Chatos são os outros… ou será?

Hoje na fisioterapia – que parece que tira a sua dor com a mão, literalmente – estava eu mergulhada no meu Kindle. Afinal, o que mais há de se fazer quando se toma choques diretamente no nervo doente? Bem, estava eu lá lendo um livro sobre crítica literária na Literatura Infantil (hein?) quando o chato começa a querer puxar assunto com a geral. “Onde você trabalha?”, “Você não vai acreditar por que eu estou aqui”, “Você tem isso? Nossa, eu já tive. Horrível. Aliás, foi uma das coisas que eu tive, melhor perguntar o que eu não tive” e por aí foi. Sinceramente, às sete da noite, eu não tinha coragem de tirar o Kindle da cara nem pra fazer bico ou torcer no nariz, senão capaz de sobrar pra mim.

Foi quando eu me peguei pensando numa das passagens do maravilhoso “To Kill a Mokingbird”, da impecável Harper Lee… Em um momento, o pai, Atticus Finch diz aos seus filhos que para entender melhor as pessoas precisamos dar a volta nelas e estar em seu lugar para ganhar um pouco da sua perspectiva. O que me lembra, inclusive, que preciso fazer um posting sobre o que eu venho aprendendo com esse livro, mas enfim… mais tarde. Preciso voltar ao chato e sua chatice.

Na verdade, fiquei ali pensando em como poderia dar a volta naquela pessoa e perceber o que estava acontecendo. O que será que levava uma pessoa a querer puxar papo com todo mundo, querendo elas conversar ou não. E não sei bem precisar o que exatamente passa na cabeça dela, se é uma questão pessoal de achar que tem o dom da palavra e consegue desenvolver conversa com todos ao seu redor ou se era meramente para passar o tempo, ou mesmo uma certa carência, aquela necessidade básica de atenção. O fato é que, para aquela pessoa, a chata devia ser eu.

Imagino que uma pessoa assim deve pensar que eu, ali, deveria estar evitando – o que de verdade estava – porque sou dessas antipáticas, que não gosta de socializar. Que não conversa ou que não liga para as outras pessoas. Pode até ser. E entendo que cada um tem o seu momento ou, mais amplamente, seu jeito de ser.

O que me parece, muitas vezes, é que “o chato” é aquele que vai um tanto contra aquilo que a gente pensa, faz ou acredita. E que talvez que insista nisso. Temos todos visto isso imensamente no Facebook esses dias. Discussões imensas e até improfícuas sobre política e suas filosofias. Quantas vezes, vendo um posting de uma outra pessoa que vai diferentemente daquilo que pensamos, fazemos e acreditamos, taxamos de chato, bloqueados ou damos o elegante “unfollow”.

Penso que a coisa do chato é a insistência. E fico refletindo aqui o quanto será que os postings desse blog podem ser chatos aos olhos de outros: lá vem essa pseudo-intelectual (eeeeuuuuuu?) falar sobre literatura e os livros maravilhosos (#sqn) que ela lê. E ela insiste e aparece no feed de tantas pessoas. Pode ser que seja isso mesmo, afinal de contas, os postings sobre livros rendem bem menos que os que falam sobre as relações humanas – e se for “bapho” mais ainda.

Não sei. O que eu sei é que vou pensar numa outra abordagem menos “chata” (?) de falar sobre os livros… também sabendo que lê quem quer…

Que coisa chata essa de ficar querer puxando papo, né?

Pietra

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One thought on “Chatos são os outros… ou será?

  1. redito que o difícil mesmo seja respeitar o outro. Pensamos sempre que a outra pessoa vai ter a mesma necessidade da gente. Ando tentado me afastar de estresses online e por isso tenho feito essa coisa de unfollow mesmo.
    Com isso ganhei mais para uma vida com mais qualidade. É bem bom!
    Acho que infelizmente as pessoas estão esperando outras coisas para se distraírem de suas vidas… Mas é aquilo que conversamos: qualidade sempre melhor que quantidade!

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