The Bell Jar – A redoma de vidro

Além de ser um livro banido, é um daqueles que sempre figura em listas de livros que precisam ser lidos… por mulheres, uma vez na vida e coisas assim.

Sinceramente, essa coisa de livros banidos me intrigam bastante, pois se a obra chegou ao ponto de perturbar alguém – ou vários alguéns – ela deve ter uma proposta interessante para compartilhar.

Talvez toda obra, boa obra, tenha esse potencial de desassossego, como dizia Saramago. Porque tocam em questões que são tabus ou porque fazem denúncias… ou porque exploram os Diabos das pessoas, dos seus meios de vida. Talvez seja tudo isso junto. Talvez isso tudo seja a mesma coisa.

O curioso é que, como eu já coloquei em um outro posting, parece que a vida da gente acompanha a vida literária que desenvolvemos.

The Bell Jar, da Sylvia Plath é uma obra relativamente simples de ser lida. Revela um jeito “leve” um tema complicado: perceber que você está enlouquecendo. Sem dúvidas que sempre temos nossas pequenas neuroses e vira e mexe são coisas que moram nas nossas cabeças, que podem virar um fardo imenso. Mas, penso eu, estar numa condição clínica de “loucura” deve ser bastante pesado e difícil.

A condição de Sylvia vivia dentro dela. E a levou para um fim triste… de abandono de si mesma. Ela conseguiu colocar para fora muitas das coisas que a incomodavam em seus poemas, mas aquelas palavras não foram suficientes.

E aqui fico eu pensando em quantas situações não nos colocam dentro de uma redoma de vidro que deixam o ar que se respira completamente viciado. Eu me recordo de uma parte da minha vida que tinha um sentimento muito parecido: de ter a sensação de querer respirar e não conseguir, porque todos os meus medos e questões pareciam me envolver de forma a tornarem-se um nó cada vez mais apertado. E talvez aí cheguemos em um momento chave, de estourar a redoma, ou deixar-se aprisionar de uma vez.

Ultimamente, lidando com a dor da hérnia de disco, eu me sinto um pouco assim. A dor física (e não descarto a psicológica, em absoluto) rouba aquilo que somos ou que podemos ser. Ela transforma o nosso rosto, o nosso gosto pela vida. Até as coisas que parecem mais valorosas acabam perdendo seu sentido. Poder quebrar a redoma e respirar de novo é uma necessidade e que pode nos levar a um limite.

A redoma de vidro nos separa transparentemente de nós mesmos. Olhamos para fora dela e nos vemos sendo o que somos, mas nunca entra por aquela parede. Uma das duas pessoas pode pegar o martelo. Antes que façamos o ar ficar ainda mais tóxico e perigoso.

Acho importante a gente poder se espelhar em obras literárias porque elas nos mostram a vida como ela foi, pode ser… E nos ensinam caminhos, para dentro ou para fora da redoma de vidro.

Respirei fundo e ouvi ao velho chamado do meu coração Eu sou Eu sou Eu sou Sylvia Plath

Pietra

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