Ah, José, que saudade de vc!

Ontem, numa esperada ida ao hospital, li numa sentada o primeiro livro que baixei no Kindle (ao qual farei comentários abaixo): “Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas”, de José Saramago.

Do Kindle: comprei o reader porque o “Dr. Sleep” foi um livro discômodo de ler. Muitas páginas, pesado… meio chato fisicamente de ler na cama… e fiquei imaginando o que seria ler “Game of Thrones” na mesma pegada. Ou livros como esse. Mais que isso ainda, o preço dos livros me chamou a atenção, pois muitos livros impressos custam muito mais que os tradicionais R$20 que é a média dos ebooks. Sinceramente, eu não acho que é o suporte que faz a coisa acontecer: é a história, sempre. Elas precisam ser contadas, não importa o meio. Assim, se alguém me perguntar, eu diria faça. Só vale pensar que se trata de um reader preto e branco, então talvez não seja o melhor para graphic novels ou coisas assim. Para livros, no geral, faz um ótimo trabalho.

Do livro… Ai, José, que saudade de você!

Trata-se de uma obra que foi publicada postumamente. Foram publicados os 3 capítulos que foram encontrados no computador de José, juntamente com notas pessoais sobre o processo de escrita. José já estava com a saúde bastante frágil quando começou a trabalhar nessa história. Foi logo ao final da promoção de “Caim” e inspirou-se numa ideia que ainda pensava em como romancear: por que será que nunca se ouviu falar em greve em indústrias bélicas? Além disso, os relacionamentos humanos são postos, afinal, o que são as questões éticas se não estão ligadas às formas com que as pessoas lidam umas com as outras, suas ideias.

José nunca deixou de provocar as pessoas. Seus escritos, seus pensamentos sempre puxam fios de reflexão, de como podemos viver para sermos éticos e virtuosos frente às maiores impiedades da sociedade?

No livro ainda seguem textos sobre a obra de Saramago e com reflexões sobre essa obra em especial e algumas outras. Para quem gosta da obra saramaguiana, um must read.

Bateu uma saudade imensa… aqui, o vazio ficou até pela falta do ponto final na última sentença. No entanto, de qualquer forma, a maioria dos livros de José deixam um vazio, um pensamento de: “o que farei da minha vida depois dessa história?”

“É o que as palavras simples têm de simpático, não sabem enganar” – José Saramago – “Encontrar palavras simples é a ocupação mais complicada que um escritor resolve realizar. Palavras simples incapazes de enganar. Palavras talvez capazes de ser felizes” – Roberto Saviano, Eu também conheci Artur Paz Semedo

Pietra, saramaguiando de saudade

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