O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

Praticamente lido em uma semana… com um José Saramago no meio do caminho, hihihi

Mais um vindo da Strand Books que foi para a prateleira. Só faltam 2…

Bom, falar de Neil Gaiman é meio que chover no molhado. Quem gosta, ama… quem não, talvez não tenha lido. É um tipo de literatura – sim, são todos pequenas obras de arte, joias lindas em papel – que te toma e te faz pensar, se colocar, se identificar. Aliás, já digo de cara que, para quem está afim de lidar com espíritos, deuses e histórias que não são necessariamente de “bem e mal”, um convite. Penso que não tem como os pagãos, por exemplo, não se prenderem.

the ocean

“The Ocean by the End of the Lane”, foi lançado em 2013 e lembro que foi um furor. Não li na época, mas logo coloquei na minha lista dos que traria na mala. E não tem como se arrepender. Na verdade, desde “American Gods”, eu venho me prometendo a pegar o Gaiman de novo. Teve a “Morte”, que me encantou pela sua leveza e pelos diálogos lindos e entendimento sutil dessa “estada”.

Por fim, lendo “TO@TOL”, eu percebi que, de fato, pouco somos adultos. Claro que somos pelo que fazemos na vida, pelo que a vida nos pede, pelas responsabilidades que tomamos. O que eu acho saudável. O que eu quero dizer é que eu penso que é muito importante tomarmos conta de nossa própria vida e não depender de “um poder superior” dos nossos pais ou responsáveis para fazer o que temos vontade, ou o que precisamos fazer. No entanto, se as fantasias, os pensamentos e o acreditar no que nem sempre vemos, mas certamente sentimos, existe ainda uma criança. Ou somos crianças que cresceram e tomaram um mundo…

Eu tenho algumas coisas assim… eu tenho medo de saci. Acredito que a Terra é viva e pulsante. Que o Sol nos observa e nos inspira. Que as pessoas se conversam por meios não verbais. Que existe uma felicidade plena em divertir-se com pequenas coisas. Que é possível fruir do mundo com aquilo que não é comprado. Que sorrir e elevar-se é primordial. Que, por vezes, nos integramos a um oceano que é o mundo, além dessa fachada de contas, responsabilidades… que somos plenos como  pessoas livres para explorar pensamentos e viver coisas com o seu melhor.

A literatura é maravilhosa porque ela nos mostra em letras pensamentos que temos ou que aprendemos a ter e, nos tornamos mais completos. Somos livros que vão sendo completos por muitas mãos: as nossas próprias, as dos autores que amamos, dos compositores que nos dão harmonia.

“Oh, os monstros têm medo”, disse Lettie. “É por isso que são monstros. Quanto aos adultos… ” Ela parou de falar, esfregando seu nariz cheio de sardas com o dedo. Então, “vou te dizer uma coisa importante. Adultos não se parecem com adultos internamente. Por fora, são grandes e não pensam direito e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles são como sempre foram. Como eram quando tinham sua idade. A verdade é que, não existem adultos. Nem um, no mundo todo.” Ela pensou por um momento. E sorriu. “A não ser a vovó, claro.” – pág. 112, tradução livre minha.

E penso quem não se sente assim… criança por dentro, com tantas coisas que talvez não contasse para outros adultos, ou dono de um mundo interno, um oceano de pensamentos e sentimentos tão particular e tão compartilhado por todos nós. Sereias nadando juntas =)

“The Ocean at the end of the Lane” me fez ronronar em pensamento e em espírito.

Um livro “Temperança”…

Pietra, pensando no que vem em seguida na vida literária.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s