Rotina de unhas e a beleza comprada

Quem sabe ajude alguém com algumas dicas. Mas primeiro uma historinha – claro:

Foi no comecinho de 2013 que eu resolvi que precisava de um hobby – na época eu precisava DESESPERADAMENTE de alguma coisa que ocupasse a minha cabeça que não fosse relacionado a “A vida como ela é” do Nelson Rodrigues…

Enfim. Decidi que, se eu gostava tanto assim de maquiagem, unhas e coisas afins, por que não colocar mãos à obra, literalmente? Fiz umas pesquisas – Google mesmo – e resolvi que eu ia cuidar eu mesma das minhas unhas. Sabia que não seria costura ou coisa parecida porque o talento é zero, convenhamos. Bem, com uma ideia na cabeça, corri até a Liberdade (bairro oriental aqui em São Paulo) e entrei no paraíso, quero dizer, na Ikesaki. Comprei tudo que eu achava que precisava: alicate, espátula, creme, algodão, removedor de esmalte, esmaltes – sem dúvida. E comecei. Primeiro vem a alegria: poxa, vou poder trocar de cor a hora que eu quiser, não vou precisar marcar hora com ninguém e vou fazer do jeito que eu gosto sem caras esquisitas para as esquisitices que eu curto. Yey!

Então, citando aquela tão bela música: aí vem o desespero, machucando o coração. Ou melhor, as cutículas. A história do “bife”? Tudo verdade!

Sentei na frente do Google e do YouTube pensando: bom, se tirar cutícula faz sucesso fora do Brasil é porque lá elas fazem de outro jeito e europeu não gosta muito de terceirizar esse tipo de coisa, então como será que elas fazem? A coisa mais óbvia do universo: elas hidratam a cutícula e empurram para não tirar! Foi o ovo de Colombo! Desde então, isso faz quase um ano, não tiro mais cutícula com o famigerado alicate; embora eu tenha testado mil formas diferentes de fazer isso – não com o alicate, mas com alguns truques.

Ultimamente o que eu tenho feito, além de usar a cerinha nutritiva da Granado – esse posting não ganhou um centavo para citar marcas ou lojas, hehehe – tenho usado bastante creme para as mãos, porque professora mexe com água o dia inteiro – parece incrível, mas é verdade.

Na rotina de fazer as unhas, duas coisas me ajudam também. Uma delas é aquelas luvas higiênicas. Elas vem com um creme para amolecer as cutículas dentro. A mão fica mergulhada ali por uns 5 minutos. Depois é só empurrar as cutículas. Quando eu não faço isso (valendo dizer que eu faço as unhas 2x por semana porque sim), uso o creme para cutículas da Granado – cruelty free!

Uma dica final sobre cutículas é fazer uma esfoliação. Primeiro com uma escovinha de unhas, depois com a toalha. Fica lindo e parece que foi feita no salão – o que também dá um sentimento gosto de “eu que fiz”.

O resto é básico: lixar, usar uma boa base, escolher as cores, pintar – tem uns pulos do gato aí, aprendi tudo no YouTube – top coat ou extra brilho e sair linda depois de uma hora sendo o ser mais indefeso do mundo.

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Ao final de uma manicure… Importante notar o pincel. Ajuda imensamente!

A questão aqui é que eu penso que as coisas que acabamos engajando por conta de beleza podem tornar-se escravizantes. Mexer no cabelo, seja corte, química ou mega hair. Unhas, tal e qual. O lance é fazer a coisa mais ou menos dura, restritiva etc e tal.

EU SEI que ir contra cutículas que crescem, meia dúzia de estrias aparecem ou cabelo que deixa a raiz um horror é ir contra a natureza. Só fico aqui matutando se alguns processos não são mais sobrenaturais que outros. Talvez sim, talvez não. Depende de quem faz, da sua renda mensal e até da sua percepção pessoal. O que eu quero dizer com isso é que o quanto mais natural um look é, quão mais próximo do que vc realmente é, menos doloroso, dispendioso ele se torna. Eu sei que estou dizendo isso com o cabelo com a tintura para fazer – tintura aliás, que uma hora eu vou cansar e vou deixar voltar ao natural. Mas, por exemplo, não consigo fazer em cima disso tudo, baby liss para deixar cachinhos que serão inúteis frente a lisura do meu cabelo. Nasci assim, com um cabelo que nada para: fita, presilha etc etc etc…

Eu até acho que podemos melhorar coisas que podem nos deixar mais confortáveis, mas vale um critério. Não acredito mesmo que dor vale muito para ficar bonita e me incomoda quando se diz que ficar bonita dói. Será que não podemos ter processos mais naturais? Sem formol, sem horas no salão? Coisas nossas, mesmo? Entendo que pessoas do setor de serviços precisam de emprego, que existe cirurgia estética, mas não sei se isso tudo resolve se o espelho sempre te rejeita, sabe?

Como eu tinha escrito em um outro posting, o olho é orgânico. E se ele rejeita o que está vendo, vale pensar o que anda errado. Não tem roupa ou maquiagem – ou mesmo cirurgia – que vão fazer photoshop numa pessoa 24/7. Não tem base que vai segurar a poker face o dia todo ou esmalte que vai te deixar com os stilletos da Adelle – acrílico, aliás.

Pode ser que essa seja uma das belezas dos trinta e alguns… talvez vc se conheça um tanto melhor para fazer as pazes com algumas coisas. Parte de quem vc é… e que sua carreira ou sua felicidade não necessariamente estejam ligadas a sua barriga ou suas estrias ou marcas de expressão ou ainda às malditas numerações de roupa (modelagem chinesa, oi?). Envelhecer com graça é uma das dádivas da vida, e aos trinta e alguns algumas dessas já aprendemos a aproveitar. Imagino quantas mais virão com os anos. Mal posso esperar!

Tudo isso dito, vou fazer unhas… Paradoxo, né? Mulheres de mil faces…

Pietra, viciada em esmaltes e que acha que o melhor que podemos fazer com o cabelo é cortar! Adoro!

 

PS: em breve, mais futilidades de unhas e mais reflexões de beleza comprada.

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One thought on “Rotina de unhas e a beleza comprada

  1. Oi Pi, companheira esmaltólatra… Minha paixão por esmaltes e o fazer sua própria unha é até que recente… Tem uns 3 ou 4 anos. E sabe o mais interessante? Também veio com a idade… Quero dizer, sua reflexão é tem interessante que me fez pensar em como a beleza ‘per si’ não nos basta tanto quanto somos jovens adolescentes. Com a maturidade acho que buscamos mais: empoderamento, autonomia… Ahhh, e como é gostoso, não é?! A satisfação de SIM, ter a beleza que nos realça, nos valoriza (afinal, o que há de errado em exaltar o natural em nós?! rs) mas alcançada por nós mesmas, quando queremos, do modo que mais gostamos… #nãotempreço

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