Ressaca literária – post longo, se preferir, espere o filme =)

Aquela hora quando acabamos de ler um bom livro e ficamos tristes porque foi o fim!

Primeiramente, eu preciso dizer… esses não são os postings mais famosos do blog, os literários. Os de unha rendem muito mais. O que, em si, não me chateia, afinal de contas, gostamos de tantas coisas juntas e  misturadas, não é mesmo?

Esse ano foi muito profícuo em termos de leituras. Acredito que eu nunca consegui ler tanta coisa boa em 365 dias… e isso, sem dúvida, faz com que terminemos o ano numa tremenda de uma ressaca. Que foi recorrente, preciso confessar… de divagar longamente sobre a história, o que mais de seus personagens, ou o estilo do autor e, sempre, meu Zeus, de onde essas pessoas tiram essas histórias, essas palavras.

O primeiro livro do ano foi “Incidente em Antares”  de Érico Veríssimo. Aliás, piu vero em termos de estilo e do que retrata sobre a nossa vida brasileira. Além da coisa toda da realidade fantástica e da delícia com a qual o autor leva a narrativa – não dá pra largar (mesmo) – as ponderações sobre a nossa feiura como sociedade e de como podemos ser descartáveis como pessoas – mortas ou não – faz pensar bastante. Fiquei refletindo também o quanto de nossos defuntos não levantam-se e ficam fedendo na praça… Aliás, como essas coisa de brincar literariamente com a morte é um tema atraente. Não consegui de deixar de lembrar da leitura de “Intermitências da Morte”, do Saramago… tudo bem, duas ideias diferentes, mas lá está ela, sorrindo para nós.

Depois, por influência de um livro sobre a cozinha das escritoras, o qual eu já escrevi aqui, acabei mergulhando em Virginia Woolf e suas obras. Comprei inclusive uma compilação excelente, “The Selected Works of Virginia Woolf”Obviamente, também houve uma influência de “As Horas“. Enfim, o que dizer de Virginia? O estilo encanta e te ensina tantas palavras quanto cabem em seu buffer – se ler o original… Suas ideias sobre produção literária e de uma vida que pode ser aproveitada e depois é tomada pela fraqueza, a observação da multitude que o ser humano por ser… está tudo lá. Esse ano aproveitei bem “Mrs. Dalloway” e “A room of one’s own“. Ainda quero ler “Orlando” com calma. O que mais me pegou nas obras dela foi o quanto as mudanças fazem coisas com as pessoas que são nada aparentes… e quanto é rápido ter percepções do outro pelo nosso prisma. É quase instantâneo.

Então, por diversão e leveza, resolvi ler “Breakfast at Tiffany’s“, do Truman Capote. Lindo, leve, bem escrito. Libriano de verdade… e ainda, com umas noções curiosas de como a vida se desenrola, muitas vezes, sem uma necessidade absurda de dramas e de mi mi mi. A Holly vivia o que acreditava e deixou muita coisa para isso… mas sem agressividade. Ainda, o importante é que tudo dá certo para o gato (spoiler), mas é diferente do filme – que, aliás, achei lindo de fotografia e bem fraquinho de roteiro.

E foi quando, ainda apaixonada pelo autor libriano com lua em escorpião, como eu, comprei “In cold blood“, do mesmo Truman Capote. O que foi muito interessante é que esse livro marca um novo estilo de escrita que consagrou – com toda razão – o autor: a ficção jornalística. A história contada no livro é verdadeira e muito do que foi colocado foi escrito por meio das entrevistas que Capote fez com as pessoas do lugar e com os assassinos da família, porém tudo foi colocado para acompanhar como um romance mesmo. Interessantíssimo, tanto pela habilidade de escrita como pela vista dos envolvidos e como cada um sentia-se frente ao ocorrido. O que pensam os assassinos? Os familiares… e o desfecho da coisa toda, embora conhecido, porque foi jornalisticamente documentado e para saber da história toda basta entrar Wikipedia, mas o jeito que foi colocado deixa você saber de vários lados do ocorrido.

Ainda esse ano, li um gênero que para mim não é tão familiar, mas a trama é extremamente envolvente. O teatro. Ganhei da minha cunhada a primeira edição de “The Cocktail Party” do T.S. Elliot. Pensei muito em “Mrs. Dalloway” pela exposição das pessoas em torno de uma festa e como o caráter de cada um vai se desenvolvendo, além de demonstrar como algumas situações na vida vão nos tomando de uma forma que não conseguimos sair delas, ou não percebemos um jeito de sair. Como o envolvimento emocional é mesmo um véu sobre a razão e a percepção do mundo.

Por fim e por enquanto o último que eu li porque não consegui ainda fazer uma catarse dele, foi “The Shining” do Stephen King. O filme é muito aplaudido e como peça cinematográfica, bem feito e cheeeeeio de polêmicas e teorias da conspiração. E preciso dizer que foi o final que me compeliu a ler o livro, além do clássico de Joey Tribiani e o colocar do romance no freezer. Bom… primeiro de tudo, me impressionou a capacidade narrativa do autor e como é difícil largar o livro, pela trama, pelo fundo das coisas, das explicações antes de jogar o terror propriamente dito na história. Depois, o desenvolvimento das personagens é muito intrigante e como objetos inanimados fazem seus lugares como personagens importantes. E (spoiler) embora o final não seja “misterioso” como o do filme; não tem aquela pegada “o que Jack Torrance está fazendo naquela foto?”, ele te coloca dentro dos olhos das pessoas envolvidas naquela psicodelia toda e te faz muito pensar: e se fosse comigo… ou ainda, nossa, muito poderia ter sido… sensacional.

Longo, né? Claro que houveram outras leituras, mas acredito que essas valeram nota pelo impacto estético e reflexivo que tomaram. Espero que ano que vem eu consiga ter leituras tão boas. Já coloquei mais um Saramago no criado mudo… “O Ano da Morte de RIcardo Reis”  e estou fazendo uma wish list… tanto por autor e vontade de conhecer novos estilos quando pelo buzz… “The Ocean by the end of the road“, do Neil Gaiman – quem não amou “American Gods” ou as histórias da Morte (olha ela aí novamente)… “To Kill a Mocking Bird“, da Harper Lee; “Doctor Sleep“, do Stephen King, como sequência do “The Shining”; terminar finalmente “The Catcher in the Rye”, do Salinger e, quem sabe, dar uma chance a Jane Austen… ainda não sei. Uma coisa eu sei: vou tentar arrumar “Alabardas” do Saramago e ler uma obra que não terminou… isso sim vai ser uma tremenda ressaca…

Obrigada a quem leu o posting até o final. Vocês foram bravos como os Stark =)

Pietra, que pretende fazer um Breakfast at Barnes and Noble em breve

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