A dor dos outros…

Correndo um sério risco de perder amigos e não influenciar pessoas, eu estou precisando colocar algumas coisas pra fora do meu sistema.

Eu sei que coisas estranhas acontecem com pessoas. Sempre. Talvez todos os dias. Por vezes, nos pegamos presos em um ciclo vicioso de ocorrências com as quais não concordamos e, de alguma forma, anuindo a elas. Também sei que existem coisas que afetam mais e menos aos seus expectadores e àqueles que vivem a situação e que são necessárias horas e horas de catarse oral para que uma vivência torne-se minimamente menos dolorida para algumas pessoas.

No meu dicionário, uma das palavras mais importantes é lealdade. E nela estão implícitos e até, explícitos determinados movimentos de vida. Eu bodeio com pessoas as quais eu mal conheço porque pessoas que eu amo ou que considero imensamente bodeiam-se com elas. Algumas vezes, eu entro em determinado estado com pessoas que não consigo me importar com o que dizem. É evidente que eu sei que existem dores e direções que são exclusivamente minhas. E não espero que amigos ou amados entrem na mesma vibe que eu. A questão é: e quando entram?

Muitas vezes, numa mesa de bar é relativamente fácil demonizar outrem baseado apenas na nossa história. E longe de mim de dizer que isso não é válido, porque sim, ajuda bastante. Há momentos que são apenas para limpar o sistema e começar de novo. Porém, coisas que acontecem tornam-se verdadeiros traumas, pois, como é da palavra, marcam, quebram.

Imagine que sujeito Y quebrou seu braço. Não necessariamente num ato deliberado, mas o qual, não é possível que não se sabiam os riscos. Muitos vem e assinam o seu gesso. Então, quando você o tira para ir brincar de novo, aqueles que assinaram pegam a bola e levam para quem o quebrou. E por mais que tenham indignado-se com o que foi feito, resolvem aparecer em abracinhos e sorrisos ao lado de quem te feriu.

Nem todos os seus amigos tomaram as suas dores. E isso você entende. Outros, nem assinaram o seu gesso. Mais alguns, mal e mal sabem que vc quebrou o braço. Justo para tudo isso. Mas… e aqueles que estavam com vc no hospital?

O que eu quero dizer é que ninguém é obrigado a tomar as dores ninguém. No entanto, eu sou dessas pessoas, que acreditam em lealdade, e compram algumas dores. Aquela coisa de: mexeu com meu irmão, mexeu comigo?

A minha reflexão é: se eu tomar as dores de alguém e, junto com ela, fazer uma catarse imensa do que foi feito e sentido, quando é que entra o perdão ou o entendimento? Há sempre um lado preterido?

O que cada um tem feito com suas dores? Engolindo-as e confraternizando com o potencial assassino?

EU não sei… e cada cabeça um sentença. O que eu sei é que talvez meu coração, e meu estômago, não sejam tão grandes quanto de pessoas que passam, que estendem a mão para ambos os lados.

Também não sei o quanto vale a pena não querer se envolver com aquilo que fere seus princípios.

Mais uma confusão para encher a cabeça no final de semana.

Pietra

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2 thoughts on “A dor dos outros…

  1. Eu acho que em certos casos não é apenas defender o outro, mas também corroborar com comportamentos lamentáveis. E outra: tenho ao longo dos anos percebido que quando uma pessoa dá mancada forte com alguém, vai certamente fazer de novo com outro. E a questão é que esse outro pode ser justamente quem passou a mão na cabeça né?

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