Joelma

Não é a cantora… ela ainda canta? Bom, não importa… mesmo.

Tudo isso começou numa conversa com uma amiga semana passada. Trocávamos ideias sobre o quanto nos prende e nos interessa histórias “sombrias” de lugares e pessoas. Talvez por não fazer parte direta de nossas vidas, por curiosidade “mórbida”, por tentar entender por que algumas coisas acontecem e até que resultados elas causaram: físicos e metafísicos.

Uma de nossas considerações foi como alguns fatos de vida real podem ir muito além de ficção. Evidentemente, existem obras que nos prendem e nos colocam pra pensar muito sobre elas, por vezes, pedindo até uma catarse, um closure. Foi o meu caso com o livro “The Shining. Precisei fazer pesquisas, ver alguns documentários, ler entrevistas e coisas assim. Acredito que foi um jeito de me despedir das personagens e do que foi contado. Foi um pouco difícil escolher outra leitura – o que agora consegui e já estou apaixonada (mas sobre essa nova leitura, vamos depois).

Outra coisa que fiquei pensando com o B. foi o quanto fatos podem deixar impressões em locais – o que era uma questão em “The Shining“. Aliás, me deixou refletindo sobre como uma das casas que eu morei pode ter ficado bem assombrada por tristeza e o último apartamento pode ser um local para uma outra família ser bastante feliz.

Dias depois dessa conversa, estava eu para pegar um ônibus na Avenida 9 de julho e percebi que estava bem na frente do terminal Bandeira. Não me fiz de rogada e comecei a olhar em volta. Dei aquele Google para descobrir onde ficava o antigo ed. Joelma – q eu já sabia que era por ali. Qual não é a minha surpresa? Estava na frente dele, do outro lado da rua. Assim, dava pra ver o prédio todo em seu esplendor amarelo. Na hora, me peguei na maior viagem sobre o que aconteceu com o edifício em si e com as pessoas que estavam ali.

Sem dúvidas, existem muitas histórias e muito se diz sobre o quanto de salas vazias ainda estão lá mesmo depois de 40 anos do acidente. Também pensei em como um local corriqueiro como aquele poderia guardar tanta história e sim, tanto sofrimento. Corri para mais pesquisas nos dias que se seguiram. O lugar em si, parece que carrega muita coisa ruim, porque antes do incêndio, houve um crime pavoroso acontecido ali em 1948. E existem algumas teorias de que aquilo, juntamente com outros acontecidos ao longo da história de São Paulo, contribuem para seja um local “amaldiçoado”.

Uma das coisas curiosas dessa história toda, é o lance das 13 almas. São pessoas que foram calcinadas dentro do elevador e não conseguiram ser identificadas. Estão no cemitério da Vila Alpina, SP, e diz-se que essas almas intermediam graças… e o pedido é jogar água sobre os túmulos. Achei incrível isso. Não que, necessariamente, aqueles espíritos estejam ali e precisem daquela água, embora eu acredite que se o corpo é destruído dessa forma, o espírito não volta na forma que conhecemos. O que eu quero dizer é que para a cura deles é necessário tempo e uma “infraestrutura” que não os deixaria presos ali… Porém, a emoção que se impregna nos corpos pelo acontecido deve sim mexer com toda a energia envolvida… E dessa forma, ouvir pedidos de socorro e a coisa toda. Aliás, eu imagino que, no próprio prédio isso pode acontecer. E lá, sim, dado a forma com que algumas pessoas morreram, os espíritos devem vagar. Então, imagina: emoções de medo impressas nas paredes mais espíritos perdidos, que não conseguiram sair dali. Deve ser um inferno na terra estar naquele imóvel.

Eu até achei que o local tem um ar meio “assustador”, eerie mesmo. Por vezes, parece que o prédio quer te engolir. Claro que pode ser uma sugestão minha, sabendo o que aconteceu. Mas que não seria legal trabalhar ali, não seria… É. O “saber” muda muita coisa. Talvez um estrangeiro que passasse por ali não perceberia, e o prédio passasse como mais um que está na rua. Porém, penso que para os mais sensíveis, algo deve chamar a atenção. O que eu quero dizer é que o tanto de coisas que um local carrega, deve emanar de alguma forma. E sejam por fantasmas como os concebemos ou pela impressão coletiva que o lugar agrega, afinal, muita gente sabe o que aconteceu ali, estar ou passar por um lugar assim, mexe com os sentimentos e com as sensações. Talvez, o inconsciente coletivo ajude essas histórias – e sentimentos – a se manterem pelo tempo. Como tantas coisas, o quanto de todo esse “susto” não fica na nossa cabeça?

Eu insisto num ponto que toquei no posting sobre “Morte não narrada”. O ser humano mantém sua humanidade pela contação de suas histórias. São como pegadas. É o que desejamos saber sobre o que acontece conosco como um grupo. Talvez fiquemos refletindo no que poderia nos acontecer. Queremos saber o que se passa entre as pessoas. Afinal de contas, é o que somos. Quem sabe não é a curiosidade de perceber o que se estabelece entre o nosso grupo (humano). Ainda gostaria de poder entender melhor o por quê temos atração por histórias tão extremas…

Pietra, que adora descobrir pessoas que têm as mesmas curiosidades que ela…

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