Oh, Brave New World Revisited

Terminei de ler “Admirável Mundo Novo” já faz quase um mês. Estou atualmente na sequência de “O Iluminado” do Stephen King, “Doutor Sono”. Mas, não vim falar sobre ele. Vim insistir um pouco no livro do Aldous Huxley.

Aliás, apenas uma nota rápida: é sensível a diferença entre um clássico e um livro comercial. Não estou dizendo que o Stephen King seja ruim, mas o Huxley escreveu num âmbito mais profundo, tinha um estilo mais precioso, por assim dizer.

Depois que eu o terminei, não tem um dia que passe que eu não pense nele. E volto para aquele pensamento bobo sobre os clássicos. Sim, eles têm de ser lidos; além de impressionar o diálogo que tem com o mundo hoje.

De tudo, o que me parece que é que Huxley não tinha uma visão do futuro. Ele estava simplesmente descrevendo o mundo como o via. E parece que em oitenta e tantos anos pouca coisa mudou. Claro que não estou falando da distopia, que aliás pode ser apenas uma metáfora… eu estou falando das classes, do condicionamento… Ao que me parece, a partir do momento que alguém tem algum dinheiro para ganhar com alguma coisa, tudo isso se constitui.

Fico pensando nas várias coisas que enfiam nossa garganta abaixo para gostar. O que se diz que é bom, que na verdade, é conveniente vender. E como, mesmo com cabeças esclarecidas e pensantes acabamos caindo em algumas delas. É impressionante como tudo se massifica. Meu avô dizia que se colocássemos fumaça em latas e tivéssemos um bom apelo, venderíamos. Agora imagina isso numa industria imensa que quer que vc consuma… vira febre. Pode ser que suma, esvaneça. Mas até lá, muito dinheiro foi queimado e muitas opiniões formadas. Fico pensando que escolhemos poucas coisas em si. Escolhemos entre o que nos é oferecido. Sem dúvidas que podemos pesquisar e ir além, pensar fora da caixinha. Porém, nem sempre é o caso.

Das castas, me parece que as pessoas foram feitas para serem de um determinado jeito, valendo-se do mesmo processo de massificação. O povão que vai te atender num domingo à tarde, quando poderiam estar fazendo compras como vc, geralmente é educado (ou pouco educado) para ir além disso. De novo, sem dúvidas há excessões, mas, por vezes, o que não faz por dinheiro, por necessidade?

E qual é a necessidade de uma sociedade de consumo… desde os primórdios da colonização? Ter quem produza a custo baixo… que esteja sempre disponível.

Fiquei pensando nisso quando fui à uma grande loja comprar umas molduras. Feriado de Carnaval e tinha alguém que estava lá. Obviamente que trata-se de um trabalho digno e que a pessoa está garantindo sua vida e da sua família. Mas refleti: eu estou no feriado… ela não. O mesmo acontece, em sua contrapartida quando eu fico na escola além do horário esperando uma família que ainda não pegou seu filho até os 45 do segundo tempo. Não se trata de uma reclamação ou de um desagravo. É uma constatação – que inclusive faz parte do job description.

Ainda não vivemos num mundo onde as crianças são criadas em massa… pelo menos, não literalmente. Mas quanta coisa que não se incute nas crianças, desde tão cedo? Rosa para as meninas, azul para os meninos – isso só pra começar?

Não sei. Tem horas que parece que para lutar contra o sistema temos de estar dentro dele. E quanto dele não está dentro de nós?

Pietra

Todo homem que sabe ler tem em seu poder a capacidade de crescer, de multiplicar os jeitos em que existe, de fazer sua vida completa, significativa e interessante. – Aldous Huxley
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s