Oh, brave new world!

Ainda estou lendo “Brave New World” (Admirável Mundo Novo), do Aldus Huxley, e preciso dizer que não estou conseguindo largar. Mais um, aliás. Bons textos são assim… eles grudam. E numa perspectiva mais refinada, ele é um texto que tem um diálogo imenso com o leitor, mesmo tendo sido escrito há 83 anos atrás.

Tenho pensado que a grande conversa dele pode ser como partes da sociedade pode ser condicionada a ser o que é e como a existência de determinadas sensações ou sentimentos são parte da natureza humana, não importa o quanto trabalhe-se para que desapareçam: a tristeza, o sentir-se inferior frente ao que é dado como padrão, a poesia que precisa sair da alma humana.

Ainda é curioso como é possível, ao longo do tempo, transformar conceitos que podem parecer completamente triviais em coisas obsoletas ou mesmo, ofensivas.

Da primeira, não precisa ir muito longe para notar como determinadas coisas tornam-se “marcas” de um determinado grupo social. Por vezes, encontramos pessoas que parecem vestir a mesma coisa, ou gostar da mesma música… quase como se estivessem sob algum estado de hipnose ou condicionados mesmo a achar que aquilo é legal ou adequado. Muitas vezes, acabamos gostando daquilo que nos dizem que devemos gostar. O resultado? Falta de vontade de ir além e chamar o que vai de “alternativo”.

Em relação a sentimentos e sensações, talvez estejam dentro da memória biológica ou no inconsciente coletivo. Penso que a vontade de criar e de sentir sobre tudo isso é inerente à vontade humana de mostrar-se como tal. Sem dúvidas, podemos buscar formas de suprimir isso tudo e derreter-se numa massa comum. Só acho que emoções sempre estarão colocadas dentro de nós.

Por fim, a inversão de ideias e conceitos é o que mostra como a sociedade e a cultura são vivas. Como isso tudo pode mudar de acordo com a conveniência do grupo e do tempo. Talvez sem isso, a História não se desenrolasse. Claro que sem entrar no mérito de refletir se essas mudanças são boas ou ruins ou para quem… É só olhar: escravidão há 300 anos, era ok… aceitável… hoje, é crime. Há 50 anos, casar-se fora da igreja católica era inaceitável, hoje, bem… acontece todo o tempo e ninguém se importa… ou poucos se importam.

De tudo, fico pensando em quanto tudo isso é complicado, afinal o que é bom ou ruim acaba caindo em um imenso subjetivo.

Quando eu terminar o livro, tecer-hei mais algumas linhas sobre essas polêmicas postas.

Pietra

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