro” de tentar ter vantagem em tudo. MAS não é pq estamos aqui que vamos aderir a esse tipo de comportamento.

Sinceramente, eu entendo que fila é chato e que dependendo do que vc precisa fazer nelas, dá para ler “Os Lusíadas” até o final. Mas, é o que é. Não tem muito por onde.

Eu faço um esforço imenso para ensinar meus alunos a ficarem em fila e a esperarem a sua vez de fazerem as coisas. Eles reclamam? Muito! Já ouvi mais de uma vez “eu não gosto de esperar”. Acho que ninguém gosta. Mas, se formos dar ouvidos a isso, quantos ansiosos vamos estar alimentando ao invés de ajudar as pessoas a entenderem que o tempo delas vale tanto quanto o de qualquer outro nesse planeta. Não podemos nos deixar intimidar por chiliques ou “você sabe com quem vc está falando?”

Saber o seu lugar na ordem das coisas não significa que vc está sendo doutrinado a se encaixar no sistema e não pensar. Nada impede que fale sobre a demora ou que se busque formas mais econômicas (e legais) de fazer determinadas coisas. Porém, se estamos engajados em uma espera, bem, o melhor que se faz é esperar. Mesmo porque os outros 350 atrás de você também o estão.

Sei lá. Acho que essa coisa de “dar um jeitinho” ou “se fazer de besta para caber na cesta” não pode valer entre nós. Senão, daqui a pouco, vamos estar gritando aleatoriamente na vida por 13 segundos de qualquer espera.

Bom, era isso… precisava comentar esse lance da fila e da espera. Agora, vamos lá que tem uma pilha de roupa para passar e ninguém vai passar na minha frente  – infelizmente.

Pietra

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s