To kill a mockingbird, de Harper Lee

ou “O sol nasceu para todos”, na tradução para o português. Facilmente um dos meus livros favoritos, afinal de contas, é impossível ter um só.

Foi o único escrito por Harper Lee, amiga de Truman Capote e ganhou um prêmio Pulitzer. Brevemente, teremos sua continuação – julho de 2015.

É um livro que foi publicado há 50 anos atrás, falando de uma sociedade de 80 anos atrás, na qual a bondade ou a maldade das pessoas era meramente aprendida por meio daquilo que se aprendia ou do que era socialmente aceitável. Engraçado… parece hoje. Certamente, no nosso cotidiano daquilo que é politicamente correto, muitas dessas coisas acabam ficando em subtextos das falas e das atitudes que as pessoas têm – ainda têm. Infelizmente, as nossas mazelas colonialistas ainda nos perseguem e se tornaram esqueletos imensos no armário. De tudo, é bom saber que existe aqueles que percebem a irracionalidade dos argumentos e instintivamente os renegam com reações até orgânicas.

Mas, a história contada pela menina Jean Louise Finch, ou Scout, também fala de amor, de cuidado e de apreciação pelo que é feito e de um respeito imenso pelas pessoas que a cercam e mostram os sentidos que a vida pode ter. É curioso ver a percepção de uma criança sobre o que poderia hoje mesmo sair facilmente no Cidade Alerta ou no Aqui, Agora como um crime conta a mulher… e que não foi. E o quanto o status-quo pode influenciar e, ao crescer percebendo isso, quão pessoas melhores podemos ser?

“As crianças são inocentes”, muita gente gosta de acreditar. Não são. Elas têm uma forma bastante particular de perceber o mundo que as cercam. Sem dúvidas, não notam determinadas sutilezas criadas pelos adultos e disso muitas das perguntas “cabeludas” que as crianças fazem embaraçam quem as cercam. A questão é que, se as perguntas dos pequenos não forem respondidas – e claramente existe todo um cuidado, não para poupá-las do que é sórdido no mundo, mas para que caiba em seu mundo ainda não desvelado – podem tornar-se monstros imensos dentro de suas cabeças. Crianças querem saber por que algumas outras crianças são marrons… por que algumas outras não tem papai e mamãe… como foi que o irmão foi parar na barriga da mamãe… por que o céu é azul… de onde vem o arco-íris… onde mora o papai-noel.

As crianças são pessoas. Não pequenos adultos. São sim vulneráveis a uma porção de coisas que podem deixar um adulto fora de seu prumo. No entanto, é o seu entendimento, dentro daquilo que sabem, conhecem, entendem e percebem que faz com que suas conclusões se formem… até que, quando amadurecem – porque, eu imagino, uma parte de nós não deixa de ser criança, ou jovem, ou ainda, parte de uma imagem de nós mesmos que temos há um determinado tempo de nossa existência – passam a compreender melhor.

Nossos contratos sociais de máscaras e pensamentos socialmente aceitáveis estão correndo o tempo todo. E quem nos dera ser como Atticus Finch, pai da Scout, que era o mesmo homem na rua e no escritório de advocacia. Foi o mesmo homem que sabia atirar, o fez quando precisou, mas nunca, sequer precisou ter ou saber de seus filhos de uma arma de fogo em sua casa.

Quem nos dera poder olhar para um sabiá e saber que ele é um pássaro que não prejudica em nada o ser humano. Tudo que ele faz é cantar a beleza que está dentro de si. Por isso, é pecado matar um sabiá (a mockingbird).

Quando deles não estilhaçamos ignorando o bom coração de quem se preocupa sem interesse, de quem nos quer bem, de quem tem a verdadeira intenção de esticar a mão a quem precisa?

Esse é uma daquelas obras que os norte-americanos são obrigados a ler na oitava série e passam a odiar. Ela é extensa, tem algumas palavras estranhas e talvez se relacione pouco com os interesses de quem tem 14, 15 anos. Acaba se tornando um livro desgostado e deixado de lado depois que se faz a prova ou o relatório sobre ele… como muitos livros que são de “leitura obrigatória” em nossas escolas, exigidos por um currículo engessado ou cuidado por professores com 30 alunos na sala de aulas e com 40 horas/aula por semana. É assim, infelizmente, que as obras primas se perdem… ou se banalizam.

Leitura é uma arma poderosa de entendimento do mundo. De viver outras vidas e de entender outros ou os nossos contextos. Não pode ser maltratada pela imaturidade dos seus leitores. Ah, sim, é um dos livros banidos em escolas e bibliotecas dos EUA, por linguagem ou porque mostra questões de racismo muito claras. Ah… adoro esses livros… sempre têm algo para provocar alguém. Como dizia José (Saramago) que também teve livros banidos (meu herói, meu marginal): escrever para desassossegar! Sejamos eternos incomodados… o que será que desejam nos esconder como crianças que somos lá dentro?

Pietra, lendo livros banidos…

A capa do meu pocket book
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