O Dia do Curinga, de Jostein Gaarder

Ao terminar “Mrs. Dalloway”, decidi que precisava de uma leitura mais leve. Então, olhando a minha interminável pilha do “para ler”, peguei “O Dia do Curinga”. Eu havia comprado esse livro ano passado, se eu não me engano, porque achei que ia ser legal ter um texto na pegada do “Mundo de Sofia”. 

Em termos literários, aqui temos um texto beeeeeeeeeeem mais simples em escrita e mesmo em trama. Como no “Mundo de Sofia” há uma espécie de história dentro da história e a grande pegada é como as pessoas podem desenvolver um pensamento filosófico. E, embora as colocações sejam bem simples, acredito que seja uma forma interessante de introduzir esse pensamento racional sobre o mundo.

Algumas das propostas que são colocadas no livro é que algumas pessoas são curingas – como o Louco, do tarot. Pessoas que não se encaixam em nenhum dos naipes, em nenhum dos estereótipos, pessoas que têm mais consciência de sua existência e por isso, transgridem regras e buscam respostas. A vida não é dada de graça.

Não posso dizer que eu não concordo com esse tipo de afirmação, porque, mergulhados num mundo como o nosso é muito fácil tornar-se massa de manobra, de cair dentro das engrenagens de um sistema que faz o mundo girar. E por mais que tentemos, muitas vezes, não nos deixar levar, acabamos como os ratinhos do flautista de Hamelin.

Ainda assim, é bom pensar que podemos sim sair da caixinha e que podemos inclusive nos render às nossas limitações de pensamento e entendimento, o que não quer dizer que não podemos tentar diferentes estratégias para pensar e para entender. E, como sempre, quanto mais a gente pensa, mais perguntas faz e assim, quiçá, não deixaremos nunca de pensar.

“Depois de algumas especulações filosóficas, cheguei à conclusão de que ela talvez fosse um exemplar tão raro quanto um curinga feminino. Pois ela acenava para si mesma, isso significava que tinha consciência de sua própria existência. De uma certa forma, ela era duas pessoas. De um lado, era a mulher que estava no salão e passava batom nos lábios; de outro, era a mulher que acenava para si mesma no espelho.” (pg. 170)

Engraçado que, depois de ler “Mrs. Dalloway” e perceber os mil mundos que se passam com as pessoas, é curioso ler um livro que faz algumas reflexões como essas, mas de um ponto de vista de um observador. Penso que nunca, de fato, vamos saber tudo que se passa na cabeça das outras pessoas, por mais que as observemos; por mais que as conheçamos. Sempre existe uma tinta nossa sobre as nossas impressões sobre os outros. Existem as nossas tintas sobre o que pensamos de nós mesmos, e o abismo entre o que pensamos e como agimos socialmente.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s