“O bebê de Rosemary”, Ira Levin e as mulheres negociadas

Mais um que foi pra conta… esse no reader.

Imagem do site “A estante do Visconde” – vale ler a resenha tb!

Li o original – gosto de sentir a linguagem do autor em sua língua nativa, quando eu dou conta dela… Gostei. De muito, quem viu o filme, basicamente, leu o livro. O final tem um toque diferente… mas podemos falar sobre isso nos comentários, afinal de contas, é chato posting com spoiler. Pessoalmente, gostei do final do livro, porque revela bastante da natureza da própria Rosemary (e fico pensando de muitas pessoas que se dizem tão grandes em sua espiritualidade e enfrentam o que ela enfrenta).

O que chama muito atenção no livro é a relação entre Rosemary e Guy, seu marido. Além de topar a “troca” de fama pelo bebê e pela sanidade de sua esposa. Penso que o que Guy faz, não literalmente, mas bem figurativamente, é muito próximo do que muitos homens fazem em seus relacionamentos. Além de ser um sujeito distante e egocêntrico, ele abusa de Rosemary. Nunca fisicamente. Mas, quantos dos abusos que acontecem são necessariamente físicos? Nem todos os homens descem ao nível físico… mas, fazem mal às suas companheiras. Cuidam mal, pouco ligam. Quantos e quantos homens não mantém um relacionamento pela “fachada”? Alguns podem dizer que é culpa dela. Que não saiu. Que anuiu. Talvez… mas, é preciso culpar a vítima? Em momentos turbulentos, quantas pessoas (nem homens, nem mulheres) percebem-se presos em relacionamentos sem saída? Penso que algumas pessoas são tão tóxicas para outras que envenenam de tal forma que o outro mal e mal consegue respirar… A dor que Rosemary sentia era em seu corpo. No entanto, penso o quanto dela não era um reflexo do labirinto que ela se meteu/ foi metida quando se mudou para o Bramford.

O que se dá com o bebê foi o resultado. O final de uma trama que foi feita sem que ela tivesse qualquer consciência ou conhecimento. Quanto disso não acontece todos os dias? Quantas pessoas não são engendradas nos esquemas alheios? Pela vaidade ou pelo orgulho? Quanto de atenção temos de ter em relação a quem está à nossa volta?

Rosemary é uma das tantas mulheres que, tentando viver um sonho, uma vontade que é empregada pelo meio social – ser mãe, ser uma boa mãe, acabou sendo tomada por uma situação muito maior que si mesma. E muito longe do que acreditava ser o ideal. Talvez o ideal não exista, mas será que não pode ser minimamente dentro de nossas possibilidades de conhecimento e entendimento? De lida com o momento?

De uma leitura completa no Kindle, posso dizer que gostei muito. Além de ser extremamente confortável para ler – é leve, tem um tamanho bastante adequado para as mãos, a luz para os olhos é bem gostosa para acompanhar a leitura; o reader também oferece bons recursos como poder fazer alguns compartilhamentos em redes sociais como o Facebook e o GoodReads. Ah, e duas coisas que amei: o dicionário online: vc marca a palavra e o significado vem na tela… e o acesso à Wikipedia para fazer mais pesquisas sobre um assunto, personagens, etc… recomendo bastante. Mesmo porque, os livros em papel, eu sempre leio com o iphone do lado. Tanto para busca de palavras, quanto para essas pesquisas. Quem tiver oportunidade, vale a pena experimentar.

Para a próxima leitura, ainda estou em dúvida. Mas vai ser em papel. Quero liquidar meus livros físicos para poder me encher de livros online… ai, minha santa Wish List, que já tem Roberto DaMatta e Bret Easton Ellis…

Pietra

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