A mulher de muitas faces

Girl before a mirror, Pablo Picasso, 1932.

Olá, meu nome é Tathy Carolina. Mas, muita gente me conhece por aí como Pietra di Chiaro Luna.  Duas nomenclaturas que mudam ligeiramente o modo de ser, ou de se mostrar. Afinal de contas, aqui dentro tem uma pessoa só. Ou tem?

Pietra é blogueira, escritora de ficção, taróloga, esposa, bruxa, amiga. Tathy é professora, funcionária, tradutora, escritora de pedagógicos, dona de gatos, irmã, filha, contribuinte, eleitora, motorista, dona de casa. E cada uma dessas “faces” têm suas interpretações e idiossincrasias tão particulares. Acho até engraçado como tantas coisas cabem dentro de uma cabecinha só. E ela anda ocupada. Acho que é aí que está: qual cabecinha de mulher não está tão ocupada?

A questão e a beleza dessa coisa toda é que isso revela tanto sobre nós e como vamos nos construindo ao longo do tempo. Como passamos de fase na vida, como coisas e assuntos sobem e descem em sua importância. Já fui uma pessoa de RPG, de pseudo-gotiquismo, de Harry Potter, já fui traída, já fui mandada embora de empregos, já saí de empregos, já devi na praça, já fiz minha cota de besteiras e inconsequências (quem nunca?), já apanhei de bandido e fui na delegacia quando o sujeito foi preso em flagrante. Já fiz viagens lindas e aprendi muita coisa. Já já já… E muitas coisas continuam acontecendo.

Hoje a Tathy se preocupa com a pilha de roupa para lavar por conta da crise hídrica de São Paulo. Se os gatos precisam de areia e comida, se os cachorros têm seus petiscos. Marca reuniões com pais de crianças pequenas para falar de coisas ótimas e coisas mais ou menos. Faz planejamento de escola aos domingos de manhã ou sábado a noite e enche a caixa de sua coordenadora de e-mails e ideias. Discute-as com as colegas. Tem vontade de matar uma meia-dúzia que atravancam esse processo todo. Toma bronca das colegas porque marcar reunião com pessoas na hora do almoço – mancada, eu sei. Pensa em planos de aula para um sistema de ensino. Gosta de ensinar professoras em formação. Adora cozinhar. Anda brigando seriamente com uma hérnia de disco, tem horas que até anda muito remediada por aí. Toma porre. Vai arrancar dois dentes. Fala inglês e tira seu sustento disso. Gosta de deitar na cama e abrir seu Kindle nas mais diversas obras. Ah, sim, Tathy é uma pessoa hoje enlouquecida pela Literatura, por causa de uma pós-graduação que fez há um tempinho atrás. Sente falta das sementes que lhe eram plantadas então. Pinta as unhas por conta, porque acredita que é uma forma de expressão artística – sim, ela é ingênua e tola.

Pietra se preocupa com a janta e em acertar no tempero. Estuda mitologia e acredita piamente que os Deuses estão aí para quem quiser ver. Marca consultas de tarot por Skype e ouve as mais diferentes histórias, boas e ruins. Planeja e dá palestras sobre bruxaria e tarot pelo simples prazer de compartilhar aquilo que (acha) que sabe. Desabafa e consola amigas. Rabisca meia dúzia de palavras por aí. Organiza evento de tarot. Gosta muito de tarot, aliás. Faz uma mão cheia de feitiços para ajudar quem PRECISA. Gostaria de ser Celina Kyle. Cores. Ama cores!

Não existe uma grama mais ou menos verde, seja Pietra, seja Tathy. Existe um jardim. E cada uma de suas floreiras tem suas pragas e suas belezas, algumas mais marchinhas, outras bem vibrantes. Talvez a grande coisa da vida seja mesmo sua multitude de interesses, afinal o que tem no mundo? Tudo! Em nossos mundos internos, nos quais nos vemos como meninas ainda, ou que exclamamos como mulheres quando o tempo pede, os nossos olhos não são dois. São tantos como de pavão luzidio. E nem tudo que vêem conseguimos dar conta, para o bem ou para o mal. A alegria que sobe e a tristeza que derruba. Mas, se não fossem esses tantos olhares e as múltiplas quedas, será que não deixaríamos de criar outras penas contemplativas?  Ter alguns entendimentos?

Pode ser que na cabeça de tantas mulheres, de tantas pessoas aqui dentro caibam mais pontos de interrogação do que letras. Ou explicações. Ou ponderações. Quantas mais dúvidas do que certezas. Porém, hoje, já não importa. São por tantos os espectros que fazem dias ganham as suas cores. E cada uma, um traço do universo interno que nos faz a pessoa que acorda, olha do lado e dá bom dia. Que entra na escola com a cabeça em planos, gráficos, diários de classe, o tarot do dia e a vontade de comentar uma história que está lendo.

E você? Quem são você?

Pietra, Tathy… you pick it!

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