De uma loja sem provadores

E estratégias afins. Não se deixe levar.

Fui à uma loja estes dias a fim de conhecer as roupas em si, uma vez que eu tinha gostado daquilo que estava na vitrine. Entro, faço meia dúzia de perguntas para a vendedora e me encorajo a experimentar umas 3 peças. Qual não é a minha surpresa?

“NÃO TRABALHAMOS COM PROVADORES, SENHORA. É PARTE DA FRANQUIA”.

Mas hein?

Provavelmente a estratégia de “gênio” é que vc goste, compre sem provar e leve pra casa. Servindo, bom, sorte sua. Não servindo, eles trocam. Aí, toca você ir à loja novamente, trocar e quem sabe, pagar uma diferença em uma outra peça ou levar mais uma.

Aqui não, violão.

Em 1823, mais ou menos, eu fiz curso profissionalizante de personal stylist. Nome chique, de cara parece bem inútil, fútil até. Mas algumas pessoas me deixaram tocar seus guarda-roupas e fazer algumas mudanças.

Além disso, é uma mão na roda para aprender sobre você, seu corpo, seu estilo, suas cores – fora tipos de tecido, tingimento, estampas etc etc etc blá blá blá. E uma das regras fundamentais quando estuda-se uma coisa dessas é: prove, experimente, olhe no espelho. O olho é extremamente orgânico: se vc acha que não ficou bom ou que alguma coisa ficou estranha, confie nesse instinto.

Nossas roupas elas vestem o corpo para que, além de não sermos presas por atentado ao pudor – embora eu acredite sinceramente que qualquer uma pode sair como quiser – façamos uma estampa. Não tem jeito: nosso mundo é físico, cheio de limitações, e as roupas acabam formando um rótulo. You dress the part. É uma impressão, uma espécie de assinatura estética. E que pode ser mt útil para diversos fins: de disfarçar partes do corpo a intensificar algumas outras; fazer um tipo… Vestir-se pode ser um grande jogo de faz de conta. E quando gostamos de uma marca, um estilo, um tipo de corte, voltamos à loja, queremos mais. Parece-me bem óbvio.

Saber suas roupas, suas cores é um exercício externo de autoconhecimento. Pode parecer bobagem, mas quanto mais sabemos de nós mesmas seja com coisas simples como: odeio acrílico, adoro algodão, por exemplo, nos ajuda a nos colocarmos melhor no mundo. Sentir-se confortável em sua própria pele, sabendo que está fazendo um bom papel de si mesma é uma das coisas que faz a vida ser mais fluida.

Agora, me contem: que bem faz uma loja na qual vc não pode seguir essa regra? Que não se pode olhar no espelho e dizer: gostei ou detestei?

Saí. Chiando, claro. Recuso-me a comprar uma roupa sem provar. Não vão me ver mais.

Advertisements

One thought on “De uma loja sem provadores

  1. Também não gosto e é um dos motivos que eu não costumo frequentar a José Paulino, onde eu poderia comprar determinadas peças mais barato. Ainda mais que os manequins não são padronizados aqui, no meu guarda roupa tem peças de P a GG, fica bem complicado mesmo!

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s