Lendo Virginia Woolf

São 141 páginas. Já se foram umas 80. E foi o domingo inteiro. Ok, está no original – em inglês. Mas nunca imaginei que fosse tão complexo ler Virgínia Woolf.

Tudo começou ano passado quando eu vi “As Horas”, de Stephen Daldry e terminei com aquela atitude tácita. Acho q eu nem conseguia me mexer direito. Fiquei pensando, “uau, tem coisas pra dizer essa Virignia Woolf.” E arrisquei. Comprei “Mrs. Dalloway”. E enrolei até agora.

Tenho esbarrado bastante em Woolf. De amigas que contam de terem lido a referências variadas em aulas e textos de literatura. Como eu não tenho medo de Virgínia Woolf, peguei o romance.

Complexo. Existem questões que são por conta de vocabulário e de costumes que não temos mais. Foi publicado em 1925. Mas, além disso, as idas e vindas do texto, do pensar das personagens, funciona muito como o nosso pensamento. Que distancia-se, que sincretiza, que cola uma lembrança na outra.

E quem nunca, andando pela rua, em meio a afazeres não se pega em mil reflexões? Imagina isso tudo em meio a pensamentos que não são seus, mas com os quais você se relaciona?

Questões de guerra… De um homem que não consegue sentir mais nada; um outro que lembra-se da amada quando era jovem; de uma mulher que faz o melhor para continuar sempre vibrante – talvez Clarissa fosse libriana…
Fico pensando se essa forma de escrita não reflete exatamente como costumamos pensar e talvez por isso seja tão profundo e longo em interpretação. Aliás, que mania de linearidade que temos se nada é assim. A lineariedade, a ordem, uma coisa após a outra não podem ser. O mundo não é estanque. Imagina o pensamento que é tudo menos físico. Pensamento não tem limite. Ele encadeia, é verdade, mas não pode ser posto em caixas, um do lado do outro. Pior ainda na escrita woolfiana.

Por enquanto, o que eu posso dizer que, pelo número de páginas, eu deveria ter terminado a leitura. Impossível. No meio dela, parei várias vezes para fazer pesquisas para entender tanto o contexto, quanto as personagens.

Vou terminar logo. E sinto-me impelida a ir logo para “a room of one’s own”.

Queria saber o que é isso comigo de meio que viciar em autores. “O ano da morte de Ricardo Reis” já está começado e descansando ao lado da cama. Não esqueci Saramago. Nem Mia Couto. Minha estante ganhou uma inglesa. Imagino o que conversariam durante um chá.

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