A vida dentro e fora dos livros

Hoje o blog fez um ano. Então resolvi olhar as postagens de volta, para ter um pequeno panorama do que aconteceu nesse tempo. Eu li bastante, choraminguei um pouco, fiz algumas ponderações. Tivemos aqui quase 850 views e reitero que os postings mais famosos ou com mais visitas foram os de desabafo e pseudo-mimimi – talvez seres humanos buscando espelho para seus abafos.

Quando eu criei esse blog foi mesmo para desanuviar a cabeça. Tirar de dentro de mim coisas que eu li, que eu pensei, coisas legais que eu fiz… Enfim, coisinhas de vida que eu sempre achei que não cabem no Facebook.

Mas, uma das ideias que eu tinha, mesmo antes de começar esse blog e que ainda estão tão presentes é como aquilo que a gente carrega na vida fictícia acompanham a vida não-ficção que temos. E claramente estou falando dos livros.

Eu sigo um board no Pinterest que é uma comunidade de livros, e nela todo tipo de livros, listas, falas de autores, entrevistas, capas etc etc etc, figuram. E isso dá ideias e parâmetros, do que ler, do que não e por aí vamos. Com isso, eu acabo vendo muitas coisas de autores consagrados que aguçam sim minha curiosidade e me fazem ir pela internet buscando os diachos dos livros em formato MOBI – para Kindle – e saciar essa vontade toda de me meter na vida dos outros. Não tem jeito, sempre que começamos uma obra de ficção, estamos entrando numa vida alheia para vive-la com aquelas personagens. Tudo isso começou conscientemente em 2012, quando li “Ensaio sobre a Cegueira”, do Saramago. Daí pra frente, peguei muitas coisas interessantes pela frente que te fazem pensar exatamente no mundo em que vivemos e nas relações que temos com as pessoas.

Nos últimos dois meses porém, eu li 3 livros de não-ficção: A briefer History of time, do Stephen Hawking; Teatro do Bem e do Mal, do Eduardo Galeano; e Don’t know much about mythology do Kenneth Davis. Todos muito interessantes, obviamente, mas sabe quando falta alguma coisa?

Então, ontem, passando em frente a um “sebo gourmet”, segundo o B., eu vi na vitrine uma pancada de livros bons, alguns que eu já li e resolvi buscar mais um livro para me inspirar nesses dias que o blog estava tão parado.

Das listas de livros banidos, escolhi “The bell jar”, da Sylvia Plath. Já foram 10% do livro e o relato é bem interessante. Primeiro que acontece em Nova Iorque, que é uma cidade que dá um caldo literário. Depois que ela vem mostrando uma ideia curiosa e interessante de que ela está vivendo uma coisa que muita gente mataria para ter, mas de uma forma meio distante, quase desdenhosa.

E fiquei pensando um pouco nisso. Penso nisso sempre, aliás. De uma perspectiva de fora, aqui em casa vivemos uma vida boa. Não que fazemos todos os pontos se amarrarem, porque eu imagino que isso nunca vai acontecer… sempre tem uma aresta na vida que precisa de aparos.

De toda forma, a impressão que eu tenho, já faz uns 3 anos é que sempre que um livro “cai” nas nossas mãos, ele vem mostrar alguma coisa para gente sobre a nossa vida, que merece uma atenção. Pode ser sincronicidade. Pode ser o simples fato que a Literatura é uma forma de arte e como tal, é um retrato humano, e assim, nos vemos espelhados nela.

Toda história não termina nela mesma. Ela funciona e existe porque o leitor constrói uma relação com o que está acontecendo. São seres humanos se olhando por meio de palavras.

Eu sempre digo que gosto de conversar com pessoas inteligentes, porque elas sempre nos acordam para aquilo que não sabemos ou para perspectivas que não havíamos imaginado. Notamos a nossa pequenez e até, como dizia o filósofo, para nossa ignorância. O quanto de tudo ainda não sabemos ou não saberemos? É difícil de mensurar.

Por fim, ler livros informativos é ótimo, pois em seus fatos didáticos aprendemos coisas sobre coisas absolutas da vida. Como um estudo acadêmico, científico, medido e observado, relatado e “provado”. A ficção, não. Ela nos leva para as conjecturas e pelos relativismos dos olhos dos outros. Daquilo que pensam e percebem sem a menor pretensão de que aquilo seja medido ou provado. O relato da nossa própria vida é uma versão daquilo que gira no mundo enquanto ele viaja a 30km/s. Todos os dias.

Assim, como no primeiro posting desse blog, quando um livro de uma mulher me inspirou a começar a escrever aqui, sobre mulheres escrevendo no mundo, vem outra mulher, Sylvia Plath e começa a me encher de palavras e sementes de novo. Isso é importante. É o ar que eu leio e escrevo.

Pietra

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2 thoughts on “A vida dentro e fora dos livros

  1. eu acho que eu me encontrei por aqui… rs.

    as histórias realmente não tem um fim em si mesmas… são milhares de tentáculos que nos levam a infinitas possibilidades.

    muito prazer.

    beijos

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